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Categoria: Entrevistas

Robert tem sido muito elogiado por sua interpretação em Good Time, filme dos irmãos Safdie que tem estréia americana prevista para agosto. Robert é a capa da revista Film Comment, onde o filme foi matéria principal da revista, confira abaixo os scans e a entrevista de Robert para a Film:


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Completamente mental

Robert Pattinson não consegue parar, não vai parar. Entrevista por Nicolas Rapold

Logo depois da primeire mundial de Good Time em Cannes, a estrela Robert Pattinson pode finalmente se sentar por um momento para uma entrevista em um hotel no The Croisette. Ele estava afável, pensativo e apenas falando sobre um filme nerd.

Q: Você trabalhou com o David Cronenberg, James Gray, os Irmãos Safdie. A próxima é Claire Dennis em High Life. Você tem uma lista de diretores que você está checando? 

Robert: Eu apenas pego a pequena parte que eu fico super animado sobre, com Ciro Guerra que fez “Embrace of the Serpent”. Esse filme foi lindo. Eu gosto de ver pessoas que fazem esses filmes de outro planeta como Claire Denis. Eu assisti todos os filmes semana passada e cada um deles tem esse pequeno universo único. 

Q: Qual é o seu filme favorito da Claire Denis? 

Robert: Eu realmente amo “No fear, No Did”. Eu não sabia quem era ela antes de eu ver “White Material”quando eu estava filmando um dos filmes de ‘Crepúsculo’. Eu estava  assistindo um dos canais a cabo em Baton Rouge. Eu fiquei atônico. 

Q: Vamos falar sobre ‘Good Time’. Seu personagem, Connie, é quase um ator em sua vida, um molde. E ele dimensiona todos. 

Robert: Ele tem uma compreensão inata do que as pessoas querem. E ele tem essa habilidade com a mão – ele é muito bom em desviar atenção. Quando ele começou a desenvolver isso ele realmente queria fazer parecer como se ele meio que fosse místico. Ele não se da conta realmente do que é. Ele é um  solitário e a quanto mais você vive em isolamento mas você envolve essa fantasia única da vida na sua cabeça. Eu acho que ele está contando histórias ao invés de mentiras. Quando ele fala com o policial no hospital, eu estava imaginando que não era uma mentira. O imediato foi uma coisa muito interessante pra mim: ele não tem que pensar, é tao instintivo. 

Q: Quando você trabalha em um personagem você pensa sobre o por que de ele ser assim?

Robert: Eu gosto de coisas nas quais você não sabe nada sobre, como pular de um penhasco pra ver o que acontece. Há certos elementos do personagem que você, como uma pessoa,  realmente projeta. Isso significa que você sabe que você está na área certa, que tem alguma coisa boa acontecendo, e você se da conta que você não está na sua zona de conforto. 

Q: O que você se viu  projetando?

Robert: A primeira cena que gravamos foi quando eu tiro Nick da sua sessão de terapia. Nós estávamos em um hospital gravando, e tinha um monte de pessoas portadoras de deficiências em volta, e o Josh estava tipo “diga, “é isso que você acha que você é?”” E eu estava tipo “eu não quero falar isso! isso é  muito louco de se dizer”. E foi tipo, não, isso é algo: ele se recusa a aceitar que tem qualquer coisa errada com seu irmão, simplesmente porque é seu irmão.  Definitivamente há uma narrativa narcisista ao longo da trama e eu sei que isso é uma coisa típica de ao longo da vida dos criminais também. Tem  também definitivamente alguns outros momentos.

Q: Acho que eu tenho que perguntar sobre a cena romântica com a garota de 16 anos então

Robert: Isso foi terrível! Pra ser honesto eu achei que a linha mais decadente na coisa toda é quando ele fala: “Quantos anos você tem?” E ela fala, “16.” mas ela parece ser  muito mais nova que 16. E ele ta tipo, “você parece mais velha que isso.” Mas eu acho que ele é estranhamente assexual na coisa toda. Ele não está no seu próprio corpo de forma nenhuma. Não que eu esteja tentando justificar as dele de qualquer forma. Eu assisti o filme duas vezes. Na primeira vez, eu apenas achei que a coisa toda, era realmente engraçada. Na segunda vez, eu estava tipo,: “merda.” eu estava tipo que eu estava tipo “Que completo bastardo!  Ele realmente, realmente é um cara mal.” E é assim que provavelmente a maioria das pessoas vão vê-lo. 

Q: Esse surgimento no filmes dos Safdies: imoral, amoral, o que realmente está acontecendo? 

Robert: “Daddys Longlegs” é o exemplo perfeito. É como, você é o cara. Mas você está tipo, “oh meu Deus. Você é um monstro!” Eu não sei o que tem neles. Talvez ele só sejam assim (risos). 

Q: Como foi aproximação entre você e os Safdie? 

Robert: Eu perguntei para o meu a gente sobre eles e eu estava tipo, “eu acho que eu devo achar alguma coisa que ninguém sabe sobre!” Quando eu conheci eles eu estava tipo, yeah, eu definitivamente estou um pouco fora da curva (risos).

Q: Isso faz parte da diversão para você.

Robert: Eu sou tipo uma pessoa A&R!

Q: Como você se preparou para esse tipo de personagem?

Robert: É um processo constante. Eu vi uma versão do script que não é nada parecida com filme. Eles disseram que eles estavam fazendo um rascunho, então eu pensei que eu apenas ia mandar pra elas tudo que eu queria que tivesse nele. Josh estava bem acessível e levava tudo incrivelmente a sério. Quero dizer, ninguém com quem trabalhou com ele – bem, com eles, mas eu realmente falei com Josh porque Benny acabou de ter um bebê… Eu não me senti apenas conectado com o produto final, mas também com as pessoas que fazendo ele. No final do dia, é um filme, mas ao mesmo tempo, tem que ter o significar tudo para você para que você o faça.  Se não vai ser atoa. 

Q: Deve haver uma de muitas diferenças em fazer um filme de estúdio. 

Robert: Com esse, especialmente, foi muito fora do controle. Nós apenas estávamos roubando cenas. Eles são muito audaciosos. Quando nos estávamos fazendo a cena da perseguição policial, nós não tínhamos a permissão pra filmar a cena na rua e nós estávamos colocando o câmera men dentro de uma van de família (*esses carros grandes que acomodam uma familia toda*) com a porta aberta e tentando fazer um movimento em que a camera segue o personagem no meio da rua. Josh e Benny estavam bloqueando a rua eles mesmos, segurando os monitores em uma rua de duas vias de mão dupla com o trânsito engarrafado. É loucura!

Q: Você sente que você está explorando algo com seus personagens nos últimos anos?

Robert: Eu acho que tem uma vaga generalização. Não apenas pelo que eu estou interessado e pela experiência de vida, eu me sinto um pouco fora da realidade. Tem uma coisa meio que parecida com ‘Cosmopolis’ e esse, onde você está tentando se castigar, e você se convence que não está vivendo na realidade. Esse personagens estão espiritualmente fora da órbita terrestre. 

 

Tradução & Transcrição: Equipe Robert Pattinson Brasil – Gabriela Araujo

Ainda na “vibe” de Cannes, estão sendo liberadas novas entrevistas do Robert durante a divulgação de Good Time no festival. A entrevista transcrita à seguir é do ator para a revista Les Cahiers du Cinema, onde está como capa e matéria principal. Veja à seguir:


