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Categoria: Revistas

Robert Pattinson, Matt Damon e Tom Holland estampam as três capas diferentes da edição da conceituada revista “GQ” deste mês, que tem como destaque o novo filme de Christopher Nolan, “A Odisseia”. Além de um ensaio fotográfico pra lá de lindo, a publicação também teve a oportunidade de ter uma longa conversa com o trio de atores e o aclamado diretor, que contaram detalhes sobre os desafios que enfrentaram durante as filmagens do filme, que percorreu 7 países diferentes em apenas 91 dias. Veja à seguir as fotos do ensaio e a entrevista traduzida pela Equipe RPBR. Vale muito a pena ler!

Por Dentro da Produção de “A Odisseia” com Matt Damon, Tom Holland, Robert Pattinson e Christopher Nolan.

Como três dos maiores astros de Hollywood lideraram uma equipe de centenas de pessoas para ajudar Nolan a criar seu blockbuster mais épico e ambicioso até hoje. No oeste da Sicília existe uma ilha chamada Favignana, muito popular entre turistas italianos durante o verão. Antigamente ela era conhecida como Aegusa, ou “ilha das cabras”. Acredita-se que Odisseu e sua tripulação tenham passado por lá antes do fatídico encontro com o Ciclope. Hoje, a ilha abriga uma antiga fábrica de atum abandonada e as ruínas do Castello di Santa Caterina, um local que o diretor Christopher Nolan escalou a pé no final de 2024, subindo cerca de 270 metros de altitude.

Nos filmes de Nolan, é comum vermos mundos alternativos ou realidades ampliadas — A Origem, Interestelar, Tenet e a trilogia de Batman. Mas ele também é um grande defensor da autenticidade. Segundo o diretor: “Em algum nível, vejo meu trabalho como uma longa tentativa de encontrar um momento de magia em um lugar real — um pôr do sol real, um castelo real.” O Castello di Santa Caterina era um castelo real perfeito para representar Ítaca, a terra natal de Odisseu e um dos cenários centrais de A Odisseia. Mas havia um problema. A trilha que levava até o topo da montanha era estreita demais para acomodar toda a estrutura necessária para uma produção desse porte. O caminho levava cerca de 45 minutos para ser percorrido e não podia ser facilitado. A produção chegou a discutir a construção de uma nova estrada. “Teríamos usado veículos 4×4 para levar toda a equipe até lá”, contou Nolan. Mas, perto do início das filmagens, ficou claro que a estrada jamais seria construída.

Resolver problemas em escala gigantesca
Todo diretor precisa resolver problemas. Nolan faz isso em uma escala diferente. Robert Pattinson relembrou uma situação durante as gravações de Tenet, na Estônia. Uma cena exigia que carros se movessem para trás utilizando um equipamento especial chamado “pod”, que permitia que um motorista dublê escondido controlasse o veículo. O problema? O equipamento não funcionava com os carros disponíveis naquele dia. A solução foi simples e absurda ao mesmo tempo. Segundo Pattinson: “O coordenador de dublês disse: ‘Já usei BMWs com esse equipamento antes. Vamos simplesmente à concessionária BMW agora e comprar dois carros.’” E foi exatamente o que fizeram. Em menos de uma hora, o problema estava resolvido.

Como filmar em um castelo no topo de uma montanha
No caso do castelo de Favignana, a solução foi simplesmente aceitar a dificuldade. Quem pudesse subir a pé, subiria. Quem não pudesse, utilizaria helicópteros. Os helicópteros também serviriam para transportar equipamentos. A equipe construiu ainda uma plataforma suspensa na lateral da montanha para servir de área de almoço. A estrutura precisava suportar aproximadamente 200 pessoas ao mesmo tempo. No fim das contas, durante duas semanas inteiras de filmagem, toda a equipe começou cada dia na base da montanha e subiu cerca de 270 metros até o local das gravações. Para atores como Robert Pattinson, que interpreta Antínoo — um dos pretendentes da esposa de Odisseu — e Tom Holland, que vive Telêmaco, filho de Odisseu, isso significava fazer a subida usando figurinos da Grécia Antiga e sandálias. Para Nolan, significava observar Tom Holland, então com 29 anos e em ótima forma física, desaparecer montanha acima muito antes dele. Matt Damon, intérprete de Odisseu e veterano de aproximadamente 80 produções cinematográficas, resumiu a situação: “Cada locação deste filme teria sido a mais difícil de qualquer outro filme em que já trabalhei. E elas vieram uma atrás da outra.”

Uma equipe exausta
Quando Pattinson chegou a Favignana, em abril de 2025, foi para o resort onde ficaria hospedado. O lugar estava praticamente vazio. As filmagens já aconteciam havia mais de um mês e a equipe começava a sentir o desgaste. “Eu estava sozinho no bar do hotel”, contou Pattinson. Pouco a pouco, membros da equipe começaram a aparecer. E todos pareciam estar completamente exaustos. “Nunca vi tantas pessoas parecerem tão cansadas.” Naquele momento, a produção ainda nem havia chegado à metade. A equipe já tinha passado por diversos países. Segundo Pattinson: “No final de cada dia as pessoas estavam destruídas.” Seis países, 91 dias e mais de 600 quilômetros de filme IMAX ao todo, A Odisseia foi filmado durante 91 dias em 2025. As gravações passaram por: Marrocos, Grécia, Itália, Islândia, Escócia e Estados Unidos. Christopher Nolan utilizou mais de 2 milhões de pés de película IMAX, uma quantidade gigantesca de filme físico.

Tom Holland, mesmo acostumado às superproduções da Marvel, ficou impressionado ao chegar ao set no Marrocos. Ele se lembra de caminhar durante quase meia hora pela praia vendo apenas: soldados gregos, navios gregos, soldados gregos, mais navios gregos. Segundo ele: “Parecia mais uma reconstituição histórica do que um set de filmagem.”

Matt Damon teve uma reação semelhante: “Cheguei àquelas locações pensando: quem foi o maluco que achou que dava para filmar um filme aqui?” Trabalhar com Christopher Nolan exige um tipo raro de dedicação. Em determinado momento da produção, Matt Damon observava a equipe construir rapidamente uma plataforma na lateral de uma montanha para sustentar um enorme guindaste de câmera. Enquanto admirava a cena, o assistente de direção Nilo Otero comentou algo que ficou marcado em sua memória: “O interessante é que todas as pessoas aqui poderiam estar trabalhando em um filme mais fácil e ganhando mais dinheiro.” Segundo Damon: “E isso é verdade.”

