Robert Pattinson e Zendaya estão na capa deste mês da revista digital “Interview”. Eles se juntaram e um descontraído bate-papo onde eles mesmos se entrevistaram, e falaram sobre “The Drama”, sobre a experiência de terem trabalhado juntos em 3 filmes, família, Hollywood, tempo livre e mais um monte de “merdas” como eles mesmos disseram HAHAHA. Confira as fotos do ensaio e a entrevista traduzida na íntegra pela nossa equipe.
Robert Pattinson e Zendaya Entram no Desconhecido
Bem-vindos à primeira entrevista de Robert Pattinson e Zendaya sobre The Drama, o romance distorcido de Kristoffer Borgli que coloca as duas superestrelas frente a frente como um casal à beira do colapso. Eles ainda filmaram mais dois longas juntos: A Odisseia, de Christopher Nolan, e Duna: Parte III, de Denis Villeneuve, criando aquele tipo de trajetória que transforma colegas de elenco em amigos de verdade. Durante a ligação, Rob estava de férias e elétrico de tanta cafeína. Zendaya fazia uma pausa na limpeza do rejunte. Nenhum dos dois estava em “modo divulgação”, apenas dois atores lidando com o absurdo de promover algo que ainda nem sabem como explicar.
ROBERT PATTINSON: Como você tá?
ZENDAYA: Tô bem. E você?
PATTINSON: Tô bem.
ZENDAYA: A gente vai se entrevistar?
PATTINSON: Acho que sim.
ZENDAYA: Eu não sabia disso.
PATTINSON: Você achou que só eu ia te entrevistar? [Risos]
ZENDAYA: Não, não! Achei que alguém fosse fazer perguntas pra gente.
PATTINSON: Por isso que se chama Interview magazine, querida.
ZENDAYA: Ah, claro!
PATTINSON: Bom, eu tomei muita cafeína, então tô pronto pra animar isso aqui.
ZENDAYA: Você tá pronto pra animar? Eu tô em modo limpeza. O Ano Novo tá chegando e eu tô organizando tudo, então tô fazendo uma limpeza pesada no meu banheiro agora.
PATTINSON: Você tá fazendo faxina no banheiro?
ZENDAYA: Sim, muito emocionante. Limpando o rejunte. [Risos] Onde você tá?
PATTINSON: Tô de férias.
ZENDAYA: Que ótimo. Você merece. Se eu trabalhei muito, você trabalhou muito também.
PATTINSON: É irritante que você seja a única pessoa no mundo pra quem eu não posso me exibir no momento, e você nem fez muito alarde disso.
ZENDAYA: [Risos] Eu fui bem tranquila sobre isso.
PATTINSON: Mas você não vai trabalhar por um tempo, né?
ZENDAYA: Tenho uma pausa até começarmos as coisas de The Drama, então vou só descansar.
PATTINSON: Boa.
ZENDAYA: O que mais? Tô olhando uma lista de perguntas. “Quais eram suas ideias pré-concebidas um sobre o outro?”
PATTINSON: Você foi direto nessa?
ZENDAYA: Acho interessante, porque você provavelmente sabe o que eu pensava de você antes da gente se conhecer, mas eu não acho que perguntei o que você pensava de mim.
PATTINSON: Porque o Tom [Holland] já tinha te contado.
ZENDAYA: Na verdade, eu te conheci porque a gente tinha amigos em comum, e você era sempre bem quieto e tranquilo, o que é um pouco diferente da minha experiência com o Rob. Você não falava muito e eu ficava tipo: “Hmm, misterioso!” Depois falei com o Tom e ele disse: “Não, ele é super divertido, vive rindo e brincando.” E eu pensei: “Sério? Eu ainda não vi esse lado dele.”
PATTINSON: Isso é tão deprimente. Eu queria conseguir manter essa aura misteriosa. Já aprendi várias vezes que, se você simplesmente não fala, as pessoas ficam tipo: “Uau. Você é bem intimidador.” Mas eu simplesmente não consigo manter isso por muito tempo.
ZENDAYA: Você manteve por um tempo, até a gente fazer alguns filmes juntos.
PATTINSON: Espera, acho que eu só te encontrei uma vez e fiquei quieto.
ZENDAYA: Teve algumas vezes que eu te encontrei por aí.
PATTINSON: Eu te encontrei quando você tava em de Euphoria e eu perdi, então fiquei com vergonha.
ZENDAYA: Foi por isso que você ficou quieto?