x SCANS > INTERNACIONAIS > 2017 > JUNHO 2017 – LES CAHIERS DU CINEMA

Good Time invadiu a competição de Cannes como Robert Pattinson entra no filme: maníaco, desgrenhado e meio corrido. Quando nos encontramos com ele dois dias depois, o ator encontrou sua figura desajeitada, como ele se define: magro, esguio e pronto para a desarticulação. Sua timidez não é falsa e seu nervosismo é expressado por suspiros com calor expressivo.
Ele é um daqueles atores envergonhado por sua beleza e duvida de suas qualidades como atores. Do nosso lado, não duvidamos dele faz um longo tempo. O personagem muito físico do filme de Josh & Benny Safdie é outra metamorfose em sua filmografia cada vez mais rica e mais rica, escolhendo papéis com um gosto óbvio pela novidade. O preço de interpretação teria sido perfeito para reconhecer esse caminho que, após o sucesso mundial “A Saga Crepúsculo”, que o tornou uma superestrela, o levou a filmes mais aventureiros, com David Cronenberg, James Gray ou Werner Herzog. Mas Pattinson não vai parar por aí. Esperando por ‘High Life’ de Claire Denis e ‘Idol’s eyes’ de Olivier Assayas (ele estará trabalhando com Sylvester Stallone), ele já anunciou uma colaboração com Ciro Guerra, diretor colombiano de ‘O Abraço da Serpente’.
(Robert Pattinson faz a primeira pergunta)
RP: Você se divertiu no festival?
CDC: Sim, mesmo que os filmes em competição não tenham sido tão bons esse ano… sorte nossa que nos divertimos assistindo ‘Good Time’!
RP: E que outro filme?
CDC: ‘The Day After’ de Hong Sang-Soo
RP: Ah sim, Claire Denis me falou sobre esse filme. Eu tenho que assistir.
CDC: No Quinzaine houve um filme muito bom da Claire Denis, ‘L’Amant d’un jour’ de Philippe Garrel e ‘Jeannette’ de Bruno Dumont…
RP: ‘Jeannette’ ?! Me disseram que era ruim!
CDC: Pelo contrário! É brilhante!
RP: Bem, eu preciso ver isso então…
CDC: ‘Good Time’ foi um fenômeno na competição.
RP: Você provavelmente sabe disso, no início, o filme não estava em competição. Se estivesse em exibições especiais, a recepção do público teria sido diferente, teria sido tomada como um filme divertido. Mas é um filme mais sério.
CDC:Foi você que entrou em contato com os Safdies para trabalhar com eles?
RP: Eu vi um cartaz de ‘Amor, Drogas e Nova York’ na internet e eu disse a mim mesmo que, se eles estavam usando aquele tipo de imagem para a promoção, sua sensibilidade era interessante para mim. O trailer foi incrível, realmente enérgico. Eu me encontrei com eles e em questão de segundos eu sabia que nos dávamos bem. É o tipo de coisas que você sente imediatamente. Eu não tinha assistido o filme, então, durante esta primeira reunião, eu disse: vamos fazer algo juntos, seja lá o que for. Eles têm essa qualidade rara de reagir e tomar decisões com bastante rapidez. Normalmente, te dizem “Ok” , e então demora uma eternidade. Com eles foi “vamos fazer isso!” E um mês depois eu recebi a primeira versão do script. A ideia original para ‘Good Time’ era muito diferente, eu era irmão de Buddy Duress e nós fazíamos cursos de interpretação, era estranho (risos).
CDC: Josh Safdie te enviou a biografia do seu personagem antes de enviar o script?
RP: Sim, acho que foi antes. Faz parte do processo deles de redação. Josh queria que eu aprendesse essas cinco a seis páginas sobre a vida de Connie, que me ensinou que ele foi preso aos 12 anos, por exemplo. Eu me senti como um policial disfarçado conhecendo o seu disfarce. Nada de mais aconteceu com o personagem. Eu sabia como ele cresceu, os nomes de seus familiares. A partir da segunda versão do roteiro, tive trocas constantes de e-mail com Josh e Ronnie Bronstein. Eu queria ter certeza em seguir uma determinada direção, então eu falei sobre minha ideia de um roteiro ideal e eles sempre me responderam, ficaram com a mente muito aberta.
CDC: Durou muito tempo?
RP: Cerca de oito meses. Nos falávamos diariamente quando eu estava na Colômbia filmando ‘Z – A Cidade Perdida’, porque lá, não havia muito o que fazer. Isso me fez ficar investido no roteiro e me senti realmente conectado à história.
CDC: Desde o início, havia uma mistura entre a impulsividade e os lapsos do tempo.
RP: Sim, é assim que eles funcionam. Eu acho que a maioria dos outros atores não leram o roteiro, exceto Buddy, talvez. Cinco minutos antes de rodar, Josh explicava a cena. É bastante louco, eu nunca tinha visto isso, essa forma para colocar o set sob pressão, eu nem entendo como isso funciona! (Risos). Por minha parte, eu me preparei convencionalmente para o papel. Adorei os diálogos, mas Ronnie e Josh estavam prontos para desistir. Josh poderia me dizer: adoro a voz que você usou nesta cena, de agora em diante, faça o que quiser, seja o diálogo! Mas eu queria as palavras já escritas. Todo mundo estava improvisando ao meu redor, apesar de tentar manter o diálogo. Foi um pouco assustador. Quando seu parceiro apenas improvisa quando a cena deveria ir de uma certa maneira e você poderia ter certeza de que ele iria dizer o oposto do que estava escrito no roteiro! Então eu tive que trabalhar constantemente com as intenções, o que foi emocionante.
CDC: Você trabalhou com os outros atores antes de entrar no set, por exemplo, com Buddy Duress?
RP: Não. Acho que Buddy estava na prisão antes do filme ter sido feito, se eu me lembro, tivemos que atrasar o trabalho porque tivemos que esperar ele sair da prisão. A maioria dos atores desempenharam papéis próximos da forma como eles são na vida real. Eles são na sua maioria nova-iorquinos e eu estava com medo de não me encaixar com eles. Foi o meu maior medo durante a filmagem. Não é pouca coisa ser um verdadeiro nova-iorquino, todos estão olhando para você para ver se você está fingindo. Trabalhamos por tanto tempo … Como conseqüência, adquiri o sotaque do Queens enquanto estava lá. Não veio do papel, veio mais do cotidiano. Tudo vem mais fácil quando temos tempo.
CDC: Seu personagem sofre uma constante metamorfose durante o filme. Algumas dessas metamorfoses são suas idéias?
RP: Josh e Benny tem um universo muito preciso, um tipo de ambiente, e eu sabia que queria ser parte disso. Eu precisava ser incluído, eu precisava ir às ruas, interagir com as pessoas lá fora. Nas minhas outras experiências em Nova York, as pessoas me reconheceram, como em qualquer outro lugar do mundo – os pedestres queriam tirar minha foto. Foi um dos meus medos, especialmente trabalhando com não atores. Eu me tornaria uma curiosidade para todos. Então começamos a tentar vestimentas e maquiagens, eu ia na rua para verificar se as pessoas me reconheciam. Um dia, fomos testar a câmera sem autorizações em uma estação de lavagem de carros, eu estava usando as roupas do meu personagem, com Benny, eu tinha manchas no meu rosto, barba tingida e pude ver nos olhos das pessoas que elas não me reconheciam. Usei o personagem para me esconder.
CDC: Connie tenta constantemente se esconder e fugir de si mesmo. Assim como você? Tornou-se um papel pessoal?
RP: Sim, ele é como um ator sem perceber. Ele também é como um cachorro perseguindo o seu próprio rabo. Sempre é fascinante ver, este animal indo cada vez mais rápido de forma tão obsessiva. Você está certo, há algo muito pessoal aqui, mas não posso realmente defini-lo. Muitos elementos foram tirados do filme, eram as sequências de sonhos onde o personagem parece mais místico … Quando você vive isolado dos outros, a imaginação toma cada vez mais espaço e você apenas perde o contato com a realidade. Nós falamos sobre isso com Josh, por exemplo, a cena em que Connie está no hospital, ele encontra com um policial e diz que ele estava com seu pai em uma sala e que há um problema com a TV … mas para mim ele não está mentindo: na sua cabeça aconteceu. De um lado ele está imerso na realidade, mas é constantemente um mundo imaginário. E isso é algo que compartilho com ele.
CDC: Seu gosto pela transformação já estava lá em ‘Z – A Cidade Perdida’ ou ‘The Rover’.
RP: É provavelmente um jeito de convencer a mim mesmo. Você tem que ser capaz de tirar uma foto sua e não se reconhecer. É um sentimento engraçado. Qualquer que seja a razão, você começa a se comportar de um jeito, como você nunca se comportou antes. Quanto mais você procede na vida, mais você sabe que tipo de atitude trará essa ou aquela reação, mas usar esse conhecimento em um filme sempre me faz sentir como se eu estivesse me repetindo, sendo falso e barato. Mas para fazer algo que você nunca fez na vida real … Eu não sei, o que eu estou lhe dizendo não faz sentido! (Risos) É apenas uma maneira de se livrar de toda a vaidade, todo o “eu quero ser bonito”. E se a maioria dos atores quiserem ser transformados, é só porque eles têm um enorme sentimento de constrangimento e vergonha por eles mesmos. Queremos nos convencer de que podemos ser outra pessoa, enfrentar melhor a realidade.
CDC:Você modestamente faz isso também. No filme de James Gray você tem um papel secundário, como em ‘Maps To The Stars’. É notável.
RP: Eu interpretei pequenos papéis em muitos filmes. Não fez diferença para mim. Penso em mim mesmo como aprendiz. Eu realmente não sei como fazer o que estou fazendo, eu sempre estou treinando. Então, toda ocasião de trabalho é como uma nova lição para mim. E eu literalmente não tenho nada a perder. Caso contrário, há apenas alguns pequenos bons papéis principais. Na maioria das vezes, esses são papéis imediatamente relacionados com promoções comerciais. Muitas pessoas ficam preocupadas se você der uma interpretação estranha, mas você é mais livre em um papel secundário, você quase pode fazer o que quiser!
CDC: Como você falou sobre lições: o que você aprendeu com David Cronenberg?
RP: “Cosmópolis” foi muito importante para mim. Há o Don DeLillo … quando mais jovem, eu queria ser músico e o processo de escrita para o roteiro de ‘Cosmópolis’ era realmente musical. Antes deste filme, sempre pensava em um papel através das motivações do personagem. Era um processo cerebral. Mas em ‘Cosmópolis’, devido ao seu aspecto surrealista, o ritmo de escrita era mais importante do que as motivações psicológicas. Foi quando eu aprendi que poderia dizer um monólogo inteiro sem pensar estritamente em psicologia, mas na maneira musical escrita do roteiro. David estava totalmente de acordo com isso, não podia simplesmente dizer minhas falas de uma maneira que parecia boa. Era mais instintivo e muito bom. E eu também aprendi muito a ver alguém fazendo um filme que parecia impossível no papel.
CDC:E com James Gray?
RP: Compreendi vendo o filme quanto a interpretação está ligada ao lugar da câmera. E disso, o ator não precisa se responsabilizar em contar a história sozinho… Na maioria das vezes, no set, eu só tive a impressão de ser um extra. Embora eu tivesse trabalhado muito na história do meu personagem. Eu sempre perguntava a James Gray se estava tudo bem, e ele diria ‘sim, está tudo bem’. Mas eu simplesmente respondia “mas se eu não fiz nada” E ele ‘Você não fez nada, não se preocupe’ Eu sempre pensei que poderia fazer mais. Mas o personagem simplesmente surge e, para isso, você precisa confiar em seu diretor. James Gray tem bom gosto, podemos confiar nele.
CDC: ‘Cosmópolis’ é um papel minimalista, você está na maior parte sentado em um carro.
RP: Verdade. Eu sou uma pessoa tranquila, e com ‘Cosmópolis’ eu estava realmente na minha zona de conforto. Cada filme é uma progressão, e depois de ‘Cosmópolis’ eu falei a mim mesmo que fiquei muito imobilizado. Eu me tornei mais à vontade fisicamente em ‘The Rover’ para o qual eu realmente queria fazer algo com meu corpo. Connie também, em ‘Good Time’ está à vontade com seu corpo. Realmente à vontade mesmo!
CDC : Você tem um método?
RP: Na verdade não. Nunca tive aulas. Eu reajo muito da escrita. Se alguém escreve bons diálogos, todo o resto segue. Geralmente, tento ser o personagem muito antes da filmagem. Mas eu não tenho nenhum outro método a não ser conhecer o meu maior defeito, o estresse.  O  estresse me impede de fazer qualquer coisa. No decorrer dos anos eu aprendi que só preciso ir antes no set, onde quer que seja, e ficar lá sozinho por um tempo, então meu cérebro pode simplesmente relaxar … Para ‘Good Time’ aluguei um pequeno apartamento por cerca de dois meses não longe de Josh. Você só precisa estar lá para pensar naturalmente sobre o filme a maior parte do tempo e simplesmente eliminar a tensão.
CD: Muitas vezes, você disse que levou vários meses para se preparar para um papel. Como é essa preparação?
RP: Apenas para entender como acreditar em si mesmo. Como quando você perde suas chaves: o momento em que as encontra, traz um sentimento familiar. “Ah, sim, é claro que as deixei lá!” No entanto, olhamos por toda a casa, buscamos em gavetas nunca usadas ou lugares absurdos. E quando as encontramos de volta, há um momento de reconhecimento. Tentar criar um personagem é a mesma coisa: procuramos algo em todos os lugares até encontrar o sentimento familiar. São muitos os experimentos. Nós nunca temos tempo para fazer isso em todas as cenas, então você tem que fazer isso antes para estar pronto. E sempre esquecemos o que foi preparado. A outra regra é estar interessado no que fazemos, para não nos entediarmos. Senão é inútil.
CDC: Tudo isso é bem internalizado. Você nunca assiste as cenas que você filmou durante o dia, por exemplo?
RP: Às vezes, não sistematicamente. Sabe, eu sou terrível e realmente muito irritante no trabalho. Toda cena é a pior coisa que já fiz na minha vida inteira para mim. Eu simplesmente me rejeito. Eu lembro durante ‘The Rover’, David Michôd me disse ‘você diz tantas vezes que você é ruim. que eu começarei a acreditar em você’ (risos) Sim, esse é meu processo de trabalho.
CDC: Mas o que lhe dá o sentimento de encontrar um personagem e poder interpretá-lo?
RP: Poderia ser um figurino. Eu sou alguém muito tímido, mas às vezes basta dizer instintivamente algo de uma maneira boa para descobrir que você não está tão envergonhado. E que isso poderia dar certo. Começamos a filmagem de “Good Time” com a primeira cena na qual eu estou. Fiquei incrivelmente nervoso. Completamente o oposto de Benny que poderia ligar o personagem a qualquer momento e fazê-lo durante todo o dia! Então eu estava neste estado extremo, houve apagões o tempo todo atrasando a filmagem para esta cena. Eu estava fervendo, cheio de adrenalina (ele imita seu estado, músculos apertados e hiperventilando) e eu disse a mim mesmo, é isso mesmo! Eu vou fazer isso durante todo o filme! Sem pensamentos, apenas uau! Mesmo para a cena em que eu estou beijando Taliah (Webster que interpreta uma adolescente que Connie seduz na casa dela) onde eu deveria estar relaxado, simplesmente sentado em um sofá, eu me colocava nesse estado. Eu a assustei!
CDC: Como será o seu personagem em ‘High Life’ de Claire Denis?
RP: Acontecerá no futuro, o personagem é um astronauta. Ele é um criminoso que se ofereceu para uma missão em direção a um buraco negro, mas ele percebe, quando ele está a caminho, que um médico quer fazer experimentos sexuais com seres humanos no espaço … (risos) É um filme realmente estranho. Eu não pensei nele por um longo tempo, mas Claire falou comigo sobre isso aqui em Cannes e ela me mostrou tentativas de imagens espaciais que eram completamente loucas. Eu amo Claire, não posso acreditar que eu vou trabalhar com ela, e em um projeto de ficção científica. Será lindo.
Fonte | Tradução: Alexandra Barranco