Nolan prospera no caos. Hoje, Nolan encara desafios gigantescos com uma naturalidade impressionante. Mas isso não aconteceu da noite para o dia. Ele relembrou que A Origem (2010) foi o primeiro filme em que decidiu filmar em sete países diferentes. Na época, isso parecia inviável. “Era supostamente impossível. Mas pensamos: vamos descobrir um jeito.” Foi nesse momento que Nolan percebeu que gostava justamente do que era mais complicado. Segundo ele, a constante mudança de países, paisagens e desafios mantém toda a equipe energizada. “Ir da Islândia para a Escócia e depois para o Marrocos dá um novo fôlego para todo mundo.” Para ele, isso é muito mais estimulante do que passar meses filmando sempre no mesmo lugar.

Um filme de 250 milhões de dólares
“A Odisseia” custou aproximadamente 250 milhões de dólares. Mesmo assim, os estúdios costumam dar liberdade a Nolan porque sabem que ele entrega resultados. Matt Damon comparou o tamanho da produção a surfar uma onda gigante: “Uma onda duas vezes maior não é apenas duas vezes mais poderosa. Ela é exponencialmente mais poderosa.” Segundo ele, trabalhar em um filme dessa escala é algo completamente diferente.

O paradoxo Christopher Nolan
Nolan ocupa uma posição curiosa em Hollywood. Seus filmes são enormes, caros e destinados ao grande público. Mas também costumam ser complexos, cheios de conceitos difíceis e estruturas narrativas desafiadoras. Muitas vezes nem mesmo os próprios atores entendem completamente o que está acontecendo. Robert Pattinson relembrou as gravações de Tenet. Perto do final da produção, ele comentou com John David Washington: “Acho que estou morto. Acho que sempre estive morto.” Washington respondeu: “Você não está morto. Do que você está falando?” O homem que transformou um físico teórico em um sucesso de bilheteria.

Apesar de fugir das fórmulas tradicionais dos blockbusters, Nolan continua obtendo enormes sucessos comerciais. O exemplo mais recente foi Oppenheimer. O filme arrecadou quase 1 bilhão de dólares, recebeu 13 indicações ao Oscar e venceu 7 estatuetas, incluindo: Melhor Filme e Melhor Diretor. Além disso, Nolan possui um feito raro. Praticamente não há fracassos em sua filmografia. Ele nunca dirigiu um filme amplamente considerado ruim. E nenhum de seus projetos arrecadou menos do que custou para ser produzido.

O que o público realmente quer
Quando questionado sobre o motivo de seu sucesso, Nolan evita respostas definitivas. Mas ofereceu uma teoria. Segundo ele: “Se você ama cinema e entende a história de Hollywood, percebe que o público quer algo novo.” E continuou: “As pessoas querem algo que nem elas mesmas sabem que querem.” Por isso, para Nolan, a única aposta realmente segura é justamente aquilo que parece arriscado. “A única certeza é algo que não é uma certeza.” Ele admite que isso assusta os estúdios. Mas acredita que filmes só podem ser feitos dessa forma: “Você precisa arriscar tudo em cada projeto.”

Dentro da sala de montagem
Quando a revista visitou Nolan, em fevereiro de 2026, ele estava trabalhando na mixagem final de “A Odisseia”. O encontro aconteceu em um estúdio da Warner Bros. Mesmo após sua mudança para a Universal, Nolan continua utilizando o local para finalizar seus filmes. Na sala estavam: Christopher Nolan, Jennifer Lame (montadora), Equipe de som, Equipe de diálogos, Equipe musical. Na tela era exibida uma cena envolvendo: Tom Holland como Telêmaco, Jon Bernthal como Menelau, e Nolan observava atentamente os sons de fundo da sequência. Em determinado momento, percebeu uma gargalhada particularmente alta. Calmamente comentou: “Um pouco arriscado.” E explicou: “Você não quer que alguém na plateia pense que as pessoas estão rindo da cena.” A equipe ajustou os níveis de áudio. Ouviram novamente. Depois de alguns segundos, Nolan sorriu. “Acho que gostei.” Um dos técnicos perguntou: “Estavam bagunçando demais?” Nolan respondeu: “Sim, mas era uma bagunça boa.”

O diretor que intimida seus próprios atores
Nolan é conhecido por ser reservado. Mas também inspira uma mistura de admiração e medo entre seus colaboradores. Robert Pattinson contou que recebeu uma ligação do diretor sobre “A Odisseia”.
Sua reação foi: “Mal posso esperar para ler o roteiro.” Nolan respondeu: “Você quer ler?” E completou: “E todos os envolvidos simplesmente disseram que sim.”

O telefonema que Tom Holland não queria fazer
Quando Nolan ofereceu o papel de Telêmaco a Tom Holland, surgiu um problema. As datas de filmagem coincidiam exatamente com as de Spider-Man: Um Novo dia. Holland tinha contrato com a Sony e a Marvel. Ele sabia que teria uma conversa difícil pela frente. Segundo o ator: “Eu disse ao Chris: quero fazer este filme, mas vou precisar ligar para a Sony e ter uma conversa muito desconfortável.” E foi exatamente o que aconteceu. E não era qualquer compromisso. Holland é o Homem-Aranha de uma das franquias mais valiosas de Hollywood. Mesmo assim, ele queria trabalhar com Nolan. Então decidiu ligar diretamente para Tom Rothman, presidente da Sony Pictures. A conversa prometia ser desconfortável. Mas o resultado surpreendeu. A Sony aceitou adiar as filmagens de Homem Aranha. Segundo Holland, a decisão aconteceu não apenas por respeito a ele, mas também pela confiança que a indústria deposita em Nolan. “Uma das razões pelas quais a Sony concordou em mudar as datas é porque Chris tem a reputação de alguém que não vai atrasar um filme em cinco meses nem prender um ator por dois anos.” Holland acredita que com outro diretor a conversa poderia ter sido completamente diferente.

E os números provam isso. A Odisseia começou exatamente na data planejada. E terminou nove dias antes do cronograma previsto.