PATTINSON: Eu fiquei bem quieto depois. Todo mundo estava discutindo o episódio e eu continuava dando a minha opinião sem ter assistido.
ZENDAYA: [Risos] Você ainda não respondeu à pergunta.
PATTINSON: A impressão que eu tenho de você? Quer saber? Eu não sei dizer se isso é um tipo de ofensa ou não.
ZENDAYA: Ah, não. Calma aí. [Risos]
PATTINSON: Você sabe quando as pessoas sempre perguntam, “Você sente a responsabilidade de ser um exemplo para os seus fãs?” Eu acho que você é um bom exemplo para a juventude.
ZENDAYA: Obrigada, Rob. Eu dou o meu melhor.
PATTINSON: Você sempre pareceu muito legal e você é muito legal.
ZENDAYA: Isso é legal. Você está tipo, “Você é legal, mas se mostrou um diabo e difícil de trabalhar.” Eu acho que temos ideias pré-concebidas, mas eu tento não ser assim com pessoas na nossa indústria, porque eu não gostaria que alguém assistisse meus filmes e dissessem, “Ela deve ser assim ou daquele jeito.”
PATTINSON: Sim. As pessoas costumavam dizer, “Oh meu Deus, ele é tão intenso,” mas você não pode, realmente, fazer isso em um contexto profissional mais. Então a única coisa que você irá descobrir sobre as pessoas é, tipo, “Eles parecem legais e, sério, eles são um saco.”
ZENDAYA: [Risos] Isso é o mais longe que podemos chegar.
PATTINSON: Esse é o único segredo que você irá algum dia desvendar. Eu não consigo achar a porra do e-mail com as questões. Ontem eu estava, literalmente, vendo [o e-mail] e pensando, “Eu quero perguntar sobre sinais vermelhos.”
ZENDAYA: Essa aqui diz, “Qual um sinal vermelho em um parceiro que você acha charmoso?”
PATTINSON: Essa é interessante.
ZENDAYA: À medida que eu amadureci, eu passei a ver um sinal vermelho como um sinal vermelho, você me entende?
PATTINSON: O que é um sinal vermelho para você?
ZENDAYA: Um que funciona para nós no trabalho, é como as pessoas tratam as suas equipes. Eu admiro pessoas que são gentis com todos, não apenas atores, diretores e produtores. Uma coisa bem importante, é como a equipe vê um ator em específico, porque eles têm a chance de ver como são as pessoas quando as câmeras não estão ligadas.
PATTINSON: Interessante. Então você se apoia na opinião dos outros completamente. [Risos]
ZENDAYA: Cala a boca! Você sabe o que eu quero dizer.
PATTINSON: Se alguém olhasse para o seu cachorro de um jeito estranho, isso seria um sinal vermelho?
ZENDAYA: Eu entraria em uma briga pelo meu cachorro, com certeza.
PATTINSON: Se você visse uma pessoa olhando para o seu cachorro de um jeito estranho, mas o cachorro amasse a pessoa de verdade, seria esse um sinal vermelho?
ZENDAYA: Poderia ser. Eu não sei. Cachorros são bons juízes de caráter. [O cachorro da Zendaya late] Desculpa. O Tom acabou de chegar em casa, e o nosso cachorro está bem animado. E quanto a você?
PATTINSON: Em relação a sinais vermelhos, você acredita que pode, instintivamente, conhecer alguém ou, pelo menos, ter uma ideia bem clara de como a pessoa é, em questão de segundos em um encontro?
ZENDAYA: Sim e não? Pessoas tem camadas, são complexas e cometem erros. Existem diferenças culturais. Mas há, também, situações que são tipo, “Bem, isso foi rude. Isso é mal.” E existe o contrário. Você pode conhecer alguém por um longo tempo e esse alguém mudar, ou você passa a conhecer as pessoas em um nível mais íntimo e ficar tipo, “Uou, eu não tinha visto esse lado seu.”
PATTINSON: Você acha isso uma coisa sexy?
ZENDAYA: Não. Eu não gosto de surpresas. Vamos ser francos com a loucura. Você é um bom juiz de caráter?
PATTINSON: No geral, meus relacionamentos são bem transacionais. [Risos] Eu só vou realmente falar com alguém, se eu quiser algo da pessoa.
ZENDAYA: [Risos] Eu estou tentando manter em mente que o seu humor… Nós precisamos traduzir isso para o papel, porque eles não podem ouvir o quanto você ri quando fala essas coisas. Muitas coisas são ditas com risinhos.