Robert esteve no mês de maio na França para participar do Festival de Cannes onde seu filme, Good Time, dirigido pelos irmãos Safdie estava na competição. Junto com a participação, Robert concedeu muitas entrevistas e uma delas você conferi à seguir, para a El País onde o ator falou sobre a época como ídolo teen e muito mais:

Triunfo do ator britânico em Cannes com “Good Time” um thriller de pequeno orçamento
Robert Pattinson (Londres, 1986), seu passado como um ídolo adolescente é como uma memória de uma outra vida. Como uma loucura distante da juventude, nesta tarde ensolarada de fim de festival, apenas parece lembrar. O ator relembra uma viagem ao Brasil, no clímax da saga Crepúsculo, que o catapultou para a glória violenta com sua então parceira, Kristen Stewart. Ele não viu nada mais do que o hotel. “Foi selvagem. Eu só lembro das pessoas gritando”, explicou. O ator toma chá verde na marquise de um hotel na Croisette. Em outro momento, os fãs estariam pendurados nas janelas. Neste, há apenas silêncio. Pattinson é apresentado como um cara acessível e tenazmente normal, sem comitiva à vista e vestido com certo desalinho (mesmo que tudo seja Dior).
O ator voltou a Cannes para apresentar Good Time, um thriller aclamado de baixo custo, cheio de luzes de neon e cores psicotrópicas, narrando a corrida de um pequeno criminoso para salvar seu irmão que tem retardo mental, que foi preso depois um golpe que deu errado. Dirigido pelos irmãos Safdie, surgidos a partir do circuito ultra independente e apoiadores de um cinema de guerrilha, o que levou a Pattinson a filmar em prisões e hospitais públicos em bairros humildes de Nova York, onde ele diz que ninguém o reconheceu. O ator pode deixar a Costa Azul com o prêmio, a julgar pelos elogios que geraram a interpretação. “Eu não sei. Meu desejo foi realizado. Eu só queria vir para Cannes”, habilmente se esquiva. Mas um sorriso trai.
Há cinco anos, o ator renasceu neste festival. David Cronenberg o tinha escolhido para interpretar o protagonista de Cosmópolis, que terminou com seus anos de estrela juvenil. Desde então, ele tem trabalhado com cineastas como James Gray, Werner Herzog e Anton Corbijn. A histeria em massa que sua presença costumava despertar se transformou em respeito e boas críticas. Se ele tinha algo a provar, ele conseguiu amplamente. “É tudo parte da mesma progressão.Você faz sempre o melhor que pode. Espero seguir tendo sempre algo a provar, mesmo que seja apenas à mim mesmo”, diz ele.
Ele diz que sua relação com a fama mudou. “Agora celebridades são as de Instagram”, ele sorri. “Além disso, a cultura do sensacionalismo mudou. As pessoas que compram essas revistas não se interessam por atores. Eles só se preocupam com as Kardashian”. Ele diz agradecido. E, no entanto, você reconhece que você guardou algo de positivo daquela experiência. Para interpretar o sentimento de desconfiança de seu personagem ele se inspirou no que lhe foi infligido pelos paparazzi. “Grande parte dessa mentalidade está em Good Time. A sensação de ser perseguido e querer escapar, e você inventa truques para conseguir.”
Foi o próprio Pattinson que contatou o Safdie, que admitem que ficaram atordoados. “Eu sou muito pró ativo. Não espero sentado que os projetos caiam do céu. Você geralmente acredita que é responsabilidade de seus agentes, mas não é. Ninguém vai saber melhor o seu gosto do que você mesmo”. No futuro, continuará envolvido com autores reconhecidos. Por exemplo, antes do final do ano vai gravar novos projetos de dois diretores franceses, Olivier Assayas e Claire Denis. E também o novo filme de Ciro Guerra, o colombiano que chegou às portas do Oscar com “O Abraço da Serpente”. “Eu amei esse filme e eu queria estar no próximo, vamos gravar no Chile”, revela Pattinson, antes de perceber que ele está falando mais do que devia. “Eu não deveria dizer, porque ainda não foi anunciado, mas espero que eu não me tire do papel.”
Fonte | Tradução: Equipe Pattinson Daily

Robert esteve em Cannes para a divulgação de Good Time, o ator fez um ensaio para o The New York Times e concedeu uma entrevista, confira à seguir:


x PHOTOSHOOTS > 2017 > THE NEW YORK TIMES

Na quarta-feira, eu tomei um café expresso com Robert Pattinson em uma cobertura com vista para o Mediterrâneo.
Esse é o tipo de frase absurda que um crítico, por vezes, encontra-se escrevendo no Festival de Cinema de Cannes, onde o novo filme do Sr. Pattinson, Good Time, está em competição. Na manhã seguinte, o filme abalou fortemente um apático evento que foi recheado com quase acidentes e lançamentos que tendem a pregar ou punir os espectadores, muitas vezes ambos. “Good Time”, pelo contrário, é um prazer cinematográfico puro, muitas vezes engraçado, às vezes uma corrida chocante dentro do abismo, que levou o Sr. Pattinson a ter muito amor aqui, senão prêmios críticos.
Pattinson interpreta Constantine Nikas, a.k.a. Connie, um malvado inepto que, durante uma terrível aventura em New York, deixa ruína e corpos caídos em seu rastro. Dirigido pelos irmãos Josh e Benny Safdie, Good Time é excitante, energético e concentrado Não vende uma mensagem ou redenção, mas em vez disso, prende em um esquecimento narcisista que empurra a história em uma espiral cada vez mais descendente, cada vez mais profunda. Com erros se transformando em catástrofes, Connie cresce cada vez mais feroz, tornando-se um personagem que é uma tentativa bilicamente engraçada para o triunfalismo americano que permeia filmes de super-heróis e independentes e insiste que o sucesso não é apenas inevitável, mas também um direito de nascença.
Good Time é parte de uma fascinante correção de curso realizada pelo Sr. Pattinson, que nos últimos anos tem aparecido e desaparecido no cinema de arte com títulos como “The Childhood of a Leader” e “The Lost City of Z”. Embora ele tenha alçado a fama em um blockbuster, interpretando um personagem condenado da franquia Harry Potter, ele se tornou um nome global no papel de Edward Cullen, o galã vampiro pálido da série Crepúsculo. Essa fama tornou-se frenética quando o Pattinson e sua co-estrela Kristen Stewart começaram um relacionamento amoroso que rapidamente se transformou em alimento para o moedor de publicidade e foi quase inevitavelmente envolvido na marca e na saga Crepúsculo.

Durante os anos de Crepúsculo, Pattinson nem sempre foi bem tratado pelos críticos, que não viam necessariamente além de sua beleza ou como um dos objetos cinematográficos de desejo dessa série. Ao contrário de Stewart, ele não tinha um corpo de trabalho anterior que indicava que ele poderia fazer mais que brincar com tanta pretensão, mesmo que sua participação em pequenos filmes como Remember Me (2010) tenha sido promissor. Foi, no entanto, Cosmopolis (2012), fantasia distópica de David Cronenberg, baseado no romance de Don DeLillo, que efetivamente estabeleceu o caminho da carreira do Sr. Pattinson. “Eu acho que foi a primeira vez que trabalhei em algo que era bastante complexo”, disse ele.Cosmópolis foi, ele acrescenta: “Essencialmente, o primeiro filme que eu fiz depois que eu terminei o último capítulo da série Crepúsculo. Eu particularmente adoro o fato de que ele saiu realmente no auge da minha popularidade“, ele disse. Escalado como um mestre do universo que sofre uma espetacular e cada vez mais violenta, queda humilhante, o Sr. Pattinson vê o filme como “o grande ponto de virada para mim – eu só percebi que era o que eu queria fazer.”

