Robert Pattinson, Matt Damon e Tom Holland estampam as três capas diferentes da edição da conceituada revista “GQ” deste mês, que tem como destaque o novo filme de Christopher Nolan, “A Odisseia”. Além de um ensaio fotográfico pra lá de lindo, a publicação também teve a oportunidade de ter uma longa conversa com o trio de atores e o aclamado diretor, que contaram detalhes sobre os desafios que enfrentaram durante as filmagens do filme, que percorreu 7 países diferentes em apenas 91 dias. Veja à seguir as fotos do ensaio e a entrevista traduzida pela Equipe RPBR. Vale muito a pena ler!
Por Dentro da Produção de “A Odisseia” com Matt Damon, Tom Holland, Robert Pattinson e Christopher Nolan.
Como três dos maiores astros de Hollywood lideraram uma equipe de centenas de pessoas para ajudar Nolan a criar seu blockbuster mais épico e ambicioso até hoje. No oeste da Sicília existe uma ilha chamada Favignana, muito popular entre turistas italianos durante o verão. Antigamente ela era conhecida como Aegusa, ou “ilha das cabras”. Acredita-se que Odisseu e sua tripulação tenham passado por lá antes do fatídico encontro com o Ciclope. Hoje, a ilha abriga uma antiga fábrica de atum abandonada e as ruínas do Castello di Santa Caterina, um local que o diretor Christopher Nolan escalou a pé no final de 2024, subindo cerca de 270 metros de altitude.
Nos filmes de Nolan, é comum vermos mundos alternativos ou realidades ampliadas — A Origem, Interestelar, Tenet e a trilogia de Batman. Mas ele também é um grande defensor da autenticidade. Segundo o diretor: “Em algum nível, vejo meu trabalho como uma longa tentativa de encontrar um momento de magia em um lugar real — um pôr do sol real, um castelo real.” O Castello di Santa Caterina era um castelo real perfeito para representar Ítaca, a terra natal de Odisseu e um dos cenários centrais de A Odisseia. Mas havia um problema. A trilha que levava até o topo da montanha era estreita demais para acomodar toda a estrutura necessária para uma produção desse porte. O caminho levava cerca de 45 minutos para ser percorrido e não podia ser facilitado. A produção chegou a discutir a construção de uma nova estrada. “Teríamos usado veículos 4×4 para levar toda a equipe até lá”, contou Nolan. Mas, perto do início das filmagens, ficou claro que a estrada jamais seria construída.
Resolver problemas em escala gigantesca
Todo diretor precisa resolver problemas. Nolan faz isso em uma escala diferente. Robert Pattinson relembrou uma situação durante as gravações de Tenet, na Estônia. Uma cena exigia que carros se movessem para trás utilizando um equipamento especial chamado “pod”, que permitia que um motorista dublê escondido controlasse o veículo. O problema? O equipamento não funcionava com os carros disponíveis naquele dia. A solução foi simples e absurda ao mesmo tempo. Segundo Pattinson: “O coordenador de dublês disse: ‘Já usei BMWs com esse equipamento antes. Vamos simplesmente à concessionária BMW agora e comprar dois carros.’” E foi exatamente o que fizeram. Em menos de uma hora, o problema estava resolvido.Como filmar em um castelo no topo de uma montanha
No caso do castelo de Favignana, a solução foi simplesmente aceitar a dificuldade. Quem pudesse subir a pé, subiria. Quem não pudesse, utilizaria helicópteros. Os helicópteros também serviriam para transportar equipamentos. A equipe construiu ainda uma plataforma suspensa na lateral da montanha para servir de área de almoço. A estrutura precisava suportar aproximadamente 200 pessoas ao mesmo tempo. No fim das contas, durante duas semanas inteiras de filmagem, toda a equipe começou cada dia na base da montanha e subiu cerca de 270 metros até o local das gravações. Para atores como Robert Pattinson, que interpreta Antínoo — um dos pretendentes da esposa de Odisseu — e Tom Holland, que vive Telêmaco, filho de Odisseu, isso significava fazer a subida usando figurinos da Grécia Antiga e sandálias. Para Nolan, significava observar Tom Holland, então com 29 anos e em ótima forma física, desaparecer montanha acima muito antes dele. Matt Damon, intérprete de Odisseu e veterano de aproximadamente 80 produções cinematográficas, resumiu a situação: “Cada locação deste filme teria sido a mais difícil de qualquer outro filme em que já trabalhei. E elas vieram uma atrás da outra.”Uma equipe exausta
Quando Pattinson chegou a Favignana, em abril de 2025, foi para o resort onde ficaria hospedado. O lugar estava praticamente vazio. As filmagens já aconteciam havia mais de um mês e a equipe começava a sentir o desgaste. “Eu estava sozinho no bar do hotel”, contou Pattinson. Pouco a pouco, membros da equipe começaram a aparecer. E todos pareciam estar completamente exaustos. “Nunca vi tantas pessoas parecerem tão cansadas.” Naquele momento, a produção ainda nem havia chegado à metade. A equipe já tinha passado por diversos países. Segundo Pattinson: “No final de cada dia as pessoas estavam destruídas.” Seis países, 91 dias e mais de 600 quilômetros de filme IMAX ao todo, A Odisseia foi filmado durante 91 dias em 2025. As gravações passaram por: Marrocos, Grécia, Itália, Islândia, Escócia e Estados Unidos. Christopher Nolan utilizou mais de 2 milhões de pés de película IMAX, uma quantidade gigantesca de filme físico.Tom Holland, mesmo acostumado às superproduções da Marvel, ficou impressionado ao chegar ao set no Marrocos. Ele se lembra de caminhar durante quase meia hora pela praia vendo apenas: soldados gregos, navios gregos, soldados gregos, mais navios gregos. Segundo ele: “Parecia mais uma reconstituição histórica do que um set de filmagem.”