PATTINSON: Às vezes, eu não me importo como isso é interpretado. Também, eu nunca estou brincando totalmente. [Risos}
ZENDAYA: Diz ele brincando.
PATTINSON: Você acha que é possível conhecer 100% outra pessoa?
ZENDAYA: Eu não sei. Parece que eu estou respondendo todas as malditas perguntas, Rob!
PATTINSON: Justo – Eu estou, literalmente, tipo, “Qual uma piada estúpida para fazer?”
ZENDAYA: Que tal assim, você prefere romances com finais felizes, ou aqueles com finais dilacerantes?
PATTINSON: Eu já pensei sobre isso. Meus filmes românticos favoritos não são românticos. Eles são sobre términos, e eu nunca percebi isso. Você alguma vez já assistiu Amantes?
ZENDAYA: Eu acredito que não.
PATTINSON: Um filme tão incrível, mas é realmente triste. Aí eu estava pensando no filme do Luc Besson, O Grande Azul, e eles não ficam juntos no final. Todo filme que eu achava muito romântico, o casal não termina junto.
ZENDAYA: É verdade. Até Titanic.
PATTINSON: Quais são seus filmes românticos favoritos?
ZENDAYA: Pelo que você está dizendo, eles costumam ser devastadores, e isso faz parte de estar vivo. Muitos têm a ver com perda, e algo que aprendi conforme fui ficando mais velha é que grande parte da vida é perda, perder pessoas que você ama, viver o luto e atravessar isso. Então, de um jeito meio estranho, amor e perda andam de mãos dadas. Mas, como estamos na época de festas, tenho assistido muitas comédias românticas. Às vezes eu preciso que eles terminem juntos. Mas não existe um final de verdade. Quem sabe se daqui a 10 anos eles estão infelizes e divorciados? Acho que é sempre o mesmo filme, você só está acompanhando um momento diferente da vida das pessoas.
PATTINSON: Além disso, quando você começa um relacionamento com alguém, você decide qual vai ser a sua projeção, qual vai ser a narrativa sobre aquela pessoa. Meu Deus, eu estou literalmente tentando pensar sobre como eu penso sobre as coisas e estou começando a…
ZENDAYA: Você está tentando pensar sobre como está pensando? Você é tão eloquente. [Risos]
PATTINSON: Eu estava ouvindo um podcast ontem com um diretor e, quando escuto alguém eloquente, isso me deixa meio irritado. Fiquei pensando que a eloquência é uma espécie de ato classista. Pensei: há algo honesto em não conseguir se expressar. É proletário não conseguir dizer nada. Próxima pergunta. Você acha que ser uma figura pública dificulta desaparecer nos personagens?
ZENDAYA: Sim e não. Algo que eu admiro em você é que você guarda muita coisa da sua vida só para você, o que é lindo, especialmente tendo uma família. Estou aprendendo a equilibrar essas coisas. No fim das contas, você é uma figura pública, não há muito o que fazer, mas algumas coisas são para você e para quem você ama. E também é importante manter esse espaço, essa certa anonimidade, para poder interpretar outra pessoa sem que te coloquem sempre em uma caixa, quer dizer, acabamos de falar sobre ser eloquente. E aqui estou eu tropeçando nas palavras, tentando explicar o que quero dizer. Mas eu tento ter privacidade, não só pelos personagens, mas por mim mesma na vida real. Tento ser honesta com quem eu sou quando estou em público, mas também guardo coisas para mim. Não sei como você se sente em relação a isso. Você tem uma habilidade extraordinária de se transformar. Eu já vi isso de fora e de dentro. Como é a sua relação com isso?
PATTINSON: Quando eu estava fazendo Crepúsculo, houve uma reação cultural muito forte contra a franquia, quase ao mesmo tempo em que ela fazia sucesso. Então eu tive que lidar com as duas coisas. Eu realmente gostava de fazer os filmes, mas também havia uma máquina enorme de marketing por trás. Eu não queria que minha identidade pessoal ficasse misturada com aquilo, então tentei reforçar um pouco a minha individualidade, e isso acabou ficando comigo. Também foi interessante ficar famoso interpretando um personagem, no começo, as pessoas achavam que eu era aquele personagem.
ZENDAYA: Que estranho, imagino.
