O The Guardian publicou um artigo super legal argumentando que Robert Pattinson vive o melhor momento de sua carreira e pode finalmente entrar na disputa pelo Oscar, graças ao destaque em A Odisseia, de Christopher Nolan. O site defende que Robert Pattinson deixou definitivamente para trás a imagem de astro de Crepúsculo se consolidou como um dos atores mais interessantes de sua geração, chegando a 2026 com uma combinação rara de prestígio artístico, sucesso comercial e chances reais de disputar o Oscar. Confira traduzido na íntegra:
Com um papel de destaque em A Odisséia, o ídolo de Crepúsculo que se tornou o principal ator para cineastas da Arte, se tornou um dos atores mais carismáticos e imprevisíveis da sua geração. Hoje, o então ídolo adolescente não pode mais renegar aqueles projetos, não importa quão cafonas, que o transformou em estrela. Em uma época em que mesmo dramas pungentes são promovidos em reels nas mídias sociais com atores devorando asinhas de frango ou abraçando cachorrinhos, qualquer menção de um papel de destaque precisa ser corajosamente abraçada, antes que os agradecimentos sejam novamente dados aos fãs, pela oportunidade.
O que estrelas de elite almejando por prêmios não fazem, contudo, é ativamente invocar tais esqueletos. Leonardo DiCaprio não assegurou o seu Oscar por O Regresso com alusões à sua série televisiva dos anos 80, Tudo Em Família. Da mesma forma, Joaquim Phoenix raramente comenta Space Camp – Aventura No Espaço, e Jacob Elordi mantém os lábios bem fechados quanto à Barraca do Beijo 3.
Mas Robert Pattinson nem tanto. O ator britânico de 40 anos está agora sendo comentado como o grande destaque na versão de A Odisséia de Christopher Nolan. Além de ser a produção melhor estrelada montada em anos, o blockbuster de 250 milhões de dólares é facilmente o filme do ano mais antecipado e, de longe, o ganhador a se bater no Oscar de Melhor Filme.
A performance de Pattinson como Antinous, o vilão pretendente de Penélope (Anne Hathaway) na ausência de seu marido Odisseu (Matt Damon), foi coberta de elogios pelos críticos que compartilharam suas primeiras impressões antes que os embargos de críticas sejam retirados na próxima quarta-feira. “Para mim, ele absolutamente roubou o show,” escreveu o critico estadunidense Erik Davis, o definindo como “tão ardiloso, manipulador, e infinitamente divertido de se assistir”. A especulação para Melhor Ator Coadjuvante é grande, sendo o consenso de que esta é jogada mais acertada recente em uma carreira marcada por bolas curvas e ousadia artística de um homem que a muito se libertou de suas raízes.
Ainda assim, no tapete vermelho da estreia mundial do filme, na segunda-feira (06/07), Pattinson de alguma forma conseguiu correlacionar o poema épico Homérico de 3.000 anos – e sua versão cinematográfica pesada – com a Saga Crepúsculo, a série sobre vampiros adolescentes excitados a qual ele estrelou quase 20 anos atrás.
“Eu fico comparando,” ele diz “(Antinous) é como Jacob em Crepúsculo. É sobre o que é A Odisséia – Penelope não consegue se decidir entre dois caras. E eu só estou, tipo, tentando ajudá-la a se decidir. É tipo, ‘Tá tudo bem. Ele morreu, supera!’”
Nos quatro filmes da série Crepúsculo, Pattinson interpretou Edward Cullen: pálido, morto-vivo, e preso em um triângulo amoroso com uma estudante emo, Bella Swan (Kristen Stewart), e o lobisomem sarado Jacob Black (Taylor Lautner). Nascido em Barnes em 1986, Pattinson foi escalado para o papel em 2007 – apesar de não ter treinamento e pouca experiencia – depois dos produtores exigirem uma lista dos atores de Harry Potter que mais pontuaram no “estrelômetro” do IMDB, um reconhecimento que ele conquistou com sua participação como o jogador amaldiçoado de Quadribol Cedrico Giggory em Harry Potter e o Cálice de Fogo (seu primeiro crédito cinematográfico).
Chamado para um teste de química com uma Stewart de 17 anos na casa da diretora Catherine Hardwicke, o ator impressionou ambas as mulheres com um comprometimento tão intenso que ele chegou a cair da cama durante uma cena de beijo, fazendo Hardwicke sentir a necessidade de lembrá-lo das leis de idade de consentimento na Califórnia.
“Ele é uma estrela de verdade, e isso estava claro no minuto em que ele apareceu no primeiro Crepúsculo,” diz o jornalista cinematográfico veterano Steven Gaydos. “Hardwicke fez um grande favor ao mundo do cinema quando ela colocou Pattinson junto com Stewart, à medida que seu poder estelar mútuo obscureceu a maluquice lobisomens-e-vampiros boba da franquia, e manteve o foco no amor e calor entre duas grandes e carismáticas novas estrelas.”
Eventualmente, o par namorou por quatro anos, enquanto a série arrecadou 3.36 bilhões de dólares. Ambos os atores trilharam caminhos dramaticamente não convencionais desde então. “Por muito tempo,” diz Guy Lodge, crítico-chefe da Variety, “eles foram os exemplos máximos da indústria para a trajetória de ídolo adolescente que se transforma em ator sério. Quando, ao fim do último capítulo de Crepúsculo, ele se alinhou à filmes de David Cronenberg, Werner Herzog, os irmãos Safdie, James Gray, Claire Denis, e tantos outros, ele não poderia ter feito uma declaração mais enfática sobre suas aspirações artísticas.”