Matt Damon teve uma reação semelhante: “Cheguei àquelas locações pensando: quem foi o maluco que achou que dava para filmar um filme aqui?” Trabalhar com Christopher Nolan exige um tipo raro de dedicação. Em determinado momento da produção, Matt Damon observava a equipe construir rapidamente uma plataforma na lateral de uma montanha para sustentar um enorme guindaste de câmera. Enquanto admirava a cena, o assistente de direção Nilo Otero comentou algo que ficou marcado em sua memória: “O interessante é que todas as pessoas aqui poderiam estar trabalhando em um filme mais fácil e ganhando mais dinheiro.” Segundo Damon: “E isso é verdade.”
Nolan prospera no caos. Hoje, Nolan encara desafios gigantescos com uma naturalidade impressionante. Mas isso não aconteceu da noite para o dia. Ele relembrou que A Origem (2010) foi o primeiro filme em que decidiu filmar em sete países diferentes. Na época, isso parecia inviável. “Era supostamente impossível. Mas pensamos: vamos descobrir um jeito.” Foi nesse momento que Nolan percebeu que gostava justamente do que era mais complicado. Segundo ele, a constante mudança de países, paisagens e desafios mantém toda a equipe energizada. “Ir da Islândia para a Escócia e depois para o Marrocos dá um novo fôlego para todo mundo.” Para ele, isso é muito mais estimulante do que passar meses filmando sempre no mesmo lugar.
Um filme de 250 milhões de dólares
“A Odisseia” custou aproximadamente 250 milhões de dólares. Mesmo assim, os estúdios costumam dar liberdade a Nolan porque sabem que ele entrega resultados. Matt Damon comparou o tamanho da produção a surfar uma onda gigante: “Uma onda duas vezes maior não é apenas duas vezes mais poderosa. Ela é exponencialmente mais poderosa.” Segundo ele, trabalhar em um filme dessa escala é algo completamente diferente.O paradoxo Christopher Nolan
Nolan ocupa uma posição curiosa em Hollywood. Seus filmes são enormes, caros e destinados ao grande público. Mas também costumam ser complexos, cheios de conceitos difíceis e estruturas narrativas desafiadoras. Muitas vezes nem mesmo os próprios atores entendem completamente o que está acontecendo. Robert Pattinson relembrou as gravações de Tenet. Perto do final da produção, ele comentou com John David Washington: “Acho que estou morto. Acho que sempre estive morto.” Washington respondeu: “Você não está morto. Do que você está falando?” O homem que transformou um físico teórico em um sucesso de bilheteria.Apesar de fugir das fórmulas tradicionais dos blockbusters, Nolan continua obtendo enormes sucessos comerciais. O exemplo mais recente foi Oppenheimer. O filme arrecadou quase 1 bilhão de dólares, recebeu 13 indicações ao Oscar e venceu 7 estatuetas, incluindo: Melhor Filme e Melhor Diretor. Além disso, Nolan possui um feito raro. Praticamente não há fracassos em sua filmografia. Ele nunca dirigiu um filme amplamente considerado ruim. E nenhum de seus projetos arrecadou menos do que custou para ser produzido.