Cronenberg fez um filme sem um molde, e sua estrela ficou ansiosa para seguir o exemplo. “Eu acho que é tão raro que algo quebre um padrão”, Sr. Pattinson continuou. “Eu acho que quase tudo no mundo é projetado para ser previsível.”

O estrelato no cinema depende do carisma e da qualidade alquímica chamada presença, bem como uma certa quantidade de previsibilidade e padrões, gêneros e tipos. Mas a longevidade significa ocasionalmente quebrar padrões. Pattinson está claramente decidido a evitar a evidência, e pode ser por isso que, de forma instrutiva, ele gravitou em papéis que exigem que seus personagens sofram abusos físicos punitivos – eles foram espancados, estrangulados, levaram tiros e passaram por um exame de proctologista – como se ele estivesse tentando eliminar o último traço de Edward. Isto às vezes parece ir além das pretensiosas transformações egoístas que as estrelas gostam de assumir, em uma transfiguração mais profunda.

É comum que as estrelas obscureçam a aparência, aparecer com um nariz falso e peruca espantosa, é claro; é menos comum que os atores adotem o irrepreensível e arrisquem o amor do público.. “Qualquer um pode parecer feio”, disse Pattinson. “Não é preciso muito.”

Em Good Time, a feiura em que ele toca vai além dos cabelos oleosos de Connie e torrentes de suor que caem pesadamente, e parece escorrer de seus próprios poros. Pattinson, que transmite um calor e uma abertura em pessoa, admite que poderia ser um problema quando o público confunde ator e personagem. Mas isso não aconteceu com ele, é por isso que ele é, ele disse, “muito blasé sobre isso.” Apesar de qualquer coisa, ele parecia feliz em todas as partes revoltantes. Ele está crescendo.

Olhando para o futuro, ele adoraria trabalhar com o diretor alemão Maren Ade, cujo filme Toni Erdmann foi apresentado em Cannes no ano passado. Durante o festival deste ano, foi anunciado que Pattinson iria estrelar The Souvenir, um filme ambicioso da diretora britânica Joanna Hogg que Martin Scorsese será o produtor executivo. Pattinson também espera que neste verão ele possa começar a filmar um projeto (High Life) que ele e a diretora francesa Claire Denis estão trabalhando há três anos. (“Isso, para mim, é a maior coisa que tenho. Eu literalmente ainda não posso acreditar nisso.”)

“Se você fez cinco filmes em uma série, você teve que aceitar alguma responsabilidade por ter o mesmo personagem”. Ele não parecia arrependido, apenas prático. Trabalhar nos filmes Crepúsculo, ele disse: “foi um luxo incrível e foi uma sorte incrível, também, ter caído nisso com o grupo de pessoas com quem trabalhei. Eram crianças juntas, crianças que se rebelaram ou tentaram, e se sentiram encorajadas a atuar..“ Robert disse que chegou perto de ser despedido no primeiro filme, até que seus agentes entraram  para resolver. “Eu não tenho que beijar o traseiro de ninguém o tempo todo”, disse ele. “Eu acho que não, de qualquer maneira.”

Sr. Pattinson parece inteiramente em paz com Crepúsculo e claramente encontrou uma maneira de aproveitar seu legado, que inclui se aprofundar mais e fazer os tipos de filmes de arte que são amados em Cannes. Ele sempre diz que pensa que ele é terrível em cada tomada. “Não posso dizer isso sobre ninguém com quem eu trabalho”, acrescenta. “Eu nunca vi ninguém se dar um momento difícil. Eu estou batendo até mim depois. E eu acho que há alguma energia pervertida estranha que surge quando as pessoas criticam o trabalho anterior ou pensam que você representa essa coisa certa; isso lhe dá essa energia”.

Talvez isso pareça falso, mas eu acreditei nele. Ele estava enrolado, no entanto, e logo acrescentou que ele estava “quase com medo de que qualquer pessoa dissesse que qualquer coisa que eu faço é bom.” Ele então riu, talvez um toque autoconsciente.

Fonte | Tradução: Equipe Pattinson Daily

O mês de Maio é o mês das competições dos filmes em grandes festivais, e um deles é Cannes, um dos festivais mais cobiçados por diretores e atores. Com a produção de Good Time sendo finalizada, os diretores Safdie concederam uma entrevista para  Les Cahiers du Cinéma na revista especial do Festival de Cannes e mencionaram um presente que Robert lhe daria caso o filme fosse para a competição, confira à seguir:

[…]

Q: Estamos a um mês do festival, o filme está completo?
Josh: Quase. Oneohtrix Point Never fizeram a música, e para o para o final eles queriam uma música que interagisse com o filme. Pedimos ao Iggy Pop, e ele canta uma música incrível ao estilo de Johnny Cash. Sabe como é que eu soube que estávamos em competição? Há seis meses atrás eu estava em Los Angeles, na casa do Robert Pattinson. Ele tem sanitário japonês que sopra ar quente. Eu nunca tinha experimentado tal coisa… Eu amei tanto que Robert me disse: ‘Se nós entrarmos em competição, vou te comprar um igual’. E fomos convidados fora da competição. Seis horas antes da conferência de imprensa, tivemos uma reunião para descobrir se estávamos realmente fora de competição, porque ao mesmo tempo fomos convidados para o Quinzaine, e Rob estava tentando entrar em contato comigo uma e outra vez, mas eu estava nesta reunião, e de repente ele me enviou uma mensagem de texto com uma foto do sanitário! Thierry Frémaux acabara de anunciar que estávamos em competição. Eu estava extremamente surpreendido! Foi extraordinário.
Q: O filme foi difícil de financiar, mesmo com uma estrela como Robert Pattinson?
Josh: Sim, foi muito duro. É um filme de gênero, mas não queríamos atores típicos desses filmes, queríamos pessoas em particular, queríamos que eles estivessem relacionados à vida real. Este é o filme em que passamos mais tempo. Dez meses para edição. Tivemos que re-gravar algumas cenas, adicionamos uma seção inteira com Jennifer Jason Leigh. Era o nosso maior orçamento, mas não tínhamos dinheiro suficiente.
Benny: E a filmagem foi difícil! No começo era uma filmagem de 26 dias, no fim nós filmamos por 33 ou 34 dias. Passamos longos dias no frio, é um filme noturno desde que o principal é um criminoso fugitivo. Depois, pegamos os melhores momentos, mas eles estão enterrados sob tanto esforço, trabalho e dificuldades! Além disso, meu filho nasceu duas semanas antes do início das filmagens, filmávamos 16 horas por dia, e quando eu ia para casa trocava fraldas… Eu mal dormia. Foi um período muito intenso e acho que você pode senti-lo na tela.
[…]
Q: Este é o primeiro filme em que trabalham com uma estrela.
Josh: Pattinson é inglês, e os atores à sua volta vêm do mundo do filme. Ele passou cinco meses trabalhando no seu personagem. Ele não tem a experiência desta vida, escrevi-lhe uma biografia desde o dia em que ele [o personagem] nasceu até os primeiros minutos do filme. Nós queríamos filmar nas ruas, mas em qualquer lugar que fossemos, as pessoas queriam tirar uma foto dele. Então, desenvolvemos a aparência do seu personagem e assim ninguém o reconheceria. Mas ele é tão profissional! Ele nunca se queixa. Foi ele que nos contactou. Ele viu uma fotografia de “Mad Love in New York” na Internet, ele pediu para ver o filme, ele viu e nos disse: ‘Qualquer coisa que vocês queiram que eu faça, eu vou fazer’. ‘
Q: É a história de dois irmãos. O filme é sobre fraternidade? Você foi uma inspiração para Robert Pattinson?
Josh: Ele às vezes me perguntava como eu é que eu faria uma ou outra cena. O personagem quer, desesperadamente, se conectar com o seu irmão que está impossibilitado de se conectar, e ele quer fazê-lo como se estivessem conectados. Então é muito diferente da minha relação com o meu irmão: Temos uma conexão muito forte!
Benny: Tornou-se um filme sobre fraternidade, percebemos isso quando estávamos editando. Veio naturalmente porque somos irmãos, e o Ronnie [Rob] é como um terceiro irmão. É a história de um homem que tenta salvar o seu irmão, e que está disposto a fazer tudo, incluindo negar os seus princípios. É uma história universal, e nós tentamos trabalhar nisso com emoção e coração. Se o público conseguir sentir o poder desta ligação entre os dois irmãos, a aposta será ganha.
[…]
Fonte | Tradução: Equipe Pattinson Daily

Durante sua passagem por Cannes para a divulgação do filme Good Time, protagonizado por Robert e dirigido pelos irmãos Safdie, o ator concedeu várias entrevistas e uma delas foi para a Le Parisien que você pode conferir abaixo Robert falando sobre Good Time, sua experiência em Cannes, próximos projetos e muito mais, confira abaixo:

 

Cannes 2017. Robert Pattinson: “Eu finalmente pareço um adulto.”

Ele está irreconhecível em “Good Time” um filme em competição oficial. Nesse drama eletrizante dirigido pelos irmãos Safdie, Robert Pattinson interpreta um assaltante em Nova York. Conheça o menino lindo revelado por “Crepúsculo”, agora com 31 anos.

Seu personagem em “Good Time” não seria o seu melhor?
Robert: O que é certo é que foi uma das minhas melhores experiências. Foi uma aventura louca. No inicio, não havia nem um roteiro e aí nós acabamos na competição de Cannes…

Esse é o seu quarto festival. Você se sente em casa?
Robert: Eu amo vir aqui. Para mim, é o auge de apresentar um filme.

Você entrou em contato com os irmão Safdie depois de ver uma foto do filme dele “Sexo, Amor e Nova York”…
Robert: Sim. Eu achei a imagem tão linda e tocante que eu disse, “Eu quero gravar com essas pessoas.” e aí eu conheci eles. Eles são tão inteligentes e gente boa. Eu falei para eles que eu estava pronto para fazer qualquer coisa que eles quisessem.