Um homem obcecado pelo tempo
Durante a entrevista, o jornalista percebeu algo curioso. Tudo ao redor de Nolan parecia funcionar como um relógio. Organização. Precisão. Pontualidade. Era como se o mundo inteiro se movesse no ritmo dele. Talvez isso não seja coincidência. Afinal, o tempo é o grande tema da carreira de Christopher Nolan. Desde Amnésia (Memento), lançado em 2000, até Interestelar, A Origem e Tenet, o diretor retorna constantemente à mesma questão: o que o tempo faz com as pessoas. Quando perguntado sobre isso, Nolan respondeu: “Costumam me perguntar por que faço filmes sobre o tempo.” E então explicou: “Minha resposta mais simples é que eu sempre vivi dentro dele.” Para ele, o tempo é: “o motor da vida humana.” Aquilo contra o qual todos lutam;
aquilo que atormenta todos nós. Segundo Nolan: “É a coisa que nos persegue o tempo todo.”

A vida pessoal influenciando seus filmes
Nolan raramente fala sobre si mesmo. Mas admite que sua vida influencia diretamente seus projetos. Ele relembrou que, quando se casou, costumava criar histórias em que a motivação principal era uma esposa perdida ou falecida. Depois vieram os filhos. E seus filmes começaram a falar cada vez mais sobre paternidade. Matt Damon contou que sentiu isso profundamente ao ler o roteiro de Interestelar. Na época, seus filhos ainda eram pequenos. Ele estava longe deles trabalhando. Ao terminar a leitura, ligou para Nolan. “O que é essa sua obsessão com isso?” Afinal, o filme fala justamente sobre um pai que perde a infância dos próprios filhos enquanto está distante deles. Nolan e sua esposa, Emma Thomas, têm quatro filhos. E ele admite que existe um conflito constante em sua vida. “O desejo de estar com a família e as responsabilidades que me puxam para longe dela.” Segundo ele, essa tensão aparece repetidamente em seus filmes.

O sucesso de “Oppenheimer” abriu uma nova porta
Depois do enorme sucesso de “Oppenheimer”, Nolan sentiu que precisava fazer algo ainda mais ousado. Ele acredita que diretores têm uma responsabilidade quando alcançam esse nível de sucesso.
Segundo ele: “Se você tem a sorte de fazer um projeto bem-sucedido, precisa se perguntar: o que posso fazer agora que antes não poderia?” Ele relembrou que foi exatamente isso que aconteceu após “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. O sucesso daquele filme abriu caminho para “A Origem”. Da mesma forma, o sucesso de Oppenheimer abriu caminho para “A Odisseia”. Nolan pensou: “Precisamos usar essa oportunidade para fazer a coisa mais ambiciosa possível.”

Por que adaptar Homero?
A resposta acabou sendo surpreendente. Nolan decidiu adaptar A Odisseia, de Homero. Ao revisitar o poema, percebeu algo curioso. A obra é composta quase inteiramente por grandes momentos de recompensa emocional. Mas oferece poucos preparativos para esses momentos. Ele usou o exemplo de Argos, o cachorro de Odisseu. No poema original, quando Odisseu retorna para casa, Argos o reconhece imediatamente. É um dos momentos mais emocionantes da história. Mas Homero praticamente não prepara o público para isso. Não há construção. Não há antecipação. Isso acontece porque os espectadores da época já conheciam a história. Segundo Nolan: “As preparações já existiam na cabeça do público.” Para um filme moderno, porém, isso não funciona da mesma forma. Então ele percebeu que seu trabalho seria justamente criar esses preparativos sem perder a essência do poema. Foi aí que o projeto finalmente se abriu para ele.

Nolan pediu uma câmera nova para a IMAX
Desde o início, Nolan sabia exatamente como queria filmar “A Odisseia”. Mas havia um problema técnico. As câmeras IMAX são enormes e extremamente barulhentas. Elas funcionam perfeitamente para paisagens gigantescas. Mas não para cenas íntimas de diálogo. Nolan queria as duas coisas. Então fez um pedido incomum à IMAX: criar uma solução que permitisse filmar conversas próximas usando câmeras IMAX. A empresa desenvolveu uma cobertura especial para reduzir o barulho. Mas surgiu um novo problema. A proteção bloqueava parcialmente a visão dos atores. Mais uma vez, Nolan improvisou. Ele criou um sistema de espelhos para projetar o rosto do ator que estava contracenando ao lado da lente. Tom Holland ficou impressionado. “Chris não falsifica nada.” E completou: “Tudo é real. Tudo aquilo ao que você está vendo é exatamente o que ele quer que você veja.”

Matt Damon chutando uma tigela a 60 metros de distância
Robert Pattinson relembrou uma cena curiosa. Seu personagem precisava reagir a um som distante. Ele perguntou a Nolan: “Você vai colocar o efeito sonoro depois?” Nolan respondeu:
“Não. O Matt vai fazer isso.” Matt Damon e Anne Hathaway estavam filmando a cena real a aproximadamente 60 metros de distância. Pattinson mal conseguia vê-los. Mas Nolan insistiu que tudo acontecesse de verdade. Segundo Pattinson: “Matt estava literalmente fazendo a cena inteira só para chutar uma tigela.” E concluiu: “É completamente maluco.” Quando o jornalista encontrou Tom Holland na primavera de 2026, em Los Angeles, o ator estava vivendo um momento de transição. Em breve ele iniciaria a divulgação de dois dos maiores filmes de sua carreira recente: “A Odisseia” e “Homem Aranha: Um novo dia”. Mas havia algo diferente nele. O próprio Holland sentia isso.

O fim de um capítulo
O jornalista havia entrevistado Holland pela primeira vez em 2019. Na época, ele tinha apenas 23 anos. Morava perto de Londres com os irmãos e alguns amigos. Segundo o próprio ator, aquela fase foi marcada por diversão, trabalho intenso e pelo início de seu relacionamento com Zendaya. Relembrando aquele período, Holland comentou: “Eu estava me divertindo muito.” Mas também admitiu: “Eu bebia naquela época.” Nos anos seguintes, ele decidiu parar completamente de beber. Hoje, considera esse período uma espécie de reinício. “Sinto que apertei o botão de reset.” Segundo Holland, ele finalmente encerrou o capítulo de ser apenas “uma criança em Hollywood”.