Seja tendo sua próstata examinada no passageiro de uma limusine (Cosmopolis), sendo constantemente clonado (Mickey17) ou sombriamente se masturbando por uma sereia de madeira antes ser bicado até a morte por gaivotas (O Farol), a constante tomada de decisões perversa de Pattinson permaneceu, diz Gaydos, de forma que ele nunca se acomodou na “zona de conforto nem se limitou a atender às expectativas do público e do negócio”. Ao invés disso, ele se provou “um ator talentoso e destemido, de enorme versatilidade. Sua atuação livre e ousada em The Drama, apresenta oscilações de personagem que derrotariam a maioria dos atores.”
“Lodge também destaca The Drama, uma comédia romântica com um casal controverso e badalado do inicio deste ano, a chamando de “o veículo perfeito para o equilíbrio de Pattinson entre habilidades de leveza e peso. Ele interpreta a comédia agitada e esquisita de forma requintada, mas é uma performance enraizada em uma dor profunda e ansiedade, e é, bem possivelmente, a sua melhor performance até agora.”
A ligação fácil e fraternal do ator com sua co-estrela, Zendaya, enquanto promovendo o filme, foi um eco da química relaxada e camarada que ele demonstrou no ano anterior com Jennifer Lawrence, sua co-estrela no drama extenuante sobre depressão pós-parto, Morra, Amor.
Sua própria vida privada – seguindo sua relação com Stewart, e outra com FKA Twigs, ele agora tem uma filha pequena com a namorada de longa data, Suki Waterhouse – contribui com a figura de Pattinson como um ator que, mesmo sem medo de abraçar o não convencional em seu trabalho, está aparentemente feliz em permanecer sem complicações em casa.
Como muitas das atuais estrelas quentes – Josh O’Connor, Brad Pitt, Seth Rogen -, ele é um ávido ceramista, bem como um inventor doméstico entusiasta, cujas ideias incluem um prato parecido com arancini, chamado piccolini cuscino (pequeno travesseiro), com o qual ele quase iniciou uma parceria com uma fabricante de comida congelada, e um sofá de quase três metros com apoios de braço tão largos quanto os assentos (“Ele pesa uma tonelada” – e ainda temos que achar um comprador).
Zendaya estrela em A Odisséia ao lado de Pattinson, bem como em Duna 3, que está marcada para ser a maior estréia deste Natal – e um dos maiores rivais de A Odisséia para os prêmios principais. Mais tarde este ano, Pattinson também estará em Primetime, um drama de baixo orçamento sobre o programa de TV estadunidense To Catch a Predator. Então, o começo de 2027 marcará a segunda vez que ele veste o traje preto e a capa como o Cavaleiro das Trevas, o Batman, na aclamada releitura da DC, dirigida por Matt Reeves.
“Ele boiou de volta para o cinema comercial,” diz Lodge, “mas agora ele é um ator mais solto e mais interessante por suas incursões pelo cinema da arte. Em Tenet (2020) e A Odisséia, ele traz perspicácia e ironia para a escrita severa de Nolan, e enquanto não havia muito a se fazer com a seriedade sombria de The Batman, ele deu ao super herói um raro lampejo de alma e sensualidade.”
E é essa perspicácia erótica, talvez, a chave para o apelo geral de Pattinson e seu triunfo em A Odisséia, um filme que abertamente valoriza a moralidade estoica e força sobre os prazeres da carne. Na sua prova de figurino para o filme, Pattinson contou recentemente à GQ, “Eu estava tipo, ‘Eu realmente quero usar cuecas de leopardo – eu quero que ela apareça por baixo da minha sai, um pouco de pele brilhante.’”
A veia subversiva é prontamente detectada em sua performance, diz o crítico de cinema do The Guardian, Peter Bradshaw, que a chama de “saturnina, levemente reptiliana e odiosa… e da cabeça aos pés do tipo bad guy, aos quais sua aparência aristocrática e altiva se prestam”. Enquanto Gaydos vê Pattinson “herdando as maçãs do rosto e costeletas de atores principais da era dourada de Hollywood, como Robert Taylor e Tyrone Power”, Bradshaw, por outro lado, opta por Alan Rickman: o mesmo senso de humor diabólico e sensualidade, acompanhados por uma reputação impecável de cara legal nos bastidores.
Dois dos filmes de Pattinson deste ano já se provaram grandes hits, e outros três no horizonte prometem ser favoráveis. Ainda assim, independentemente do seu futuro, o futuro de Pattinson como um dos atores mais bancáveis, carismáticos e imprevisíveis da sua geração, parece seguro. Se ele apenas tivesse aparecido um pouco mais cedo, diz Gaydos. “Se Alfred Hitchcock estivesse dirigindo filmes atualmente, só podemos imaginar as emoções e diversão que ele criaria com Pattinson na tela.”
Esse artigo foi alterado em 11 de julho de 2026. Uma versão anterior sugeriu incorretamente que Joaquim Phoenix apareceu como um jovem ator no filme S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço. Ele esteve em Space Camp – Aventura No Espaço, de 1986.
Artigo original: The Guardian | Tradução: Amanda Agostinho – Tradutora da equipe Robert Pattinson Brasil