Aí foi onde os Safdie escreveram esse papel pra você. O que você tem em comum com o seu personagem?
Robert: A ansiedade dele [Risos]. E como Connie, antes, em Nova York, eu passava a maioria do tempo na rua tentando me esconder. Instintivamente, eu continuava olhando para os lados para evitar os paparazzi.

Esse não é mais o caso?
Robert: Em Londres, onde eu vivo na maioria do tempo, as pessoas preferem ver os heróis dos reality shows ou os jogadores de futebol. Em Los Angeles, onde eu fico com frequência, paparazzi fazem menos dinheiro por que as revistas publicam fotos do Instagram, então está melhor.

Você mudou o seu visual completamente para esse personagem…
Robert: Sim. Geralmente, eu pareço um jovem de 22 anos. Nesse filme, ele me deram marcas falsas de acne, eu tenho um cabelo mais escuro… Eu finalmente pareço um adulto. 

Como foram as filmagens?
Robert: Foram extremamente ruim para a minha saúde! Eu dormi muito pouco. O trabalho a noite foi quase sempre 16 ou 17 horas por dia seguidos. Nós estávamos em uma bolha. Foi muito intenso e estressante.

Desde de o fim de “Crepúsculo”, você escolheu filmes independentes com pequeno orçamento. Por que?

Robert: Quando eu escolho um filme, eu não me pergunto se vai ser um sucesso ou não. Se é um filme de baixo orçamento, eu digo a mim mesmo: “Eu farei outro filme depois.” O que eu quero é surpreender. Entretanto, filmes comerciais são criados para não perturbar o público. Eu acho eles entediantes de assistir e fazer.
Você deve gravar com a diretora francesa Claire Denis em breve…
Robert: Sim, nesse verão normalmente. Eu assisti esse filme dela “White Material” na televisão oito anos atrás e eu achei uma performance excepcional. Eu queria trabalhar com ela. Quando eu a conheci, ela tinha um personagem para um cara que tinha 50 anos… mas durante a reunião, eu senti ela mudando de ideia.
Kristen Stewart estava em Cannes para apresentar o seu curta. Você encontrou com ela?
Robert: Não.
Você ainda estão em contato?
Robert: Na verdade não [Risos].
Fonte | Tradução: Alexandra Barranco

Robert Pattinson está na capa da revista Crash deste mês e junto com um ensaio fotográfico exclusivo temos também uma entrevista cheia de novidades sobre os próximos projetos do ator. Confira à seguir:

Robert Pattinson, que se tornou uma estrela internacional com 22 anos, graças ao seu papel como vampiro na saga Crepúsculo, mudou sua imagem definitivamente em 2012 com sua magistral interpretação em Cosmópolis de Cronenberg. Desde então, ele tem procurado trabalhar em projetos independentes e filmes que são diferente. Em Cannes, ele interpreta um personagem marginalizado em ‘Good Time’ dos irmãos Safdie. Essa produção independente altamente antecipada está na seleção  oficial do Festival de Cannes. Depois de Cannes, haverá uma filmagem com Claire Denis o aguardando. Para Crash, ele aceitou brincar com o artista Torbjorn Rodland e ele não hesitou em mudar a sua imagem de novo…
Q: Como foi fotografar com Torbjorn Rodland? Ele é um verdadeiro artista. Normalmente ele mostra o seu trabalho em museus e galerias. Não é um clássico fotógrafo de moda.
Robert: Foi divertido. Foi um ensaio fotográfico interessante e muito diferente dos outros. Sim, foi um ensaio interessante. Eu realmente adoro o seu trabalho e ele me deu seu livro. Ele é realmente brilhante.
Q: Vamos falar sobre o seu próximo filme, Good Time. Como é que você conheceu os diretores, os irmãos Safdie?
Robert: Vi Heaven Knows What há muito tempo atrás. Havia algo mágico na energia de Arielle Holmes, a estrela do filme. Então entrei em contato com Josh e Benny e me encontrei com eles em LA. Adorei eles. Eles tem uma energia incrível e senti que alguma coisa boa podia ser feita. Durante aquele primeiro encontro, eu prometi a mim mesmo fazer qualquer coisa que eles me pudessem propor. Considerando o que eles têm feito até agora, acho que estava certo.
Q: Sentimos essa energia desde o início do filme. É realmente dramático, a trilha sonora é boa, é um filme original e muito diferente… E é também um filme totalmente independente.
Robert: Sinto o mesmo em relação ao filme: é muito original comparado a todos os filmes que são lançados hoje em dia. Ninguém faz filme como eles. Então estou realmente animado para ver como os espetadores vão reagir. As filmagens correram muito bem.
Q: E é uma produção pequena.
Robert: Sim, muito pequena. Mas colocamos muita energia nisso. Foram filmagens muito intensas: pelo menos, 16 horas de trabalho por dia. No final, ficamos com muito material e podíamos ter feito três ou quatro filmes!
Q:Você gostaria de trabalhar com eles outra vez?
Robert: Claro! Faria qualquer coisa com eles. Num estalar de dedos!
Q: Good Time é um filme muito comovente. Fala de dois irmãos, um deles tem problemas mentais e o irmão mais velho tenta ajudá-lo. Como você vê a relação deles?
Robert: Um dos irmãos, Nick, é mentalmente instável e Connie, meu personagem, é um bocado maluco também! Ele não é um cara razoável que toma decisões normais e racionais. Ele começa a se convencer que consegue fazer tudo o que quiser, desde que seja pelo irmão. Mas na verdade ele não para de tomar decisões desastrosas. Ele não está normalmente ligado ao mundo. Antes das filmagens, trabalhamos profundamente na história da relação entre Nick e Connie. A nossa ideia era que Connie e Nick na verdade não fossem muito próximos. Connie acabou de sair da prisão e está consciente do fato de ter que recriar o laço com o seu irmão, mas ele não o conhece bem.
Q: Então é um relacionamento incomum. Connie não tem família. Só tem o irmão.
Robert: Sim. E quando você olha para o personagem, é realmente o típico cara que é rejeitado pela sua família. Acho que todos conhecem alguém assim, alguém que está apenas testando os limites das pessoas à sua volta para o ver o que eles irão aceitar. A família rejeitou-o há muito tempo.
Q: É importante para você que um filme como este tenha sido selecionado para Cannes?
Robert: Oh, claro que sim. Especialmente quando sabe como o filme foi filmado, dia após dia. Começou como um projeto muito pequeno e correu muito bem. Adorei o filme quando assisti pela primeira vez. E Cannes é o meu local favorito para mostrar filmes. É realmente uma experiência diferente, mesmo quando comparado com outros festivais de cinema. Acho que os irmãos Safdie merecem realmente estar lá, especialmente em competição. Fiquei tão feliz quando soube que eles tinham sido selecionado para a seleção oficial.
Q: Você também apareceu em grandes projetos. É importante para você trabalhar em pequenos filmes independentes?
Robert: Sim, mesmo que não tenha feito nenhum blockbuster desde muito tempo. É muito difícil encontrar projetos pequenos interessantes. Alguém pode ter um roteiro muito bom, mas não tem tudo o que é preciso para fazer um bom filme. Os irmãos Safdie são artistas fascinantes. Todo mundo quer trabalhar com pessoas como eles. Fui extremamente sortudo.
Q: Você fez dois filmes com David Cronenberg. Como foi trabalhar com ele?
Robert: Filmei Cosmópolis com ele há cerca de cinco anos atrás. Foi uma experiência totalmente nova para mim. Eu nunca imaginei que seria capaz de fazer filmes como esse e de trabalhar com pessoas como o Cronenberg. E porque David confiou em mim, o meu destino tomou outro rumo e mudou completamente a minha vida. David é mesmo o melhor.
Q: Ele é o melhor diretor com quem você trabalhou?
Robert: Todos eles são muito bons, mas os filmes do David são diferentes. Eu assisti Videodrome outro dia. Ele fez filmes no início dos anos 80 que são totalmente diferentes, até mesmo hoje em dia. Mas todos os diretores com quem trabalhei são incríveis.
 Q: A ideia de Cosmópolis também foi muito original: fazer um filme que se passa inteiramente em uma limousine e que foca só em você.
Robert: A escrita era tão incrível. Mas eu gosto de pessoas com pensamentos originais. Good Time também é assim, considerando que não te dá qualquer indicação da maneira que você tem que reagir. Claramente não há só o bom e o mau. Eu tento trabalhar com pessoas que conseguem detectar as áreas não tão brancas e nem tão negras da vida. E no fim são mais inteligentes. Há muitas semelhanças na maneira dos Safdie de ver a existência de como o Cronenberg vê.
Q: Hoje em dia você quer trabalhar mais na Europa do que nos Estados Unidos?
Robert: Sim, este verão vou fazer um filme da Claire Denis na Alemanha. Acho que vou ficar por lá três meses ou algo assim. Não sei porque demorei tanto tempo para trabalhar na Europa. Simplesmente aconteceu.
Q: Atualmente está vivendo no Reino Unido ou em LA?
Robert: Na verdade, entre Londres e LA.
Q: Pode falar um pouco sobre High Life de Claire Denis? É em inglês ou francês?
Robert: Em inglês. Se passa em uma nave espacial. É sobre um grupo de criminosos condenados à prisão perpétua e que têm a oportunidade de realizar uma missão espacial. Mas também é sobre um relacionamento entre um pai e sua filha. Há também muitas questões psicológicas e sexuais neste filme. Todos os filmes de Claire são muito pesados e interessantes. Estou realmente ansioso pelas filmagens. Esperei três anos até que o filme pudesse ser feito.
Q: Vai ser a primeira vez que trabalha com um diretor francês?
Robert: Acho que sim. Eu ia trabalhar em um filme do Olivier Assayas, mas a produção foi cancelada um dia antes das filmagens. Duas vezes, na verdade. Então acho que a Claire vai ser a minha primeira diretora francesa.
Q: O que aconteceu com o filme do Assayas? Foi cancelado?
Robert: O filme estava no meio da pré-produção. Eu estava ensaiando durante dois meses. E depois, um dia antes do início das filmagens, o fundo do projeto foi recusado. Eu voltei alguns meses depois e aconteceu o mesmo. Este tipo de coisas acontece muito com filmes independentes. As pessoas procuram dinheiro em todos os lados que o possam fazer e certamente que nada é certo. Talvez um dia trabalhemos juntos novamente.
Q: É louco como alguns projetos são cancelados na última da hora. Você também está envolvido na produção de filmes?
Robert: Gostaria de poder me envolver em projetos específicos, claro. Eu confio completamente nos diretores em um curto espaço de tempo. Há alguns anos atrás eu nunca seria capaz de me envolver completamente nas ideias de outra pessoa. Eu percebi que se deixar o diretor ser o diretor e você ser apenas o ator, é estranhamente libertador. Acho que você aprende a fazer melhor as coisas. Mas estou sempre à procura de coisas que possa produzir. Apenas ainda não encontrei a coisa perfeita.
Q: Estar envolvido na produção pode ser interessante, mas é um tipo de trabalho diferente…
Robert: Em Good Time, gostei muito da mente aberta dos produtores comigo. É bom se sentir envolvido em todo o processo além de só a fazer o seu trabalho como ator e ninguém fala contigo até à premiere. Eu certamente vou tentar produzir, mas no futuro.
Q: é realmente novo para fazer tudo ao mesmo tempo…
Robert: Mas estou ficando velho! [Risos] Sempre penso que sou novo, mas já não sou tão novo assim.
Q: Você começou a fazer filmes muito cedo…
Robert: Ajuda quando está fazendo um filme como Good Time, onde está filmando à noite e durante muitas horas. Uma vida não seria suficiente para fazer filmes como esse. É muita responsabilidade para outras pessoas . Mas, novamente, dias atrás, assisti King Of New York. Você sente que o filme exala uma energia totalmente selvagem, mas hoje em dia Abel Ferrara começou a ser velho…
Q: Você vai de um filme para outro? Ou precisa de pausas entre cada filme?
Robert: Quero ir de um filme para outro, mas os filmes que gosto demoram muito tempo para serem feitos. Acabo andando de um lado para o outro na minha sala de estar, durante meses a fio e rezando para que as filmagens comecem. Terminei Good Time há muito tempo e já vai sair.
Q: Agora que é famoso consegue ter uma vida normal?
Robert: Há alguns anos atrás era mais intenso, mas agora tenho uma vida completamente normal. Não faço muitas coisas, exceto andar na rua com meu cão e ler livros, ocasionalmente. Não faço nada! Sou realmente caseiro. Desde que começo um modo de vida, eu posso fazer exatamente a mesma coisa durante semanas. Outras pessoas ficam malucas mas eu posso comer a mesma coisa, fazer a mesma coisa e ir para a cama à mesma hora durante um ano.
Q: Esta trabalhando em outros projetos?
Robert: Vou fazer um filme com o Antonio Campos. É uma espécie de drama gótico do Sul.
Q: Começa a filmar com Claire Denis logo depois de Cannes?
Robert: Sim, e vai demorar muito tempo. Acho que vou filmar até o outono.
Q: Então significa que não terá férias de verão…
Robert: Viver em LA é como se estivesse sempre de férias… Já tive muito! [Risos]
Q: Sortudo! Última pergunta: Lembra de quando decidiu ser ator? Foi um decisão clara  em um momento específico?
Robert: Fiz a minha primeira audição quando tinha 16 ou algo assim, então parte de mim queria ser ator. Gradualmente, comecei a levar isso mais a sério. Entre cada filmagem, eu pensava que ia provavelmente ser a última, então eu queria fazer o melhor. Não acho que tenha havido um dia em que pensei ‘É isto que quero fazer’. Mas agora não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Hoje, posso dizer que o tenho feito por metade da minha vida. É um pouco louco!
Q: Sabe quantos filmes você já fez?
Robert: 23 ou algo assim? De fato, não tenho ideia.
Q: Não são muitos. Você tem que fazer um pouco mais…
Robert: Sim, tenho que aumentar o número!