O que o público realmente quer
Quando questionado sobre o motivo de seu sucesso, Nolan evita respostas definitivas. Mas ofereceu uma teoria. Segundo ele: “Se você ama cinema e entende a história de Hollywood, percebe que o público quer algo novo.” E continuou: “As pessoas querem algo que nem elas mesmas sabem que querem.” Por isso, para Nolan, a única aposta realmente segura é justamente aquilo que parece arriscado. “A única certeza é algo que não é uma certeza.” Ele admite que isso assusta os estúdios. Mas acredita que filmes só podem ser feitos dessa forma: “Você precisa arriscar tudo em cada projeto.”Dentro da sala de montagem
Quando a revista visitou Nolan, em fevereiro de 2026, ele estava trabalhando na mixagem final de “A Odisseia”. O encontro aconteceu em um estúdio da Warner Bros. Mesmo após sua mudança para a Universal, Nolan continua utilizando o local para finalizar seus filmes. Na sala estavam: Christopher Nolan, Jennifer Lame (montadora), Equipe de som, Equipe de diálogos, Equipe musical. Na tela era exibida uma cena envolvendo: Tom Holland como Telêmaco, Jon Bernthal como Menelau, e Nolan observava atentamente os sons de fundo da sequência. Em determinado momento, percebeu uma gargalhada particularmente alta. Calmamente comentou: “Um pouco arriscado.” E explicou: “Você não quer que alguém na plateia pense que as pessoas estão rindo da cena.” A equipe ajustou os níveis de áudio. Ouviram novamente. Depois de alguns segundos, Nolan sorriu. “Acho que gostei.” Um dos técnicos perguntou: “Estavam bagunçando demais?” Nolan respondeu: “Sim, mas era uma bagunça boa.”O diretor que intimida seus próprios atores
Nolan é conhecido por ser reservado. Mas também inspira uma mistura de admiração e medo entre seus colaboradores. Robert Pattinson contou que recebeu uma ligação do diretor sobre “A Odisseia”.
Sua reação foi: “Mal posso esperar para ler o roteiro.” Nolan respondeu: “Você quer ler?” E completou: “E todos os envolvidos simplesmente disseram que sim.”O telefonema que Tom Holland não queria fazer
Quando Nolan ofereceu o papel de Telêmaco a Tom Holland, surgiu um problema. As datas de filmagem coincidiam exatamente com as de Spider-Man: Um Novo dia. Holland tinha contrato com a Sony e a Marvel. Ele sabia que teria uma conversa difícil pela frente. Segundo o ator: “Eu disse ao Chris: quero fazer este filme, mas vou precisar ligar para a Sony e ter uma conversa muito desconfortável.” E foi exatamente o que aconteceu. E não era qualquer compromisso. Holland é o Homem-Aranha de uma das franquias mais valiosas de Hollywood. Mesmo assim, ele queria trabalhar com Nolan. Então decidiu ligar diretamente para Tom Rothman, presidente da Sony Pictures. A conversa prometia ser desconfortável. Mas o resultado surpreendeu. A Sony aceitou adiar as filmagens de Homem Aranha. Segundo Holland, a decisão aconteceu não apenas por respeito a ele, mas também pela confiança que a indústria deposita em Nolan. “Uma das razões pelas quais a Sony concordou em mudar as datas é porque Chris tem a reputação de alguém que não vai atrasar um filme em cinco meses nem prender um ator por dois anos.” Holland acredita que com outro diretor a conversa poderia ter sido completamente diferente.E os números provam isso. A Odisseia começou exatamente na data planejada. E terminou nove dias antes do cronograma previsto.
Um homem obcecado pelo tempo
Durante a entrevista, o jornalista percebeu algo curioso. Tudo ao redor de Nolan parecia funcionar como um relógio. Organização. Precisão. Pontualidade. Era como se o mundo inteiro se movesse no ritmo dele. Talvez isso não seja coincidência. Afinal, o tempo é o grande tema da carreira de Christopher Nolan. Desde Amnésia (Memento), lançado em 2000, até Interestelar, A Origem e Tenet, o diretor retorna constantemente à mesma questão: o que o tempo faz com as pessoas. Quando perguntado sobre isso, Nolan respondeu: “Costumam me perguntar por que faço filmes sobre o tempo.” E então explicou: “Minha resposta mais simples é que eu sempre vivi dentro dele.” Para ele, o tempo é: “o motor da vida humana.” Aquilo contra o qual todos lutam;
aquilo que atormenta todos nós. Segundo Nolan: “É a coisa que nos persegue o tempo todo.”A vida pessoal influenciando seus filmes
Nolan raramente fala sobre si mesmo. Mas admite que sua vida influencia diretamente seus projetos. Ele relembrou que, quando se casou, costumava criar histórias em que a motivação principal era uma esposa perdida ou falecida. Depois vieram os filhos. E seus filmes começaram a falar cada vez mais sobre paternidade. Matt Damon contou que sentiu isso profundamente ao ler o roteiro de Interestelar. Na época, seus filhos ainda eram pequenos. Ele estava longe deles trabalhando. Ao terminar a leitura, ligou para Nolan. “O que é essa sua obsessão com isso?” Afinal, o filme fala justamente sobre um pai que perde a infância dos próprios filhos enquanto está distante deles. Nolan e sua esposa, Emma Thomas, têm quatro filhos. E ele admite que existe um conflito constante em sua vida. “O desejo de estar com a família e as responsabilidades que me puxam para longe dela.” Segundo ele, essa tensão aparece repetidamente em seus filmes.O sucesso de “Oppenheimer” abriu uma nova porta
Depois do enorme sucesso de “Oppenheimer”, Nolan sentiu que precisava fazer algo ainda mais ousado. Ele acredita que diretores têm uma responsabilidade quando alcançam esse nível de sucesso.