Matt Damon virou fã de Tom Holland
Matt Damon não economizou elogios ao colega. Ele acredita que Holland lida com um nível de exposição pública muito maior do que aquele que sua própria geração enfrentou. Principalmente por causa da fama global dele e de Zendaya. Damon comentou: “Eu adoro aquele cara.” E acrescentou: “Ele e Zendaya lidam com muito mais atenção do que eu jamais precisei enfrentar.” Segundo Damon, os dois fazem isso com enorme elegância.

O período longe das filmagens
Nos últimos anos, Holland praticamente desapareceu dos sets por um tempo. Foi uma decisão consciente. Ele sentia que precisava parar. Segundo o ator: “Eu estava trabalhando demais.” Além disso, queria amadurecer fora da indústria. Durante essa pausa, ele: jogou muito golfe; construiu uma casa em Londres; passou mais tempo com a família; tentou descobrir quem era além de ser uma estrela de cinema. Ele também queria ter certeza de que ainda amava atuar. “Somos muito sortudos por fazer esse trabalho.” E completou: “Quando ele vira apenas uma obrigação, algo está errado.”

Robert Pattinson acha que Tom viveu os anos loucos rápido demais
Robert Pattinson conhece Holland há bastante tempo. Os dois já trabalharam juntos em três produções diferentes. Segundo Pattinson: “Parece que ele viveu todos os anos malucos que uma pessoa deveria viver em oito anos.” Então brincou: “Enquanto eu tentei estender os meus até os 39.” O ator também comentou que a geração de Holland parece muito mais responsável do que a dele. “Eu não era exatamente um festeiro” Quando ouviu o comentário de Pattinson, Holland riu. Mas fez um esclarecimento. Segundo ele, sua juventude não foi exatamente uma sequência de festas. Na verdade, era quase o contrário. “Eu não era o tipo de pessoa que ficava indo para baladas.” O problema, segundo ele, era outro. “Eu ficava sozinho no quarto do hotel, acabava com o minibar e ia trabalhar no dia seguinte.” Ele resumiu a situação assim: “Eu sempre fui bastante responsável. Eu só bebia demais.”

O telefonema de Christopher Nolan mudou tudo
O que finalmente trouxe Holland de volta ao trabalho foi uma combinação de fatores. Havia o compromisso com “Homem Aranha”. Mas também houve um telefonema de Christopher Nolan. Segundo o ator, participar de “A Odisseia” acabou ajudando até mesmo o novo filme do Homem-Aranha. Como a Sony precisou adiar as filmagens, a equipe ganhou mais tempo para desenvolver o roteiro. Holland acredita que isso melhorou muito o resultado. “A Odisseia praticamente salvou Homem aranha.” Ele explicou que sem esse adiamento o diretor Destin Daniel Cretton talvez nem tivesse conseguido assumir o projeto.

A maior lição que Nolan lhe ensinou
Durante as gravações de A Odisseia, Holland ficou impressionado com a preparação de Nolan. Segundo ele: “O nível de preparação dele é algo que nunca vi antes.” O ator afirmou que não existe uma pergunta que Nolan não consiga responder imediatamente. Mais do que isso. Tudo é planejado. Tudo tem uma razão. Em determinado momento, uma sequência que deveria levar dois dias para ser filmada foi concluída em apenas um. Na hora do almoço, Nolan simplesmente anunciou: “Vamos terminar hoje.” E terminou.

“Não vamos descobrir isso no set”
Depois de trabalhar com Nolan, Holland levou essa mentalidade para Homem Aranha. Ele passou a pressionar o estúdio por mais preparação. Segundo ele: “Não vamos chegar ao set para descobrir o filme lá.” Holland queria que todos soubessem exatamente por que aquela história precisava existir. Não apenas porque era o quarto filme do Homem-Aranha. “Precisávamos saber por que estávamos fazendo esse filme.”

Zendaya também está em A Odisseia
Embora Tom Holland e Zendaya estejam juntos no elenco de A Odisseia, os personagens dos dois não dividem cenas. Mesmo assim, Holland fez questão de visitar o set no primeiro dia de trabalho da atriz. “Eu só queria estar lá.” A frase resume bem o momento atual da vida dele. Menos correria. Mais presença. Mais escolhas conscientes. Quando o jornalista encontrou Robert Pattinson em Los Angeles, ele parecia estar vivendo uma fase muito diferente daquela que o público costumava associar a ele. Nada de festas intermináveis. Nada da energia caótica dos tempos de “Crepúsculo”. Agora havia: uma casa alugada em Beverly Hills; sua parceira, Suki Waterhouse; uma filha de dois anos; e uma rotina surpreendentemente doméstica.

“Talvez eu tenha virado burguês”
Durante anos Pattinson se considerou um típico morador do lado leste de Los Angeles. Era o território dos artistas independentes, músicos e pessoas que evitavam Beverly Hills. Mas as coisas mudaram. Agora ele mora justamente em Beverly Hills. E admitiu, rindo: “Talvez eu tenha ficado meio burguês.” Segundo ele, antes só ia ao bairro para reuniões com agentes ou compromissos profissionais. Hoje vê o local de outra forma. “Na verdade, tudo é bem agradável.”

A filha que já viajou mais do que muita gente
Poucos dias antes da entrevista, Pattinson e Suki Waterhouse haviam comemorado o segundo aniversário da filha. E a menina já acumulava um currículo de viagens impressionante. Segundo o ator:
“Ela já foi para mais lugares do que muita gente.” A criança acompanhou os pais em turnês, gravações e viagens internacionais. Pattinson citou: Boston; sets de filmagem; eventos; até mesmo o Mardi Gras. Tudo antes dos dois anos de idade.

Como a paternidade mudou sua vida
Pattinson acredita que ter uma filha o transformou. Segundo ele: “Estou muito mais relaxado em relação a várias coisas.” Quando a filha nasceu, ele sentiu uma explosão de energia. Mas, ao mesmo tempo, sua rotina mudou completamente. Antes, trabalhava alguns meses por ano e passava o restante do tempo vivendo sem grandes responsabilidades. Agora? Vai dormir cedo. Muito cedo. Tão cedo que virou motivo de piada. Ele contou que viu um vídeo no TikTok em que as pessoas falavam sobre dormir cedo como se fosse um vício. “Você já tentou dormir às sete da noite?”. Segundo Pattinson: “É realmente divertido.”