Durante o lançamento de Z – A Cidade Perdida, Robert concedeu uma entrevista ao jornal português Destak, onde falou sobre o filme, fazer terapia e outros assuntos, confira à seguir a entrevista e o scan:

“Adoraria começar a fazer terapia.”

Estreia hoje o épico “The Lost City of Z”, protagonizado pelo inglês Robert Pattinson. A propósito do seu novo filme, falamos com o talentoso ator sobre ansiedades, Los Angeles e sobre o que o leva a escolher um papel. Era certo e sabido que o tom etéreo de Robert Pattinson, nascido a 13 de maio de 1986, iria levar destino divino ou, pelo menos, ter direito a aparição flutuante em qualquer panorama de cinema ou tela plasma doméstica.

Assim visto do exterior, como quem olha pela vitrine de um antiquário de Mayfair, o rapaz é de porcelana branca. Conforme a luz, parece ter semblante sombrio e não a face rosada de flor inglesa na qual reside a sua natureza. A distância entre os olhos, felino-sedutores, são padrão no universo nipônico de anime dada a pulcritude intergaláctica revelada no equilíbrio e serenidade de feições.Que tem feito ele com a sua carreira? Não se imagina, felizmente.

Depois de andar metido com o obscuro órfão de Hogwarts (Harry Potter), graduou-se em estrela de cinema (que foge dos fotógrafos e da multidão de fãs) logo que interpretou uma criatura intocável na série Twilight. E, quando uma pessoa ia pensar que Rob já estava com a mão na mala dos ‘royalties’ e mais que pronto para o sossego, ele transita, tal qual um bailarino experiente, para um terreno escorregadio do cinema adulto. Mais arriscado ainda: cinema adulto feito pelos mestres da 7ª arte ou inconformados. Sim, Rob colaborou diversa vezes com David Cronenberg. Sim, também é verdade que, nos últimos dois anos, o ator trabalhou com Julianne Moore, Nicole Kidman e outras almas aventureiras sem tempo a perder com ninharias. O artista desbrava agora, em A Cidade Perdida de Z, os terrenos da Amazônia e de mais uma mente fervilhante.

Q: Depois da série Twilight, Robert tem andado fazendo filmes nas mais diversas partes do mundo. Onde é que acabou por fixar residência? Ou ainda se considera, sobretudo, um menino de Londres?
Robert: Ainda passo cerca de dois meses por ano na Inglaterra. E, claro, de vez em quando vou lá passar o Natal. Mas acabo por ficar muito deprimido, então regresso a Los Angeles. É este o meu local de residência, por agora.

Q: Confesse: por causa das influências estéticas de Harry Potter, escolheu viver numa mansão acastelada. Cascatas de hera e uma ou outra trança de Rapunzel?
Robert: Não. Mas a ideia tem graça. A casa que comprei aqui em Los Angeles fica num bairro muito arborizado e com colinas, chamado Los Feliz. No entanto, já a vendi. Vivi naquela casa uns cinco anos.

Q: Por favor, não me diga que, agora, é um daqueles artistas sem eira nem beira que levam uma vida nômade, e nos lembra os sem-abrigo…
Robert: Não, ainda não cheguei a essa fase. O que faço agora é viver numa casa durante seis meses e, depois, me mudo para outra que também tenha sido emprestada por um dos meus amigos. A decisão de vender a minha primeira casa teve mais a ver com o fato de não me sentir suficientemente velho para andar super estressado e nervoso com questões de canalização e catástrofes domésticas afins.

Q: Presumo que, nestes seus anos nascentes de fama e celebridade global, toda a experiência tenha vindo atrelada a uma certa ansiedade debilitante. Como lida com as novas pressões emotivas?
Robert: Adoraria começar a fazer terapia, mas a coisa me deixa ainda mais ansioso.

Q: Porque diz isso?
Robert: Alguns dias atrás estava falando sobre isso com alguns dos meus melhores amigos. Suponho que sim, que sinto uma certa afinidade por todos os meus picos e vales temperamentais. Vejamos, por exemplo, os testes de imagem que fiz para este filme, A Cidade Perdida de Z, antes de assinar o contrato. No início da minha carreira, esse tipo de teste me provocava um ataque de ansiedade de tal modo debilitante que, finda a experiência, eu só ouvia na minha cabeça uma coisa: ‘É desta. Vais ter mesmo que abandonar os planos de ser ator’. Eram crises de depressão agoniantes. Uma dor física que me derrotava sem falhar. Hoje é diferente. À medida que vou entrando nos escritórios deles, passo de compartimento a compartimento sem ter que fazer qualquer tipo de teste ou representação, e acho que é nesse percurso que vou habituando às minhas neuroses recorrentes. Depois acabo por me sentir bem e as coisas correm normalmente.

Q: Você mencionou sentimentos depressivos. Como lida com eles?
Robert: Não consigo escapar. Sou obrigado a rebolar-me neles. Não, agora é sério: não sei como é a sequência. Felizmente, esses episódios depressivos nunca duram muito tempo. Prova de que há certas vantagens em ser maníaco.

Q: As histórias que tem escolhido contar são, igualmente, opostas entre si, radicais nos campos diferentes que ocupam. Ou faz peças íntimas e de autor, com realizadores que não entram em compromissos, ou faz épicos para multidões em busca dos grandes panoramas do chamado cinema clássico. Enquanto ator, que regra usa na fase da escolha? 
Robert: Em 50% dos casos recorro a uma lista de realizadores com quem gostaria de trabalhar. Aliás, coloco aí uma dose imensa da minha energia mental, pensar nessa lista. A curiosidade nisto está em que, se escolho um filme porque quero trabalhar com um diretor que admiro, prefiro fazer papéis pequenos. Sinto-me mais à vontade. Agora, se o filme que tem de ser feito é algo em que fui contratado para cabeça de cartaz, então prefiro optar por algo que vá depois desaguar no resto da minha vida normal. Por exemplo: vou e faço algo que, para mim, seria totalmente impossível de concretizar, de fazer. Opto por uma história que faça de mim uma pessoa melhor e maior para o resto da vida.

Q:Se tivesse só mais um dia para viver, que faria?
Robert: Assim de repente, não faço ideia. Sei lá. Suponho que minha obrigação seria dizer ‘Ah, vou passar o dia com as pessoas que adoro’. Mas, na verdade, seria mais provável eu cometer uma loucura.