PATTINSON: Foi bem estranho, mas também me permitiu reagir a isso. E eu não era apegado àquela identidade, porque ela nunca foi minha para começo de conversa. É interessante usar a percepção pública sobre você como parte do desenvolvimento do personagem, porque você pensa: “Imagino que pelo menos algumas pessoas na plateia estejam esperando isso”, então dá para tornar a coisa mais dramática. Mas, ao mesmo tempo, você nunca sabe realmente o que as pessoas estão pensando. Muita gente é muito protetora em relação a “é assim que eu sou, essa é a minha identidade”, e eu nunca senti muito isso. Uma parte de mim tem muita certeza de quem eu sou, mas não acho estranho simplesmente acordar um dia e ser uma pessoa diferente. [Risos] Acho que é uma insegurança positiva. Meu Deus, estou imaginando como isso vai soar quando for publicado, e fico pensando: “Você parece tão…”
ZENDAYA: [Risos] Percepções públicas! Estresse!
PATTINSON: Fui à terapia uma vez e o terapeuta perguntou se eu estava usando drogas porque não conseguia entender o que eu estava dizendo. Eu respondi: “Estou fazendo o meu melhor.” [Risos]
ZENDAYA: Bom, eu achei que foi uma resposta muito esclarecedora.
PATTINSON: Achei que estava chegando a algum lugar. Entrei no barco e fiquei tipo…
ZENDAYA: “Não sei onde estou! Passo a palavra para você, Zendaya!”
PATTINSON: Quero descer agora! [Risos]
ZENDAYA: Introspecção demais!
PATTINSON: Ok. Se você pudesse lançar The Drama sem nenhuma divulgação e simplesmente deixar o filme existir por conta própria, o que você acha que aconteceria?
ZENDAYA: Não sei. Eu esperaria que as pessoas assistissem, mas, no fim das contas, a parte da promoção existe porque amamos a experiência de ir ao cinema e queremos mantê-la viva. Se fosse possível as pessoas simplesmente irem ver algo sem precisar promovê-lo, seria ótimo. Infelizmente, acho que essa não é a nossa realidade.
PATTINSON: Quando ouço atores falando sobre seus projetos, todo mundo me parece um gênio. Eu não consigo realmente comunicar o que estou tentando fazer. Em The Drama, por exemplo, tem aquela grande cena em que faço um discurso pra você, o número de vezes em que me sinto completamente insano… Eu sinto algo de forma tão profunda e tento explicar para o diretor ou para qualquer pessoa ao meu redor e ninguém entende. Estamos tentando interpretar um texto que já existe, e depois é tipo: ok, agora vá lá e tente…
ZENDAYA: Contar para outras pessoas?
PATTINSON: Eu fico tipo: “Eu não faço a menor ideia!”
ZENDAYA: Eu te entendo. Lembro que você realmente ficou bem mexido por causa daquela cena, mas onde você e o Kris chegaram ficou muito bonito. E acho que concordo com você. Também não sou sempre a melhor em articular ou me expressar. Mas eu não entro em um projeto pensando em como vou explicá-lo para as pessoas, é mais sobre como ele me fez sentir quando eu li. Algo acontece quando você começa a dar entrevistas: você precisa pensar sobre pensar a respeito daquilo, mas ao mesmo tempo precisa se desvincular, porque aquilo já não é mais só seu.
PATTINSON: Exato.
ZENDAYA: Esta é a nossa primeira entrevista, por isso está toda bagunçada, porque é a primeira vez que estamos tentando falar sobre fazer o filme. E a primeira entrevista é sempre tão difícil porque eu não sei.
PATTINSON: As pessoas vão ver esta entrevista junto com o ensaio de fotos e vão pensar: sobre o que eles estão falando?
ZENDAYA: Exatamente. O tema é: eu não sei.
PATTINSON: Qual é a coisa mais “Hollywood” em você da qual você, na verdade, sente vergonha?
ZENDAYA: Eu?
PATTINSON: É. Você não tem nada de Hollywood.
ZENDAYA: Eu diria que a minha maior futilidade típica de Hollywood é como eu trato meu cachorro. Ele come refeições chiques com suplementos de vitaminas. Parece muito ridículo quando eu falo sobre isso, mas eu amo meu filho. Essa é provavelmente a coisa mais “Hollywood” em mim: o padrão de vida do meu cachorro. Eu sou super na minha, e a maioria dos meus amigos próximos são minha família e pessoas que conheço literalmente desde que nasci. Mas sinto que, nos últimos anos, consegui fazer amizade com outros atores como você, cujo trabalho admiro e que acho pessoas muito legais. Então tem sido bom poder perguntar “Essa vida também parece estranha para vocês?” e ouvir “Ah, sim. Não sou a única que se sente assim”. E, às vezes, aquela sua reclamação ridícula, que faz as pessoas dizerem “Mulher, do que você está falando?”, faz todo sentido para alguém que diz “Não, eu entendo. Esse seu tempo de intervalo [entre gravações] (turnaround)”. Isso tem sido legal.