“Batman Parte II” está chegando
Embora estivesse aproveitando a vida familiar, Pattinson já se preparava para voltar ao papel de Bruce Wayne. Batman: Parte II estava prestes a começar as filmagens. Recentemente, o coordenador de dublês entrou em contato com ele. A notícia não foi exatamente animadora. “Onze semanas de gravações noturnas.” A reação de Pattinson: “Com licença?” Ele sequer havia recebido o cronograma completo ainda.

A eterna discussão sobre seu físico de Batman
Pattinson também voltou a brincar com uma polêmica antiga. Quando Batman foi lançado, muita gente comentou que ele parecia menos musculoso do que outros intérpretes do personagem. Isso o incomoda até hoje. Porque, segundo ele: “Eu treinava todos os dias.” Na verdade, treinava duas vezes por dia. Muitas vezes às três da manhã. Mas acredita que algumas entrevistas que concedeu acabaram piorando a situação. Especialmente uma em que afirmou que academia não era algo particularmente interessante. Hoje ele ri da repercussão. “Eu estava só tentando parecer legal.”

Hogwarts pode ser a primeira escola da filha dele
As filmagens de Batman Parte II acontecerão perto dos estúdios Leavesden, no Reino Unido. Por coincidência, é o mesmo local onde está sendo produzida a nova série de Harry Potter. Durante uma visita ao complexo, Pattinson descobriu algo curioso. Existe uma escola utilizada pelas crianças do elenco. E ele começou a cogitar a ideia de matricular sua filha lá. Brincando, comentou: “É para lá que você vai. Para Hogwarts.” Depois admitiu: “Sinceramente, pode acabar sendo mesmo a primeira escola dela.”

Seis filmes seguidos
Enquanto Batman Parte II era adiado repetidamente, Pattinson continuava aceitando novos trabalhos. O resultado? Uma sequência impressionante de produções. Entre elas: The Drama; Die My Love;
Duna: Parte III; A Odisseia. Segundo ele: “Eu pensava: vou fazer só mais um filme enquanto espero.” E então acabava fazendo vários.

O produtor que descobriu que não manda em nada
Além de atuar, Pattinson também começou a produzir. Mas descobriu rapidamente que a função não era exatamente o que imaginava. Segundo ele: “Você acha que, sendo produtor, terá autoridade total.” Então percebe a realidade. “Você não tem autoridade nenhuma.” Ele resumiu a experiência da seguinte forma: “Você tem toda a responsabilidade e nenhum poder.” Depois completou, rindo: “Você vira basicamente um ombro para as pessoas chorarem.”

Seu personagem em “A Odisseia”
Em “A Odisseia”, Pattinson interpreta Antínoo. Um dos pretendentes que ocupam o palácio de Penélope enquanto Odisseu está desaparecido. O ator descreve o personagem como: “meio nojento” e revelou sua principal inspiração: James Woods em Cassino (1995). Segundo Pattinson, ele queria trazer uma energia parecida para o personagem. Inclusive sugeriu algo bastante específico durante as provas de figurino. “Eu queria usar cuecas de oncinha.” Ele imaginava que elas aparecessem discretamente por baixo da roupa grega. Infelizmente, a matéria não confirma se Nolan aprovou a ideia.

O astro que desistiu de se reinventar
Quando o jornalista lembrou a Pattinson que, anos atrás, ele queria reconstruir sua carreira após “Crepúsculo”, perguntou se o plano havia funcionado. A resposta foi surpreendente. “Não.” Pattinson explicou que, depois de um grande sucesso, as pessoas imaginam que todas as portas se abrem automaticamente. Mas isso não acontece. “Não existe uma porta secreta.” Ele percebeu que Hollywood continua difícil para todos. Mesmo para alguém como ele. Hoje, seu objetivo é mais simples. Parar de tentar controlar a narrativa. Parar de tentar se reinventar o tempo todo. “Só existe um número limitado de vezes que você pode reinventar sua imagem pública.” E concluiu: “Minhas previsões sobre o que o público quer normalmente são um desastre.” As filmagens principais de A Odisseia terminaram em 5 de agosto de 2025, nos estúdios da Universal. Mesmo assim, o encerramento da produção não foi simples. A última semana aconteceu em Falls Lake, um enorme tanque de água usado em diversas produções de Hollywood. Foi lá que Nolan afundou uma réplica do navio de Odisseu.

Nem no estúdio foi fácil
Ao longo das filmagens, a equipe criou uma espécie de piada interna. Sempre que chegavam a uma nova locação, alguém dizia: “A próxima vai ser mais fácil.” Mas nunca era. Matt Damon lembrou que na Islândia todos imaginavam que finalmente teriam um pouco de tranquilidade. Em vez disso encontraram: chuva horizontal; frio extremo; ventos violentos. Segundo Damon: “A Islândia: ‘Fácil? Segura minha cerveja.’” Quando finalmente chegaram ao estúdio em Los Angeles, todos acreditaram que o sofrimento tinha acabado. Mas Christopher Nolan tinha outros planos.
Damon contou: “Chegamos lá e o Chris colocou dois motores de avião jogando água em cima da gente.” Resultado? Até o ambiente controlado do estúdio era: frio; molhado; desconfortável. segundo Damon: “Foi um encerramento perfeito.”

O telefonema após o fim das filmagens
No dia seguinte ao término de A Odisseia, Matt Damon ligou para o jornalista. Ele estava olhando pela janela para um belo dia ensolarado na Califórnia. Mas parecia emocionalmente abalado. Não por exaustão. Por nostalgia. Segundo ele: “Foi uma experiência muito estranha.” Durante toda a produção, Damon sentiu como se estivesse voltando ao passado. Ao período em que começou sua carreira. A uma forma de fazer cinema que praticamente não existe mais.

“Eu sabia que talvez fosse a última vez”
Foi nesse momento que Damon fez uma das declarações mais marcantes da matéria. Segundo ele: “Eu sabia que provavelmente seria a última oportunidade da minha vida de participar de algo assim.” O ator acredita que Hollywood está mudando rapidamente. Produções gigantescas filmadas em dezenas de locações reais, utilizando película física e recursos praticamente ilimitados, estão se tornando cada vez mais raras. E ele tem consciência de que sua própria carreira também está entrando em outra fase.

