Robert Pattinson espera que Chris Hansen goste de Primetime e elogia Phoebe Bridgers em coletiva em Veneza
O ator falou sobre a construção do personagem, o magnetismo do apresentador real, memes, a rotina intensa de 2026 e a estreia da cantora no cinema.
Robert Pattinson desembarcou no Lido para apresentar Primetime, filme de Lance Oppenheim que disputa o Leão de Ouro na 83ª Mostra de Veneza. Na coletiva de imprensa deste sábado (5), o ator — que também assina a produção pela Icki Eneo Arlo — falou longamente sobre o papel inspirado em Chris Hansen, apresentador de To Catch a Predator, sobre o processo criativo e sobre o elenco. O filme estreou no mesmo dia com ovação de pé que durou entre sete e nove minutos.

“Eu nunca tinha tido essa experiência antes. Estávamos desenvolvendo o roteiro juntos há muito tempo, antes mesmo de eu atuar nele. Eu estava tentando moldar a parte para que fosse o melhor papel possível para outra pessoa, e depois fui me apegando cada vez mais”, contou. “Enquanto pesquisávamos o programa por meses, eu nem percebia que já estava pesquisando o personagem.” O sotaque de Hansen, segundo ele, foi particularmente difícil. “Mais do que qualquer outro papel que já fiz, foi trabalho braçal.”
A virada aconteceu quando uma versão do roteiro ganhou um elemento “quase sobrenatural”. “Achei genial e completamente inesperado. Aí o papel se tornou irresistível.”
Ele e os colaboradores não conseguiam evitar imitar Hansen. “Tem algo em Chris Hansen que você não consegue deixar de imitar. Éramos quatro sentados à mesa, imitando e fazendo nossas versões dele, tentando entender o que funcionava melhor e quais eram os momentos mais cinematográficos.”

Hansen criticou o trailer, classificou a interpretação como “excessivamente dramática” e recusou assinar o NDA da A24 para ver o filme com antecedência. Pattinson respondeu com tom conciliador.
“Obviamente, espero que ele goste do filme. Eu nunca parti para fazer um filme sobre o Chris Hansen. Nunca tinha pensado nisso, e então vi o roteiro e tem algo elétrico nisso. Eu esperaria, de alguma forma, que a quantidade de inspiração que o personagem dele deu a tanta gente envolvida neste projeto ao longo dos anos seja algum tipo de elogio.”
O ator descreveu o apresentador como uma figura magnética. “Tem algo magnético na presença dele. Assistia ao programa quando era mais jovem e não pensava nisso. Tem uma alquimia estranha — alguma coisa que ele faz é o motivo de as pessoas ainda falarem daquele show 20 anos depois. Não é só o tema. O programa era inovador, quebrava regras da televisão, mas é ele quem está no centro. Mesmo depois de assistir literalmente milhares de horas de tudo relacionado a ele, você ainda não consegue colocar o dedo no que é. Acho que o que tentamos capturar foi nosso entusiasmo coletivo por esse mistério. Ele sempre foi o personagem mais interessante para mim — tem uma energia que todo ator quer interpretar, aquele magnetismo vibrante.”
“Neste filme, tentamos capturar a energia dele quando fazia e ainda faz o trabalho.”
Sobre o tom moral da história, Pattinson foi direto: “Você pode se convencer de alguma coisa e depois transformá-la em uma arma. Acho que, em muitos casos, é o que as pessoas fazem com as fábulas morais: elas mudam conforme o ângulo de quem olha. Se você consegue focar em um aspecto do jeito certo, pode transformá-las em outra coisa.” Quando perguntado sobre o mal, resumiu: “Não se matam pessoas. É preciso ser gentil.”
Memes, A Odisseia e a paternidade
O ator também comentou a enxurrada de memes com o personagem e com outros trabalhos recentes. “Quando eu era mais novo e comecei a ir ao cinema, todo mundo na escola lembrava de falas específicas e fazia imitações. Senti que isso tinha desaparecido da cultura por anos, e então percebi que foi substituído pelos memes — e eu gosto bastante disso. É divertido reaproveitá-los. Você nunca pode dizer ao público como se sentir, mas pode dar coisas às quais eles se apeguem.”
A agenda de 2026 está lotada: O Drama, A Odisseia, Primetime, Duna: Parte Três e as filmagens de The Batman: Parte II.
“Quando você pega o embalo, estranhamente não é tão difícil. Quando começa a girar os pratos, fica viciante.” Ele brincou que dá para ouvir um pouco de Chris Hansen em The Odyssey: “Foram literalmente horas de diferença.”
A paternidade ajudou no ritmo. “Acabei de ter um bebê. Não tinha nenhum desejo de sair à noite, então de repente tive o dobro de tempo, o que foi muito útil.”
Elogios a Phoebe Bridgers — e o recíproco
Pattinson foi especialmente elogioso com a cantora Phoebe Bridgers, que estreia no cinema como uma das iscas do programa.
“Ela é inacreditável. Eu nem sabia que o Lance e a Phoebe eram amigos. Quando ele sugeriu o nome, eu pensei: ‘Phoebe Bridgers? Por que não chamamos a rainha?’ No primeiro dia ela já estava tão relaxada. Não parecia nervosa. Entendeu completamente o tom, e é um filme relativamente difícil.”
Bridgers retribuiu. Disse que a experiência foi “super intimidante” no começo (“quando o Lance me chamou, eu pensei: ‘de jeito nenhum, cara’”), mas que trabalhar com pessoas incríveis facilitou tudo. “Achei que ia murchar no meio desses caras. Em vez disso, foi só diversão e liberdade.” Em outra fala, ela afirmou ter se sentido “logo em ótimas mãos, tanto com Lance quanto com Robert, dois profissionais que estimo muito e a quem me confiei totalmente.”
O diretor Lance Oppenheim descreveu Hansen como jornalista, entertainer e também artista, e destacou o fascínio pela teatralidade do programa original. O elenco presente na mesa — Merritt Wever, Skyler Gisondo e Bokeem Woodbine — completou o painel.
Fora da sala de imprensa, a recepção foi ruidosa. Multidões gritavam “Robert! Robert! Robert!” no tapete vermelho. Na sessão de estreia, Suki Waterhouse foi uma das que mais aplaudiram e beijou o ator durante a ovação. O público também cantou o nome de Oppenheim e de Bridgers.

Primetime chega aos cinemas americanos em 25 de setembro pela A24. O filme segue na disputa pelo principal prêmio de Veneza.