PATTINSON: Poder falar sobre o seu turnaround.
ZENDAYA: Eu fico tipo “Cara, estou exausta. Meu turnaround de novo”.
PATTINSON: Isso é ridículo.
ZENDAYA: Tão “Hollywood”. Mas entende o que quero dizer? São essas coisas específicas que você precisa explicar para alguém. Eu me sinto muito boba falando com as pessoas sobre o meu trabalho. Sim, eu sei o quanto é especial, mas também sei o quanto é bobo. “O que eu fiz hoje? Fingi que vomitava na frente de outros atores que fingiam estar enojados com o meu vômito falso”.
PATTINSON: [Risos] Um dia cansativo.
ZENDAYA: É tipo, do que você está falando?
PATTINSON: Você já assistiu Entourage?
ZENDAYA: Sim, já.
PATTINSON: Esse tipo de estilo de vida algum dia te atraiu?
ZENDAYA: Tô de boa. E você? Qual é a sua coisa mais “Hollywood”? Sinto que você é a pessoa “Hollywood mais não-Hollywood” que existe.
PATTINSON: Eu nunca sou realmente convidado. Estou sempre batendo na porta tipo “Ei, pessoal. Onde é a festa?” e todo mundo só fica mais e mais jovem. É assustador quando você não sabe mais quem é ninguém. Estou completamente fora do círculo.
ZENDAYA: [Risos]
PATTINSON: Esta pergunta é sobre a diferença entre trabalhar com Christopher Nolan, Denis Villeneuve e Kristoffer Borgli. É muito estranho termos feito todos esses filmes juntos, um atrás do outro.
ZENDAYA: Também é estranho porque, antes do ano passado, nunca tínhamos trabalhado juntos e depois você simplesmente não cansou de mim.
PATTINSON: O que você acha deles?
ZENDAYA: Não sei. Sou grata por ter tido as experiências mais legais em todos os três. É meio doido de processar.
PATTINSON: Eles conseguem lidar com muito estresse.
ZENDAYA: Esse é um ponto muito bom. Não passei tanto tempo com o Nolan, mas observar o Denis e ele, e a quantidade de pessoas pelas quais são responsáveis… Se me perguntarem o que quero no almoço, meu cérebro para de funcionar. Então, a quantidade de perguntas que eles respondem por dia é realmente impressionante. O que é legal no Kris é que ele está no início da jornada como diretor e é muito colaborativo, mas também muito claro sobre o que achava que funcionava ou não.
PATTINSON: No ensaio, ele dizia “Vamos todos discutir as coisas, mas eu vou te avisar quando você estiver errado”.
ZENDAYA: O que eu aprecio. Ele definitivamente tinha respostas para nós, mas você também fez perguntas demais. [Risos]
PATTINSON: Eu gostei muito de preparar The Drama com você.
ZENDAYA: Foi uma energia muito boa o tempo todo.
PATTINSON: Esta é a primeira vez que interpreto um inglês em muitos, muitos anos, e acho que fui mais agressivo com minhas ideias preconcebidas sobre certos tipos de ingleses. Para um personagem que não é realmente uma pessoa desprezível, eu fui muito agressivo com ele.
ZENDAYA: É, você pegou pesado com o Charlie. Eu fiquei tipo, “Nossa”.
PATTINSON: [Risos] Logo de cara.
ZENDAYA: Você é bom em dizer não?
PATTINSON: Acho que sim.
ZENDAYA: Diz o homem que não parou de trabalhar desde…
PATTINSON: Me dizem que sou muito avesso a confrontos, mas quando digo não, só quero dizer parcialmente. Meu “não” é um “sim” disfarçado.
ZENDAYA: Eu quero evitar confrontos. Quero fazer as pessoas felizes, então se eu tiver que fazer algo para deixar tudo bem, eu provavelmente farei. Mas geralmente sei bem rápido se quero fazer algo ou não quando leio um roteiro. Li este e pensei “É, eu quero fazer isso”. Não sei se você tem o mesmo problema com roteiros, mas eu realmente luto para conseguir terminá-los. Não sei se é um problema de tempo de atenção.