Matt Damon aos 55 anos
Quando o jornalista voltou a encontrá-lo meses depois, Damon estava em Los Angeles visitando universidades com uma das filhas. Agora aos 55 anos, ele parecia refletir muito sobre o tempo.
Durante o encontro, os dois passearam pelo Chateau Marmont procurando uma fotografia antiga do ator. Quando finalmente encontraram a imagem, Damon apareceu ao lado de Ben Affleck e Casey Affleck em uma festa de aniversário. Ele olhou para a foto e comentou: “Nem me lembro disso.”

O medo que nunca desaparece
A conversa então chegou a um tema curioso. Segurança profissional. Ou a falta dela. Mesmo após décadas de sucesso, Damon disse que ainda sente a insegurança típica dos atores. Ele relembrou uma conversa que teve com Tom Cruise logo após o sucesso de Gênio Indomável. Na época, Cruise já era uma das maiores estrelas do planeta. Mesmo assim, Damon percebeu algo. Tom Cruise também se preocupava com o próximo trabalho. Também se perguntava o que viria depois. Depois daquela conversa, Damon comentou com Ben Affleck: “Tom Cruise não tem segurança profissional.” A conclusão o chocou. Se nem Tom Cruise tinha, quem teria?

Menos trabalho, mais família
Hoje, Damon trabalha muito menos do que no início da carreira. Além de atuar, dedica parte do tempo à Artists Equity, produtora fundada por ele e Ben Affleck. Também tenta ficar mais tempo com a família. Sua filha mais nova acabou de entrar na faculdade. E ele sabe que esse período passa rápido. Segundo Damon: “Já vivi isso algumas vezes e sei como esses anos desaparecem depressa.”

“Talvez seja a vez de outra pessoa”
Outra mudança é sua relação com a atuação. No passado, aceitava praticamente tudo. Hoje é mais seletivo. Ele citou uma frase de Clint Eastwood: “Você acaba ficando cansado de se ver na tela.” Damon entende perfeitamente o sentimento. Segundo ele: “Talvez seja a vez de outra pessoa.” Isso não significa que perdeu o amor pelo trabalho. Significa apenas que agora escolhe projetos com muito mais cuidado.

O futuro do cinema
No fim da entrevista, a conversa voltou para A Odisseia. Damon acredita que o filme representa algo que está desaparecendo. Uma superprodução: filmada em película; feita em locações reais;
sem depender excessivamente de estúdios virtuais; construída fisicamente diante das câmeras. Segundo ele: “Não acho que as pessoas continuarão recebendo recursos para fazer filmes assim por muito mais tempo.” Claro, alguns diretores ainda conseguirão. Ele citou especificamente: Christopher Nolan; Denis Villeneuve; Steven Spielberg. Mas acredita que esse tipo de oportunidade está se tornando cada vez mais rara.

A última reflexão
Ao final da matéria, fica claro que A Odisseia é mais do que apenas um novo blockbuster de Christopher Nolan. Para Tom Holland, representa o início de uma nova fase da vida adulta. Para Robert Pattinson, é mais um capítulo de uma carreira que ele já não tenta controlar. Para Nolan, é a realização do projeto mais ambicioso que poderia fazer depois de Oppenheimer. E para Matt Damon, talvez seja a despedida de uma maneira de fazer cinema que ele ama. Uma forma de produção gigantesca, física, arriscada e quase impossível. Justamente o tipo de coisa que Christopher Nolan sempre acreditou que valia a pena tentar. Esse trecho final é um dos mais bonitos da matéria. Mas esse conhecimento — fazer tudo aquilo sabendo que estava chegando ao fim — acabou sendo estranhamente libertador, disse Damon. “Penso muito nisso, especialmente agora que meus filhos estão ficando mais velhos: tentar realmente estar presente no momento”, afirmou. “E isso é difícil para mim. Acho que tem a ver com a minha própria natureza. Mas também tem a ver com essa carreira, em que você está sempre tentando descobrir o que vem pela frente, porque é uma indústria muito incerta e bastante cruel. Tudo isso acabou me afastando do lugar onde eu estou agora mais do que eu gostaria.” Mas, segundo Damon, A Odiseia foi diferente. “Foi uma experiência em que eu estava totalmente presente todos os dias e amando cada momento.” E então aconteceu algo inesperado: “Todas as coisas que talvez tivessem sido difíceis para mim em outro momento da minha vida deixaram de ser difíceis. Elas se tornaram divertidas. Estar molhado e com frio não era um sofrimento. Na verdade, eu me sentia muito sortudo por estar vivendo aquilo. Parecia algo temporário, quase como um presente. Foi muito estranho. Nunca tinha experimentado algo assim antes.
E concluiu: “É por isso que pareço alguém que acabou de se converter. Mas é um sentimento que eu procurava há muito tempo e que finalmente encontrei.”

Fonte | Tradução: Gloria Mel

Robert Pattinson e Zendaya estão na capa deste mês da revista digital “Interview”. Eles se juntaram e um descontraído bate-papo onde eles mesmos se entrevistaram, e falaram sobre “The Drama”, sobre a experiência de terem trabalhado juntos em 3 filmes, família, Hollywood, tempo livre e mais um monte de “merdas” como eles mesmos disseram HAHAHA. Confira as fotos do ensaio e a entrevista traduzida na íntegra pela nossa equipe.

Robert Pattinson e Zendaya Entram no Desconhecido

Bem-vindos à primeira entrevista de Robert Pattinson e Zendaya sobre The Drama, o romance distorcido de Kristoffer Borgli que coloca as duas superestrelas frente a frente como um casal à beira do colapso. Eles ainda filmaram mais dois longas juntos: A Odisseia, de Christopher Nolan, e Duna: Parte III, de Denis Villeneuve, criando aquele tipo de trajetória que transforma colegas de elenco em amigos de verdade. Durante a ligação, Rob estava de férias e elétrico de tanta cafeína. Zendaya fazia uma pausa na limpeza do rejunte. Nenhum dos dois estava em “modo divulgação”, apenas dois atores lidando com o absurdo de promover algo que ainda nem sabem como explicar.

ROBERT PATTINSON: Como você tá?

ZENDAYA: Tô bem. E você?

PATTINSON: Tô bem.