Segundo ele: “Se você tem a sorte de fazer um projeto bem-sucedido, precisa se perguntar: o que posso fazer agora que antes não poderia?” Ele relembrou que foi exatamente isso que aconteceu após “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. O sucesso daquele filme abriu caminho para “A Origem”. Da mesma forma, o sucesso de Oppenheimer abriu caminho para “A Odisseia”. Nolan pensou: “Precisamos usar essa oportunidade para fazer a coisa mais ambiciosa possível.”Por que adaptar Homero?
A resposta acabou sendo surpreendente. Nolan decidiu adaptar A Odisseia, de Homero. Ao revisitar o poema, percebeu algo curioso. A obra é composta quase inteiramente por grandes momentos de recompensa emocional. Mas oferece poucos preparativos para esses momentos. Ele usou o exemplo de Argos, o cachorro de Odisseu. No poema original, quando Odisseu retorna para casa, Argos o reconhece imediatamente. É um dos momentos mais emocionantes da história. Mas Homero praticamente não prepara o público para isso. Não há construção. Não há antecipação. Isso acontece porque os espectadores da época já conheciam a história. Segundo Nolan: “As preparações já existiam na cabeça do público.” Para um filme moderno, porém, isso não funciona da mesma forma. Então ele percebeu que seu trabalho seria justamente criar esses preparativos sem perder a essência do poema. Foi aí que o projeto finalmente se abriu para ele.Nolan pediu uma câmera nova para a IMAX
Desde o início, Nolan sabia exatamente como queria filmar “A Odisseia”. Mas havia um problema técnico. As câmeras IMAX são enormes e extremamente barulhentas. Elas funcionam perfeitamente para paisagens gigantescas. Mas não para cenas íntimas de diálogo. Nolan queria as duas coisas. Então fez um pedido incomum à IMAX: criar uma solução que permitisse filmar conversas próximas usando câmeras IMAX. A empresa desenvolveu uma cobertura especial para reduzir o barulho. Mas surgiu um novo problema. A proteção bloqueava parcialmente a visão dos atores. Mais uma vez, Nolan improvisou. Ele criou um sistema de espelhos para projetar o rosto do ator que estava contracenando ao lado da lente. Tom Holland ficou impressionado. “Chris não falsifica nada.” E completou: “Tudo é real. Tudo aquilo ao que você está vendo é exatamente o que ele quer que você veja.”Matt Damon chutando uma tigela a 60 metros de distância
Robert Pattinson relembrou uma cena curiosa. Seu personagem precisava reagir a um som distante. Ele perguntou a Nolan: “Você vai colocar o efeito sonoro depois?” Nolan respondeu:
“Não. O Matt vai fazer isso.” Matt Damon e Anne Hathaway estavam filmando a cena real a aproximadamente 60 metros de distância. Pattinson mal conseguia vê-los. Mas Nolan insistiu que tudo acontecesse de verdade. Segundo Pattinson: “Matt estava literalmente fazendo a cena inteira só para chutar uma tigela.” E concluiu: “É completamente maluco.” Quando o jornalista encontrou Tom Holland na primavera de 2026, em Los Angeles, o ator estava vivendo um momento de transição. Em breve ele iniciaria a divulgação de dois dos maiores filmes de sua carreira recente: “A Odisseia” e “Homem Aranha: Um novo dia”. Mas havia algo diferente nele. O próprio Holland sentia isso.O fim de um capítulo
O jornalista havia entrevistado Holland pela primeira vez em 2019. Na época, ele tinha apenas 23 anos. Morava perto de Londres com os irmãos e alguns amigos. Segundo o próprio ator, aquela fase foi marcada por diversão, trabalho intenso e pelo início de seu relacionamento com Zendaya. Relembrando aquele período, Holland comentou: “Eu estava me divertindo muito.” Mas também admitiu: “Eu bebia naquela época.” Nos anos seguintes, ele decidiu parar completamente de beber. Hoje, considera esse período uma espécie de reinício. “Sinto que apertei o botão de reset.” Segundo Holland, ele finalmente encerrou o capítulo de ser apenas “uma criança em Hollywood”.Matt Damon virou fã de Tom Holland
Matt Damon não economizou elogios ao colega. Ele acredita que Holland lida com um nível de exposição pública muito maior do que aquele que sua própria geração enfrentou. Principalmente por causa da fama global dele e de Zendaya. Damon comentou: “Eu adoro aquele cara.” E acrescentou: “Ele e Zendaya lidam com muito mais atenção do que eu jamais precisei enfrentar.” Segundo Damon, os dois fazem isso com enorme elegância.O período longe das filmagens