PATTINSON: Você acha que o filme acabou ficando diferente do que você achou que seria?
ZENDAYA: Estou muito feliz com ele. É melhor do que o que eu poderia ter imaginado na minha cabeça. Eu realmente aprecio o jeito que o Kris edita. Há cortes estranhos que criam ótimos momentos cômicos e um constrangimento e desconforto que eu nem lembrava de estarem no papel. E você?
PATTINSON: Estou ansioso para assistir de novo, o que é estranho para mim.
ZENDAYA: Você geralmente não gosta de assistir seus filmes?
PATTINSON: Não, eu não sou um purista. Consigo relevar as coisas com bastante facilidade, a não ser que eu esteja muito ruim no filme. É muito emocionante, especialmente quando se trata de grandes produções. Quando estávamos filmando Dune, eu pensava:
ZENDAYA: “Isso é muito diferente do que estávamos fazendo agora.”
PATTINSON: É, e tipo: “Não tenho a menor ideia de como isso vai ser feito.” Mas com esse filme, eu estava bastante envolvido. É raro ter um período de pré-produção como o que tivemos nesse, em que realmente discutimos e debatemos sobre ele. Isso faz com que você se sinta bastante envolvido com o produto final, e acho que é por isso que fica mais difícil promovê-lo, porque eu não sei o que eu diria sobre esse filme para fazer alguém assisti-lo. Acho que vai depender inteiramente de como as pessoas reagirem ao trailer.
ZENDAYA: Com certeza. E eu também não saberia como classificá-lo. Comédia romântica dramática?
PATTINSON: Não sei. Também gosto do mundo em que eles vivem. Eu gosto muito dos apartamentos. [Risos]
ZENDAYA: Concordo. Gosto das roupas. [Risos]
PATTINSON: Eu levei todo o meu guarda-roupa.
ZENDAYA: Você deu uma volta de 360 graus de odiar o Charlie a “Ele é muito legal e estou interessado na vida dele.”
PATTINSON: Literalmente ontem à noite, eu estava com muita vontade de usar um óculos falso.
ZENDAYA: [Risos] Você era totalmente contra eles no começo. Vamos ver. “Depois de trabalharmos juntos em três filmes, qual hábito meu você pegou?” Posso responder isso porque tenho te observado. O Tom tem razão, você ri de tudo o que diz, então é muito difícil saber quando você está falando sério e quando não está. Aí você começa uma frase e fala muito rápido, e depois se interrompe e diz: “Deixa pra lá”. E no fim você sempre acaba falando, mas eu tenho que ficar tipo: “Não, o que foi, Rob? O que você está pensando?”
PATTINSON: Isso soa terrível. Nem é verdade. [Risos]
ZENDAYA: Você fica tipo: “Foi estúpido, estúpido. Foi estúpido”. E aí, no fim, é uma coisa boa, uma conversa normal, ou uma observação sobre a cena, e eu penso: “É, boa ideia”. Você analisa as coisas.
PATTINSON: Eu não fazia muito isso em Dune.
ZENDAYA: Não, não, não. Você estava tranquilo naquele filme.
PATTINSON: O que eu notei em “The Drama” foi que você vem no seu dia de folga, fica olhando o monitor e conversa com todos os chefes de departamento. É muito impressionante. Eu literalmente não consigo funcionar. Só consigo ter pequenas explosões de energia. Tive que ir deitar no meu divã.
ZENDAYA: É, eu adoro o que fazemos e é um dos meus lugares favoritos. Você devia experimentar um dia.
PATTINSON: A gente continua fazendo todos os filmes juntos, então vai parecer que eu estou te copiando.
ZENDAYA: Vou contar para todo mundo que você está me seguindo para o trabalho, tipo: “Você nem trabalha hoje, Rob. Que merda é essa? Para de ser estranho.”
PATTINSON: Nós não estamos trabalhando. A gente fica tipo: “Deixa eu só ficar olhando o monitor por cima do seu ombro.”
ZENDAYA: Bom, acho que fizemos um bom trabalho nos entrevistando.
PATTINSON: Meu Deus. É melhor que tenham um bom editor.
ZENDAYA: É, alguém precisa cortar essa merda.
PATTINSON: Legal, cara. A gente se fala depois.
ZENDAYA: Nos vemos nos próximos sete filmes que fizermos.
Fonte | Tradução: Amanda, Glória Mel, Iarlla, Maria Luísa e Mayara (Equipe RPBR)