ZENDAYA: A gente vai se entrevistar?

PATTINSON: Acho que sim.

ZENDAYA: Eu não sabia disso.

PATTINSON: Você achou que só eu ia te entrevistar? [Risos]

ZENDAYA: Não, não! Achei que alguém fosse fazer perguntas pra gente.

PATTINSON: Por isso que se chama Interview magazine, querida.

ZENDAYA: Ah, claro!

PATTINSON: Bom, eu tomei muita cafeína, então tô pronto pra animar isso aqui.

ZENDAYA: Você tá pronto pra animar? Eu tô em modo limpeza. O Ano Novo tá chegando e eu tô organizando tudo, então tô fazendo uma limpeza pesada no meu banheiro agora.

PATTINSON: Você tá fazendo faxina no banheiro?

ZENDAYA: Sim, muito emocionante. Limpando o rejunte. [Risos] Onde você tá?

PATTINSON: Tô de férias.

ZENDAYA: Que ótimo. Você merece. Se eu trabalhei muito, você trabalhou muito também.

PATTINSON: É irritante que você seja a única pessoa no mundo pra quem eu não posso me exibir no momento, e você nem fez muito alarde disso.

ZENDAYA: [Risos] Eu fui bem tranquila sobre isso.

PATTINSON: Mas você não vai trabalhar por um tempo, né?

ZENDAYA: Tenho uma pausa até começarmos as coisas de The Drama, então vou só descansar.

PATTINSON: Boa.

ZENDAYA: O que mais? Tô olhando uma lista de perguntas. “Quais eram suas ideias pré-concebidas um sobre o outro?”

PATTINSON: Você foi direto nessa?

ZENDAYA: Acho interessante, porque você provavelmente sabe o que eu pensava de você antes da gente se conhecer, mas eu não acho que perguntei o que você pensava de mim.

PATTINSON: Porque o Tom [Holland] já tinha te contado.

ZENDAYA: Na verdade, eu te conheci porque a gente tinha amigos em comum, e você era sempre bem quieto e tranquilo, o que é um pouco diferente da minha experiência com o Rob. Você não falava muito e eu ficava tipo: “Hmm, misterioso!” Depois falei com o Tom e ele disse: “Não, ele é super divertido, vive rindo e brincando.” E eu pensei: “Sério? Eu ainda não vi esse lado dele.”

PATTINSON: Isso é tão deprimente. Eu queria conseguir manter essa aura misteriosa. Já aprendi várias vezes que, se você simplesmente não fala, as pessoas ficam tipo: “Uau. Você é bem intimidador.” Mas eu simplesmente não consigo manter isso por muito tempo.

ZENDAYA: Você manteve por um tempo, até a gente fazer alguns filmes juntos.

PATTINSON: Espera, acho que eu só te encontrei uma vez e fiquei quieto.

ZENDAYA: Teve algumas vezes que eu te encontrei por aí.

PATTINSON: Eu te encontrei quando você tava em de Euphoria e eu perdi, então fiquei com vergonha.

ZENDAYA: Foi por isso que você ficou quieto?

PATTINSON: Eu fiquei bem quieto depois. Todo mundo estava discutindo o episódio e eu continuava dando a minha opinião sem ter assistido.

ZENDAYA: [Risos] Você ainda não respondeu à pergunta.

PATTINSON: A impressão que eu tenho de você? Quer saber? Eu não sei dizer se isso é um tipo de ofensa ou não.

ZENDAYA: Ah, não. Calma aí. [Risos]

PATTINSON: Você sabe quando as pessoas sempre perguntam, “Você sente a responsabilidade de ser um exemplo para os seus fãs?” Eu acho que você é um bom exemplo para a juventude.

ZENDAYA: Obrigada, Rob. Eu dou o meu melhor.

PATTINSON: Você sempre pareceu muito legal e você é muito legal.

ZENDAYA: Isso é legal. Você está tipo, “Você é legal, mas se mostrou um diabo e difícil de trabalhar.” Eu acho que temos ideias pré-concebidas, mas eu tento não ser assim com pessoas na nossa indústria, porque eu não gostaria que alguém assistisse meus filmes e dissessem, “Ela deve ser assim ou daquele jeito.”

PATTINSON: Sim. As pessoas costumavam dizer, “Oh meu Deus, ele é tão intenso,” mas você não pode, realmente, fazer isso em um contexto profissional mais. Então a única coisa que você irá descobrir sobre as pessoas é, tipo, “Eles parecem legais e, sério, eles são um saco.”

ZENDAYA: [Risos] Isso é o mais longe que podemos chegar.

PATTINSON: Esse é o único segredo que você irá algum dia desvendar. Eu não consigo achar a porra do e-mail com as questões. Ontem eu estava, literalmente, vendo [o e-mail] e pensando, “Eu quero perguntar sobre sinais vermelhos.”

ZENDAYA: Essa aqui diz, “Qual um sinal vermelho em um parceiro que você acha charmoso?”

PATTINSON: Essa é interessante.

ZENDAYA: À medida que eu amadureci, eu passei a ver um sinal vermelho como um sinal vermelho, você me entende?

PATTINSON: O que é um sinal vermelho para você?

ZENDAYA: Um que funciona para nós no trabalho, é como as pessoas tratam as suas equipes. Eu admiro pessoas que são gentis com todos, não apenas atores, diretores e produtores. Uma coisa bem importante, é como a equipe vê um ator em específico, porque eles têm a chance de ver como são as pessoas quando as câmeras não estão ligadas.

PATTINSON: Interessante. Então você se apoia na opinião dos outros completamente. [Risos]

ZENDAYA: Cala a boca! Você sabe o que eu quero dizer.

PATTINSON: Se alguém olhasse para o seu cachorro de um jeito estranho, isso seria um sinal vermelho?

ZENDAYA: Eu entraria em uma briga pelo meu cachorro, com certeza.

PATTINSON: Se você visse uma pessoa olhando para o seu cachorro de um jeito estranho, mas o cachorro amasse a pessoa de verdade, seria esse um sinal vermelho?

ZENDAYA: Poderia ser. Eu não sei. Cachorros são bons juízes de caráter. [O cachorro da Zendaya late] Desculpa. O Tom acabou de chegar em casa, e o nosso cachorro está bem animado. E quanto a você?