Nos últimos anos, Holland praticamente desapareceu dos sets por um tempo. Foi uma decisão consciente. Ele sentia que precisava parar. Segundo o ator: “Eu estava trabalhando demais.” Além disso, queria amadurecer fora da indústria. Durante essa pausa, ele: jogou muito golfe; construiu uma casa em Londres; passou mais tempo com a família; tentou descobrir quem era além de ser uma estrela de cinema. Ele também queria ter certeza de que ainda amava atuar. “Somos muito sortudos por fazer esse trabalho.” E completou: “Quando ele vira apenas uma obrigação, algo está errado.”Robert Pattinson acha que Tom viveu os anos loucos rápido demais
Robert Pattinson conhece Holland há bastante tempo. Os dois já trabalharam juntos em três produções diferentes. Segundo Pattinson: “Parece que ele viveu todos os anos malucos que uma pessoa deveria viver em oito anos.” Então brincou: “Enquanto eu tentei estender os meus até os 39.” O ator também comentou que a geração de Holland parece muito mais responsável do que a dele. “Eu não era exatamente um festeiro” Quando ouviu o comentário de Pattinson, Holland riu. Mas fez um esclarecimento. Segundo ele, sua juventude não foi exatamente uma sequência de festas. Na verdade, era quase o contrário. “Eu não era o tipo de pessoa que ficava indo para baladas.” O problema, segundo ele, era outro. “Eu ficava sozinho no quarto do hotel, acabava com o minibar e ia trabalhar no dia seguinte.” Ele resumiu a situação assim: “Eu sempre fui bastante responsável. Eu só bebia demais.”O telefonema de Christopher Nolan mudou tudo
O que finalmente trouxe Holland de volta ao trabalho foi uma combinação de fatores. Havia o compromisso com “Homem Aranha”. Mas também houve um telefonema de Christopher Nolan. Segundo o ator, participar de “A Odisseia” acabou ajudando até mesmo o novo filme do Homem-Aranha. Como a Sony precisou adiar as filmagens, a equipe ganhou mais tempo para desenvolver o roteiro. Holland acredita que isso melhorou muito o resultado. “A Odisseia praticamente salvou Homem aranha.” Ele explicou que sem esse adiamento o diretor Destin Daniel Cretton talvez nem tivesse conseguido assumir o projeto.A maior lição que Nolan lhe ensinou
Durante as gravações de A Odisseia, Holland ficou impressionado com a preparação de Nolan. Segundo ele: “O nível de preparação dele é algo que nunca vi antes.” O ator afirmou que não existe uma pergunta que Nolan não consiga responder imediatamente. Mais do que isso. Tudo é planejado. Tudo tem uma razão. Em determinado momento, uma sequência que deveria levar dois dias para ser filmada foi concluída em apenas um. Na hora do almoço, Nolan simplesmente anunciou: “Vamos terminar hoje.” E terminou.“Não vamos descobrir isso no set”
Depois de trabalhar com Nolan, Holland levou essa mentalidade para Homem Aranha. Ele passou a pressionar o estúdio por mais preparação. Segundo ele: “Não vamos chegar ao set para descobrir o filme lá.” Holland queria que todos soubessem exatamente por que aquela história precisava existir. Não apenas porque era o quarto filme do Homem-Aranha. “Precisávamos saber por que estávamos fazendo esse filme.”Zendaya também está em A Odisseia
Embora Tom Holland e Zendaya estejam juntos no elenco de A Odisseia, os personagens dos dois não dividem cenas. Mesmo assim, Holland fez questão de visitar o set no primeiro dia de trabalho da atriz. “Eu só queria estar lá.” A frase resume bem o momento atual da vida dele. Menos correria. Mais presença. Mais escolhas conscientes. Quando o jornalista encontrou Robert Pattinson em Los Angeles, ele parecia estar vivendo uma fase muito diferente daquela que o público costumava associar a ele. Nada de festas intermináveis. Nada da energia caótica dos tempos de “Crepúsculo”. Agora havia: uma casa alugada em Beverly Hills; sua parceira, Suki Waterhouse; uma filha de dois anos; e uma rotina surpreendentemente doméstica.“Talvez eu tenha virado burguês”
Durante anos Pattinson se considerou um típico morador do lado leste de Los Angeles. Era o território dos artistas independentes, músicos e pessoas que evitavam Beverly Hills. Mas as coisas mudaram. Agora ele mora justamente em Beverly Hills. E admitiu, rindo: “Talvez eu tenha ficado meio burguês.” Segundo ele, antes só ia ao bairro para reuniões com agentes ou compromissos profissionais. Hoje vê o local de outra forma. “Na verdade, tudo é bem agradável.”A filha que já viajou mais do que muita gente
Poucos dias antes da entrevista, Pattinson e Suki Waterhouse haviam comemorado o segundo aniversário da filha. E a menina já acumulava um currículo de viagens impressionante. Segundo o ator:
“Ela já foi para mais lugares do que muita gente.” A criança acompanhou os pais em turnês, gravações e viagens internacionais. Pattinson citou: Boston; sets de filmagem; eventos; até mesmo o Mardi Gras. Tudo antes dos dois anos de idade.Como a paternidade mudou sua vida
Pattinson acredita que ter uma filha o transformou. Segundo ele: “Estou muito mais relaxado em relação a várias coisas.” Quando a filha nasceu, ele sentiu uma explosão de energia. Mas, ao mesmo tempo, sua rotina mudou completamente. Antes, trabalhava alguns meses por ano e passava o restante do tempo vivendo sem grandes responsabilidades. Agora? Vai dormir cedo. Muito cedo. Tão cedo que virou motivo de piada. Ele contou que viu um vídeo no TikTok em que as pessoas falavam sobre dormir cedo como se fosse um vício. “Você já tentou dormir às sete da noite?”. Segundo Pattinson: “É realmente divertido.”“Batman Parte II” está chegando
Embora estivesse aproveitando a vida familiar, Pattinson já se preparava para voltar ao papel de Bruce Wayne. Batman: Parte II estava prestes a começar as filmagens. Recentemente, o coordenador de dublês entrou em contato com ele. A notícia não foi exatamente animadora. “Onze semanas de gravações noturnas.” A reação de Pattinson: “Com licença?” Ele sequer havia recebido o cronograma completo ainda.A eterna discussão sobre seu físico de Batman
Pattinson também voltou a brincar com uma polêmica antiga. Quando Batman foi lançado, muita gente comentou que ele parecia menos musculoso do que outros intérpretes do personagem. Isso o incomoda até hoje. Porque, segundo ele: “Eu treinava todos os dias.” Na verdade, treinava duas vezes por dia. Muitas vezes às três da manhã. Mas acredita que algumas entrevistas que concedeu acabaram piorando a situação. Especialmente uma em que afirmou que academia não era algo particularmente interessante. Hoje ele ri da repercussão. “Eu estava só tentando parecer legal.”Hogwarts pode ser a primeira escola da filha dele
As filmagens de Batman Parte II acontecerão perto dos estúdios Leavesden, no Reino Unido. Por coincidência, é o mesmo local onde está sendo produzida a nova série de Harry Potter. Durante uma visita ao complexo, Pattinson descobriu algo curioso. Existe uma escola utilizada pelas crianças do elenco. E ele começou a cogitar a ideia de matricular sua filha lá. Brincando, comentou: “É para lá que você vai. Para Hogwarts.” Depois admitiu: “Sinceramente, pode acabar sendo mesmo a primeira escola dela.”Seis filmes seguidos
Enquanto Batman Parte II era adiado repetidamente, Pattinson continuava aceitando novos trabalhos. O resultado? Uma sequência impressionante de produções. Entre elas: The Drama; Die My Love;
Duna: Parte III; A Odisseia. Segundo ele: “Eu pensava: vou fazer só mais um filme enquanto espero.” E então acabava fazendo vários.O produtor que descobriu que não manda em nada
Além de atuar, Pattinson também começou a produzir. Mas descobriu rapidamente que a função não era exatamente o que imaginava. Segundo ele: “Você acha que, sendo produtor, terá autoridade total.” Então percebe a realidade. “Você não tem autoridade nenhuma.” Ele resumiu a experiência da seguinte forma: “Você tem toda a responsabilidade e nenhum poder.” Depois completou, rindo: “Você vira basicamente um ombro para as pessoas chorarem.”Seu personagem em “A Odisseia”
Em “A Odisseia”, Pattinson interpreta Antínoo. Um dos pretendentes que ocupam o palácio de Penélope enquanto Odisseu está desaparecido. O ator descreve o personagem como: “meio nojento” e revelou sua principal inspiração: James Woods em Cassino (1995). Segundo Pattinson, ele queria trazer uma energia parecida para o personagem. Inclusive sugeriu algo bastante específico durante as provas de figurino. “Eu queria usar cuecas de oncinha.” Ele imaginava que elas aparecessem discretamente por baixo da roupa grega. Infelizmente, a matéria não confirma se Nolan aprovou a ideia.O astro que desistiu de se reinventar