Q: Por favor, me dê um exemplo de loucura…
Robert: Deus do céu! Não sei. Talvez algo simples como andar de um lado para o outro na Times Square, em Nova Iorque… pelado.

Para promover seu mais novo filme Z: A Cidade Perdida, Robert Pattinson esteve ao lado dos seus colegas de elenco Sienna Miller, Tom Holland e Charlie Hunnam concedendo várias entrevistas durante a divulgação do filme. E a entrevista transcrita abaixo pela nossa equipe é da Collider onde Robert falou sobre projetos futuros, momentos épicos de gravações e mais, confira:
Robert Pattinson em ‘Z: A Cidade Perdida’, projetos futuros, filmes de super-heróis e mais
Com ‘Z: A Cidade Perdida’ em cartaz nos cinemas ao redor do país, eu recentemente estive com Robert Pattinson para uma exclusiva e profunda, entrevista. Durante a ampla conversa, ele falou sobre como se envolveu no projeto,o porque ele queria trabalhar com James Gray, quem decidiu que seu personagem deveria ter uma barba épica, as gravações do filme, momentos memoráveis de filmagens que incluíam uma caminhada épica de 2h e meia às 3 da madrugada através de uma floresta negra, porque ele mal pode esperar para as pessoas verem o novo filme dos irmãos  Safdie,’Good Time’, sua experiência assistindo The Handmaiden em NYC, quando ele estará filmando, o filme de Claire Denis, ‘High Life, se ele gostaria de estar envolvido em um filme de super-herói, e muito mais.
Se você não está familiarizado com ‘Z: A Cidade Perdida’, o filme é baseado no livro mais vendido de David Grann, ‘Z- A Cidade Perdida’, e conta a história verídica incrível do explorador britânico, Percy Fawcett (Charlie Hunnam), Que viaja para a Amazônia no alvorecer do século XX e descobre evidências de uma civilização avançada, anteriormente desconhecida, que pode ter habitado uma vez a região. Apesar de ser ridicularizado pela comunidade científica que considera a populações Indígenas como “selvagens”, o determinado Fawcett – apoiado por sua dedicada esposa (Sienna Miller), filho (Tom Holland) e ajudante de campo (Robert Pattinson) – retorna uma e outra vez à sua amada selva em uma tentativa de provar seu caso, ocasionando seu desaparecimento misterioso em 1925.
Carregado com performances excepcionais, cinematografia de tirar o fôlego, e um script fantástico, eu simplesmente amei o filme e recomendo que vocês chequem. É definitivamente um dos meus filmes favoritos de 2017.
Aqui está o que Robert Pattinson tinha a dizer:
Q: Você não vai lembrar, mas eu te entrevistei em Nova York para Lembranças, em 2010. Então, você se deu bem.
Robert: Deus. Já faz muito tempo, foi em 2010.
Q: Sim, Já faz muito tempo.
Robert:Não parece que faz tanto tempo.
Q: O tempo passa muito rápido. Há algo que eu quero falar com você sobre: Eu sou um verdadeiro fã da sua atuação. Uma das coisas que eu estou impressionado é sobre os filmes que você tem feito. Você tem escolhidos papéis legais com diretores legais e você tem ido atrás de roteiros. Por exemplo, eu realmente gostei do seu trabalho em The Rover – A Caçada. E eu acho que muitos atores tem que trabalhar para, você sabe, eles tem que pagar a hipoteca. E eu acho que um dos benefícios que você tem é que você ganhou aquela liberdade financeira depois de uma certa franquia para ser capaz de escolher os projetos que você quer fazer. Você pode falar sobre o que você tentou fazer nesses anos como ator e os papéis que tem te atraído? 
Robert: Sim, você está completamente certo. Eu tenho sido incrivelmente sortudo em poder fazer isso. Mas eu também acho que se você ganha um tipo de sucesso cedo, sempre há uma parte de você que parece, “Eu preciso dar atenção ao desequilíbrio, eu preciso merecer esse sucesso depois dele ter acontecido” [Risos]. Então eu tento achar papéis que são difíceis e também, eu ainda acho, mesmo depois de eu ter feito um monte de filmes, que os diretores ficam realmente surpresos que eu quero interpretar os papéis que eu quero interpretar. Eles sempre acham que você quer apenas fazer o honrado mocinho que salva o dia ou que morre no final [Risos]. Eu acho que nenhuma audiência iria querer me ver fazer isso, ou eu sempre penso que você tem que ter uma certa noção do que uma audiência gostaria de ver de você como uma pessoa pública e como um personagem também. Então sim, eu geralmente tento achar maneiras de meus personagens serem severamente punidos [risos]. 
Q: Outra coisa também, é que um monte de gente com quem eu converso falam sobre serem classificados em um certo tipo de estilo e o único jeito que você pode quebrar isso é mostrando as pessoas que você não quer apenas fazer um mesmo papel de novo e de novo e de novo.
Robert: Sim, é incrível, se você quer ter um papel diferente, a maioria das vezes os produtores ou diretores querem te ver interpretando um papel similar novamente, enquanto que a única coisa que eu realmente quero fazer é pular selvagemente de um lado para o outro [risos]. Mas eu acho que está começando a definir em que tipo de área eu quero estar. Eu sabia que ia levar um longo tempo, mas como esse ano, trabalhar com a Claire Denis e eu provavelmente vou trabalhar com – eu não sei se eu posso falar ainda [risos]
Q: Não fala. Eu não quero que você tenha problemas. Mas de qualquer maneira, fale.
Robert:Eu acho que eu vou fazer algo com Antonio Campos também. Você sabe que é Antonio Campos?
Q: Eu sei
Robert: O papel com ele é tipo – quero dizer, ele queria que eu interpretasse um papel diferente na verdade e eu falei “Não, esse é o papel.” Foi absolutamente degenerado [risos]. Mas eu fiz algo com os irmãos Safdie. Eu não sei se você conhece os irmãos Safdie.
Q: Eu não conheço.
Robert:Eles fizeram um filme chamado Amor, Sexo e Nova York sobre drogados.
Q:Eu não assisti esse, e não quero fingir que assisti.
Robert: É incrível. Eu tenho esse filme com eles que vai estrear esse ano, que eu realmente gosto, eu não sei o motivo de eles confiarem em mim para esse filme mas é muito especifico sobre o Queens e eu obviamente não sou familiarizado.
Q:Você não é de Nova York? Eu estou surpreso!
Robert:E todos os figurantes são.
Q: American Honey fez um ótimo trabalho sem atores tradicionais.
Robert: Sim e eu acho que vai ser o mesmo. Elaine ou Jen, quem foi responsável pelo elenco? Deus, minha memória é uma merda. Eu acho que foram as mesmas pessoas responsáveis pelo elenco de American Honey. Mas muitas pessoas de American Honey vieram do filme Amor, Sexo e Nova York dos irmãos Safdie.
Q: Ah, então.
Robert: Sim. Mas ela é maravilhosa para fazer street-casting, ela é incrível. E algumas pessoas que fazem parte do filme – esse filme chamado Good Time, é louco. Eu realmente mal posso esperar para ele estrear. 
 