Quando o jornalista lembrou a Pattinson que, anos atrás, ele queria reconstruir sua carreira após “Crepúsculo”, perguntou se o plano havia funcionado. A resposta foi surpreendente. “Não.” Pattinson explicou que, depois de um grande sucesso, as pessoas imaginam que todas as portas se abrem automaticamente. Mas isso não acontece. “Não existe uma porta secreta.” Ele percebeu que Hollywood continua difícil para todos. Mesmo para alguém como ele. Hoje, seu objetivo é mais simples. Parar de tentar controlar a narrativa. Parar de tentar se reinventar o tempo todo. “Só existe um número limitado de vezes que você pode reinventar sua imagem pública.” E concluiu: “Minhas previsões sobre o que o público quer normalmente são um desastre.” As filmagens principais de A Odisseia terminaram em 5 de agosto de 2025, nos estúdios da Universal. Mesmo assim, o encerramento da produção não foi simples. A última semana aconteceu em Falls Lake, um enorme tanque de água usado em diversas produções de Hollywood. Foi lá que Nolan afundou uma réplica do navio de Odisseu.Nem no estúdio foi fácil
Ao longo das filmagens, a equipe criou uma espécie de piada interna. Sempre que chegavam a uma nova locação, alguém dizia: “A próxima vai ser mais fácil.” Mas nunca era. Matt Damon lembrou que na Islândia todos imaginavam que finalmente teriam um pouco de tranquilidade. Em vez disso encontraram: chuva horizontal; frio extremo; ventos violentos. Segundo Damon: “A Islândia: ‘Fácil? Segura minha cerveja.’” Quando finalmente chegaram ao estúdio em Los Angeles, todos acreditaram que o sofrimento tinha acabado. Mas Christopher Nolan tinha outros planos.
Damon contou: “Chegamos lá e o Chris colocou dois motores de avião jogando água em cima da gente.” Resultado? Até o ambiente controlado do estúdio era: frio; molhado; desconfortável. segundo Damon: “Foi um encerramento perfeito.”O telefonema após o fim das filmagens
No dia seguinte ao término de A Odisseia, Matt Damon ligou para o jornalista. Ele estava olhando pela janela para um belo dia ensolarado na Califórnia. Mas parecia emocionalmente abalado. Não por exaustão. Por nostalgia. Segundo ele: “Foi uma experiência muito estranha.” Durante toda a produção, Damon sentiu como se estivesse voltando ao passado. Ao período em que começou sua carreira. A uma forma de fazer cinema que praticamente não existe mais.“Eu sabia que talvez fosse a última vez”
Foi nesse momento que Damon fez uma das declarações mais marcantes da matéria. Segundo ele: “Eu sabia que provavelmente seria a última oportunidade da minha vida de participar de algo assim.” O ator acredita que Hollywood está mudando rapidamente. Produções gigantescas filmadas em dezenas de locações reais, utilizando película física e recursos praticamente ilimitados, estão se tornando cada vez mais raras. E ele tem consciência de que sua própria carreira também está entrando em outra fase.Matt Damon aos 55 anos
Quando o jornalista voltou a encontrá-lo meses depois, Damon estava em Los Angeles visitando universidades com uma das filhas. Agora aos 55 anos, ele parecia refletir muito sobre o tempo.
Durante o encontro, os dois passearam pelo Chateau Marmont procurando uma fotografia antiga do ator. Quando finalmente encontraram a imagem, Damon apareceu ao lado de Ben Affleck e Casey Affleck em uma festa de aniversário. Ele olhou para a foto e comentou: “Nem me lembro disso.”O medo que nunca desaparece
A conversa então chegou a um tema curioso. Segurança profissional. Ou a falta dela. Mesmo após décadas de sucesso, Damon disse que ainda sente a insegurança típica dos atores. Ele relembrou uma conversa que teve com Tom Cruise logo após o sucesso de Gênio Indomável. Na época, Cruise já era uma das maiores estrelas do planeta. Mesmo assim, Damon percebeu algo. Tom Cruise também se preocupava com o próximo trabalho. Também se perguntava o que viria depois. Depois daquela conversa, Damon comentou com Ben Affleck: “Tom Cruise não tem segurança profissional.” A conclusão o chocou. Se nem Tom Cruise tinha, quem teria?Menos trabalho, mais família
Hoje, Damon trabalha muito menos do que no início da carreira. Além de atuar, dedica parte do tempo à Artists Equity, produtora fundada por ele e Ben Affleck. Também tenta ficar mais tempo com a família. Sua filha mais nova acabou de entrar na faculdade. E ele sabe que esse período passa rápido. Segundo Damon: “Já vivi isso algumas vezes e sei como esses anos desaparecem depressa.”“Talvez seja a vez de outra pessoa”
Outra mudança é sua relação com a atuação. No passado, aceitava praticamente tudo. Hoje é mais seletivo. Ele citou uma frase de Clint Eastwood: “Você acaba ficando cansado de se ver na tela.” Damon entende perfeitamente o sentimento. Segundo ele: “Talvez seja a vez de outra pessoa.” Isso não significa que perdeu o amor pelo trabalho. Significa apenas que agora escolhe projetos com muito mais cuidado.O futuro do cinema
No fim da entrevista, a conversa voltou para A Odisseia. Damon acredita que o filme representa algo que está desaparecendo. Uma superprodução: filmada em película; feita em locações reais;
sem depender excessivamente de estúdios virtuais; construída fisicamente diante das câmeras. Segundo ele: “Não acho que as pessoas continuarão recebendo recursos para fazer filmes assim por muito mais tempo.” Claro, alguns diretores ainda conseguirão. Ele citou especificamente: Christopher Nolan; Denis Villeneuve; Steven Spielberg. Mas acredita que esse tipo de oportunidade está se tornando cada vez mais rara.A última reflexão
Ao final da matéria, fica claro que A Odisseia é mais do que apenas um novo blockbuster de Christopher Nolan. Para Tom Holland, representa o início de uma nova fase da vida adulta. Para Robert Pattinson, é mais um capítulo de uma carreira que ele já não tenta controlar. Para Nolan, é a realização do projeto mais ambicioso que poderia fazer depois de Oppenheimer. E para Matt Damon, talvez seja a despedida de uma maneira de fazer cinema que ele ama. Uma forma de produção gigantesca, física, arriscada e quase impossível. Justamente o tipo de coisa que Christopher Nolan sempre acreditou que valia a pena tentar. Esse trecho final é um dos mais bonitos da matéria. Mas esse conhecimento — fazer tudo aquilo sabendo que estava chegando ao fim — acabou sendo estranhamente libertador, disse Damon. “Penso muito nisso, especialmente agora que meus filhos estão ficando mais velhos: tentar realmente estar presente no momento”, afirmou. “E isso é difícil para mim. Acho que tem a ver com a minha própria natureza. Mas também tem a ver com essa carreira, em que você está sempre tentando descobrir o que vem pela frente, porque é uma indústria muito incerta e bastante cruel. Tudo isso acabou me afastando do lugar onde eu estou agora mais do que eu gostaria.” Mas, segundo Damon, A Odiseia foi diferente. “Foi uma experiência em que eu estava totalmente presente todos os dias e amando cada momento.” E então aconteceu algo inesperado: “Todas as coisas que talvez tivessem sido difíceis para mim em outro momento da minha vida deixaram de ser difíceis. Elas se tornaram divertidas. Estar molhado e com frio não era um sofrimento. Na verdade, eu me sentia muito sortudo por estar vivendo aquilo. Parecia algo temporário, quase como um presente. Foi muito estranho. Nunca tinha experimentado algo assim antes.
E concluiu: “É por isso que pareço alguém que acabou de se converter. Mas é um sentimento que eu procurava há muito tempo e que finalmente encontrei.”
Fonte | Tradução: Gloria Mel



Apesar de aparecer em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005) aos 17 anos, e virar uma fixação da mídia alguns anos depois por interpretar um vampiro romântico em todos os cinco filmes da série Crepúsculo – no ápice do sucesso da franquia, ele alugava carros como isca e se escondia em porta-malas para evitar ser cercado por fãs e paparazzis – Pattinson é surpreendentemente desprotegido. Ele não leva o seu ofício ou a si mesma muito a sério: em um intervalo de 30min, ele me conta que é ignorante, frágil, aterrorizado, ego maníaco, terrível, cheio de ódio e vaidoso. O único recorte de revista pendurado na parede de seu quarto de infância em Londres, é uma cópia emoldurada de uma edição da People Magazine’s Sexiest Man Alive, de um ano que ele sequer foi incluído (George Clooney lhe deu como uma brincadeira). Recentemente, ele desenterrou seus prêmios de atuação e os colocou em uma estante; e depois de alguns dias, ele os devolveu para o depósito.
Uma semana após nossa aula de cerâmica, Pattinson me liga de um quarto de hotel em Calgary. Ele está lá para filmar “Die, My Love”, adaptação de Lynne Ramsay do romance de estreia de 2012 da escritora argentina Ariana Harwicz. Lawrence interpreta uma versão da narradora sem nome de Harwicz, uma jovem mãe com psicose pós-parto que, no livro, sonha em matar a si mesma e sua família; Pattinson, que interpreta o marido no filme, diz que a história é “hilária”. (Outros podem não compartilhar seu senso de humor: ele também considera “High Life”, de Claire Denis, um filme de 2018 que confunde a cabeça e aborda inseminação artificial entre prisioneiros espaciais — no qual o personagem de Pattinson é violentado por uma cientista interpretada por Juliette Binoche — uma comédia.) Ele parece empolgado com o projeto, embora um pouco solitário. A caminho de uma aula de dança matinal exigida para o papel, ele assistiu a uma transmissão ao vivo do show de Wembley de Waterhouse em seu celular.