Q: É isso que a Megan (publicista) estava falando.
Robert: Sério?
Q: Ela estava falando “Você precisa assistir esse filme,” e eu disse “Ok!”
Robert: É realmente divertido. Quero dizer, é tipo, é tão disconexo mas sabe, eu assisto tantos filme e eu acho muitos tão previsíveis, e também, sem risco algum.
Q: Por isso que você deveria assistir A Criada.
Robert: Eu achei esse filme absolutamente incrível. E também, eu não sabia muito bem sobre o que era o filme, e eu lembro de assistir-lo em um cinema em Nova York e tinham tantos homens velhos e estranhos em volta [risos] e eu estava assistindo tipo “O que? Esse filme é loucamente sexy! Eu não tinha idéia!”
Q: Mas como você mencionou, esse é o tipo de filme que você não vai mais fazer na América. Talvez, eu não sei se esse filme poderia ser feito na América. 
Robert: Tem um período que poderia acontecer, mas…
Q: Talvez no início dos anos 70?
Robert: Ou 80. Tem um monte…
Q: Ah, é verdade!
Robert: Sim, Sim. Eu só acho – eu quero dizer, eu amo ir ao cinema e ficar “Wow!” Você já assistiu O Abraço da Serpente?
Q: Não assistir, mas já ouvi falar.
Robert: Inacreditável. Mas é, eu não entendo. Mas esse filme que eu fiz com os irmãos Safdie, é tipo, bem subversivo, mas ao mesmo tempo é um gênero de filme real. Então eu acho que as pessoas irão assistir e ficar tipo quietas, parece ser estranhamente acessível para um filme bem estranho. Então eu espero que as pessoas gostem.
Q: Então, pulando para o assunto que eu vim falar com você, o filme Z – A Cidade Perdida.
Robert: Sim, desculpa.
Q: Não, tudo bem! É só que realmente gostei desse filme. Eu fui assistir sem saber muito. Eu fiquei cativado do início ao fim. Esse foi um papel no qual você correu atrás? O James Gray que te procurou? Como você se envolveu com o filme?
Robert: Eu encontrei com o James um bilhão de vezes através dos anos. Ele estava no Top 5 das pessoas com quem eu queria trabalhar. Eu amei Os Donos da Noite, Amantes e tudo que ele já fez. Até quando eu tinha acabado de começar a atuar ele era o cara com quem eu queria trabalhar. Eu fiquei comprometido com um monte de coisas diferentes com ele. Com isso, ele me deu o livro e eu li e fiquei “Esse livro é bem legal. Mas qual papel?” Por que a pessoa [Henry] não é muito mencionada e eu era muito novo quando ele me deu o livro, eu acho que de início ele estava pensando em eu interpretar o filho, e acabou que o filme continuou se desenvolvendo, mas ele nunca mencionou que papel era [risos]. Eu só queria trabalhar com ele e também com o Darius Khondji. 
Q: De quem foi a ideia da barba, da perda de peso, ou qualquer coisa que você fez para se preparar para o papel?
Robert: Sem monitoramento de peso [risos].
Q: Nós devíamos mencionar que você está comendo M&M’s de amendoim.
Robert: Se não houvesse um gravador de voz, eu ia enfiar todos na minha boca [risos]. Bem, a barba foi porque Costin tinha um grande bigode vitoriano na realidade e inicialmente eu tinha a intenção de ter um grande bigode, mas na real o Costin era uma cara corpulento e baixinho e ter um grande bigode é bem diferente quando você tem esse tipo de corpo, enquanto eu sou alto e magro, então acaba parecendo um pouco Noel Coward. Eu achei que o bigode não ia funcionar. E nós estávamos fazendo um teste de cinema e eu estava prestes as raspar a parte de baixo da barba quando James disse, “Não, não! Não faça isso!” o que é estranho pois eu acebei sendo o único soldado na Primeira Guerra Mundial com uma barba. [risos] Você não podia ter barba.
Q: Liberdade artística. Eu entendo.
Robert: É uma daquelas partes onde o filme é tão do Charlie e eu tinha um monte de idéias sobre coisas mas não importava muito até eu conseguir ver que história Charlie e James queriam contar. Eu tinha uma ideia específica do que a história era, e foi na verdade bem diferente do que a história que acabou sendo contada quando estávamos fazendo o filme, então eu estava apenas reagindo por instinto, e eu acho que de muitas maneiras meu personagem acabou indo junto pela aventura.
Q: Eu tenho que te contar, é uma história incrível, mas eu estou tão impressionado com a cinematografia. Eu sei que você gravaram em películas fotográficas. Você se lembra qual era o som da câmera? Por que ninguém filma em películas fotográficas e é tão raro.
Robert: Se quer saber eu filmo bastante em películas fotográficas. Basicamente todos os filmes que eu fiz foi em películas fotográficas
Q: Até Good Time e Damsel?
Robert: Damsel não mas…
Q: High Life?
Robert: Eu não tenho certeza se ela vai filmar em películas fotográficas mas Good Time foi. E Good Time foi filmado em 35 e nós também estávamos filmando completamente guerrilla também. Foi completamente louco. Mas eu também sei, se alguém diz que irá filmar em 35 eles são provavelmente melhores cineastas. Ou eles são pretensiosos ou melhores [risos]. 
Q: Eu acho que James estão no grupo de melhores cineastas.
Robert: É apenas impensável ele fazer um filme que não seja em películas fotográficas.
Q: Eu estou tão impressionado que vocês filmaram no meio da selva. Nós estamos falando de locação remota para levar as câmeras lá com películas fotográficas, isso é quase Apocalypse Now.
Robert: Eu gravei The Rover – A Caçada em películas fotográficas também, e uma tecnologia de uma câmera analógica é muito mais difícil que de uma câmera digital, especialmente no calor ou umidade ou qualquer coisa. Pra ser honesto, todo mundo acha que uma câmera digital é mais confiável e toda vez que eu trabalho em qualquer filme, tem tanto problemas, o cartão de memória não funciona ou blah blah blah, ele superaquece; é o mesmo volume de qualquer câmera. Eu acho que as pessoas são um pouco recolhidas sobre isso. A únicas coisa é fazer cenas bem, bem longas mas na maioria das vezes se você tá fazendo cenas muito longos é por que elas são bem ruins [risos].
Q: Eu tenho que dizer que eu tenho visto algumas tomadas bem longas em filmes e na TV recentemente que realmente me impressionaram, são bem feitas. 
Robert: Se você está usando uma câmera digital especificamente por essa razão que você tem na cabeça desde de o início, então sim, vai funcionar. Mas se você está apenas filmando um filme normal e está filmando cenas extras por que você pode, por que você tem espaço no cartão de memória, é um pouco sem sentido. Eu sempre achei que com películas fotográfica a experiência aumenta muito, saber que é mais difícil de trabalhar, que tem que haver especialistas – quero dizer, com uma câmera digital também, mas eu quero dizer que tem algo sobre o fato de que você pode acabar com as películas fotográficas então você tem fazer alguma coisa.
Q: Hugh Grant me contou uma história muito engraçada, que ele ainda fica bem nervoso quando as pessoas dizem “ação”, especialmente quando a câmera está filmando, poque agora é tipo, “Atue!” então ele pediu para as pessoas dizerem “Vai!” não ação poque isso mexe com a cabeça dele. Então eu quero te perguntar, você tem algum tipo de mania quando dizem “Ação”? Você tem algum tipo de neurose? Ou você é tipo, “é a minha vez”?
Robert: Eu fico meio no personagem antes. Eu sempre achei que há um tipo interessante de brincadeira com onde ou como você começa uma cena, quando a ação acontece. Eu na verdade fico bem irritado quando alguém não fala “ação”, pois eu acho confuso quando alguém tipo [sussurrando] “Okay…” e então é tipo, “Que merda é essa? O que é ‘okay’? Apenas diga ‘ação’, todo mundo diz ‘ação!’” tudo começa de repente e todo mundo está mancando na cena. No momento que você ouve “ação” então você está imediatamente na cena que você pode ditar o ritmo dela, pois todos estão ouvindo isso ao mesmo tempo, é como estar em uma corrida e você ouve o tiro de inicio, você pode usar isso para a performance. 
Q: Eu sempre amo perguntar sobre momentos memoráveis da filmagem. Eu Imagino que fazer Lost City, deve haver um dia ou dois que você vai lembrar pra sempre.
Robert: Sim, provavelmente a nossa última filmagem no último dia. Foi bem louco. Por algumas razão nós fomos para lá na época de chuva e as pessoa não entendiam que ia chover todos os dias. Tipo, “ Vamos lá pessoal, vai chover todos os dias! É a época de chuva! Vamos nos preparar para a chuva.” E todo o santo dia tinha aquela confusão quando começava a chover e de repente todo mundo ficava, “WHAA! Corre!” E nós sempre esperávamos até tarde e nós tínhamos que ir – nós estávamos em pequenos e estreitos barcos no meio de uma tempestade elétrica descendo o rio, era loucamente perigoso. Mas no último dia, estava chovendo nas montanhas por horas e horas e horas, e de repente  a inundação – tipo toda a chuva – começou a descer o rio e o rio apenas crescia e crescia e crescia tipo um pé de comprimento a cada dois minutos e nós estávamos nesse pequeno banco de areia e era noite e nós estávamos nessa reserva natural então você não podia ter luz decente, era apenas essas lanternas de pilhas, e você mal podia ver qualquer coisa e você está coberto de pulga de areias e coisas. E de repente, enquanto o rio aumentava haviam jacarés pretos boiando, passando pela gente e tentando ficar no banco de areia conosco, e todo mundo tentando carregar o equipamento que valia o filme pra a floresta pelo canto do rio. E Nós tivemos que andar uma hora e meia às 3 horas da manhã. No meio da floresta escura com 4 tochas com 100 pessoas para voltar para a cidade. Foi completamente louco. Foi muito divertido e uma experiência única
Q: Então foi muito bom que o filme acabou sendo ótimo. Por que você fez toda essa filmagem desafiadora para o filme acabar sendo uma merda…
Robert: De qualquer maneira, eu não ligaria. Eu me divertir muito fazendo o filme, seria igualmente divertido se o filme tivesse sido um desastre.
Q: Eu estou bem feliz com como o filme acabou ficando. Você mencionou que tem coisas em desenvolvimento. Eu estou muito excitado para High Life. Eu estou curioso com o que você tem pensado para o futuro, e é claro que eu vou te perguntar, o gênero super-herói é a coisa mais popular  no planeta e eu tenho certeza que as pessoas discutiram isso com você ou pelo menos o assunto apareceu em uma reunião. Essa é uma área onde você quer atuar? Ou você já teve a sua parte em franquias? 
Robert: Sim, claro. Eu sinto que… tem que parecer certo e tem que – é parcialmente a mesma coisa – eu sinto como você tem que conquistar alguma coisa com uma audiência. Se eu fizesse agora, eu acho que os produtores em qualquer filme de super-herói, eu acho que eles não iam confiar em mim para fazer do jeito que eu gostaria de fazer, pois eu gostaria de fazer uma coisa basicamente estranha. Eu acho que você tem que conquistar a liberdade para fazer algo assim. Então eu acho que se eu continuar rasgando, tentando fazer bons filmes e filmes interessantes e estranhos, então as pessoas eventualmente irão confiar em mim para fazer isso em grande escala.
Q: Eu ia dizer que eu consigo te ver fazendo um bom antagonista em um filme de super-herói, que talvez iria te permitir ir atrás do estranho e esquisito de um jeito que um protagonista não poderia.
Robert: Eu adoraria fazer um filme tipo de super-herói, estilo novela gráfica se fosse uma peça original. É uma experiência bem diferente quando já se tem uma audiência para isso. Eu estou sempre interessado em Guardiões das Galaxias. Eu amei Guardiões das Galaxias.
Q: E por que você não faria?
Robert: É ótimo ter esses personagens que ninguém conhece exatamente, como eles serão; é estranho quando as pessoas já tem uma expectativa de algo. É estranho de testar e agradar as pessoas ao mesmo tempo.
Q: E sobre High Life? Foi o roteiro? Foi a diretora? O que te animou nesse projeto?
 Robert: Eu não acredito que eu estou fazendo um filme com a Claire Denis. Eu não entendo como eu consegui. Eu sinto como, eu continuo pensando, “Eu sei que as finanças vão desmoronar,” e eu sei que é uma finança bem séria agora. Mas também acontece de ser um dos mais loucos tratamentos e todas as pessoas envolvidas também. Eu não sei se você conhece o artista Olafur Eliasson.
Q: Eu não sou tão familiar quanto você.
Robert: Se você vê o trabalho dele, o trabalho básico de design de naves, buraco negro e outras coisas. Eu já vi alguns testes e é inacreditável. E Trabalhar com a Claire é literalmente raro de achar um cineasta que nunca fez um filme ruim e eu realmente acho isso com a Claire e tudo que ela já fez. É fascinante. É uma daquelas pessoas que eu não achava ser reais, de ser capaz de fazer um filme com a Claire Denis. Eu achava que elas meio que existiam em outro lugar.
Q: Eu estou muito feliz por você, que você será capaz de fazer isso. Eu acho que a Mia Goth me disse que ela vai filma logo. Mas eu acho que ainda não está filmando.
Robert:  Não. Aparentemente nós vamos começar em agosto.
Q: Eu espero que o financeiro dê certo.
Robert: [risos] Já faz dois anos e meio!
Fonte – Tradução: Alexandra Barranco – Equipe Robert Pattinson Brasil