PATTINSON: Em relação a sinais vermelhos, você acredita que pode, instintivamente, conhecer alguém ou, pelo menos, ter uma ideia bem clara de como a pessoa é, em questão de segundos em um encontro?

ZENDAYA: Sim e não? Pessoas tem camadas, são complexas e cometem erros. Existem diferenças culturais. Mas há, também, situações que são tipo, “Bem, isso foi rude. Isso é mal.” E existe o contrário. Você pode conhecer alguém por um longo tempo e esse alguém mudar, ou você passa a conhecer as pessoas em um nível mais íntimo e ficar tipo, “Uou, eu não tinha visto esse lado seu.”

PATTINSON: Você acha isso uma coisa sexy?

ZENDAYA: Não. Eu não gosto de surpresas. Vamos ser francos com a loucura. Você é um bom juiz de caráter?

PATTINSON: No geral, meus relacionamentos são bem transacionais. [Risos] Eu só vou realmente falar com alguém, se eu quiser algo da pessoa.

ZENDAYA: [Risos] Eu estou tentando manter em mente que o seu humor… Nós precisamos traduzir isso para o papel, porque eles não podem ouvir o quanto você ri quando fala essas coisas. Muitas coisas são ditas com risinhos.

PATTINSON: Às vezes, eu não me importo como isso é interpretado. Também, eu nunca estou brincando totalmente. [Risos}

ZENDAYA: Diz ele brincando.

PATTINSON: Você acha que é possível conhecer 100% outra pessoa?

ZENDAYA: Eu não sei. Parece que eu estou respondendo todas as malditas perguntas, Rob!

PATTINSON: Justo – Eu estou, literalmente, tipo, “Qual uma piada estúpida para fazer?”

ZENDAYA: Que tal assim, você prefere romances com finais felizes, ou aqueles com finais dilacerantes?

PATTINSON: Eu já pensei sobre isso. Meus filmes românticos favoritos não são românticos. Eles são sobre términos, e eu nunca percebi isso. Você alguma vez já assistiu Amantes?

ZENDAYA: Eu acredito que não.

PATTINSON: Um filme tão incrível, mas é realmente triste. Aí eu estava pensando no filme do Luc Besson, O Grande Azul, e eles não ficam juntos no final. Todo filme que eu achava muito romântico, o casal não termina junto.

ZENDAYA: É verdade. Até Titanic.

PATTINSON: Quais são seus filmes românticos favoritos?

ZENDAYA: Pelo que você está dizendo, eles costumam ser devastadores, e isso faz parte de estar vivo. Muitos têm a ver com perda, e algo que aprendi conforme fui ficando mais velha é que grande parte da vida é perda, perder pessoas que você ama, viver o luto e atravessar isso. Então, de um jeito meio estranho, amor e perda andam de mãos dadas. Mas, como estamos na época de festas, tenho assistido muitas comédias românticas. Às vezes eu preciso que eles terminem juntos. Mas não existe um final de verdade. Quem sabe se daqui a 10 anos eles estão infelizes e divorciados? Acho que é sempre o mesmo filme, você só está acompanhando um momento diferente da vida das pessoas.

PATTINSON: Além disso, quando você começa um relacionamento com alguém, você decide qual vai ser a sua projeção, qual vai ser a narrativa sobre aquela pessoa. Meu Deus, eu estou literalmente tentando pensar sobre como eu penso sobre as coisas e estou começando a…

ZENDAYA: Você está tentando pensar sobre como está pensando? Você é tão eloquente. [Risos]

PATTINSON: Eu estava ouvindo um podcast ontem com um diretor e, quando escuto alguém eloquente, isso me deixa meio irritado. Fiquei pensando que a eloquência é uma espécie de ato classista. Pensei: há algo honesto em não conseguir se expressar. É proletário não conseguir dizer nada. Próxima pergunta. Você acha que ser uma figura pública dificulta desaparecer nos personagens?

ZENDAYA: Sim e não. Algo que eu admiro em você é que você guarda muita coisa da sua vida só para você, o que é lindo, especialmente tendo uma família. Estou aprendendo a equilibrar essas coisas. No fim das contas, você é uma figura pública, não há muito o que fazer, mas algumas coisas são para você e para quem você ama. E também é importante manter esse espaço, essa certa anonimidade, para poder interpretar outra pessoa sem que te coloquem sempre em uma caixa, quer dizer, acabamos de falar sobre ser eloquente. E aqui estou eu tropeçando nas palavras, tentando explicar o que quero dizer. Mas eu tento ter privacidade, não só pelos personagens, mas por mim mesma na vida real. Tento ser honesta com quem eu sou quando estou em público, mas também guardo coisas para mim. Não sei como você se sente em relação a isso. Você tem uma habilidade extraordinária de se transformar. Eu já vi isso de fora e de dentro. Como é a sua relação com isso?

PATTINSON: Quando eu estava fazendo Crepúsculo, houve uma reação cultural muito forte contra a franquia, quase ao mesmo tempo em que ela fazia sucesso. Então eu tive que lidar com as duas coisas. Eu realmente gostava de fazer os filmes, mas também havia uma máquina enorme de marketing por trás. Eu não queria que minha identidade pessoal ficasse misturada com aquilo, então tentei reforçar um pouco a minha individualidade, e isso acabou ficando comigo. Também foi interessante ficar famoso interpretando um personagem, no começo, as pessoas achavam que eu era aquele personagem.

ZENDAYA: Que estranho, imagino.

PATTINSON: Foi bem estranho, mas também me permitiu reagir a isso. E eu não era apegado àquela identidade, porque ela nunca foi minha para começo de conversa. É interessante usar a percepção pública sobre você como parte do desenvolvimento do personagem, porque você pensa: “Imagino que pelo menos algumas pessoas na plateia estejam esperando isso”, então dá para tornar a coisa mais dramática. Mas, ao mesmo tempo, você nunca sabe realmente o que as pessoas estão pensando. Muita gente é muito protetora em relação a “é assim que eu sou, essa é a minha identidade”, e eu nunca senti muito isso. Uma parte de mim tem muita certeza de quem eu sou, mas não acho estranho simplesmente acordar um dia e ser uma pessoa diferente. [Risos] Acho que é uma insegurança positiva. Meu Deus, estou imaginando como isso vai soar quando for publicado, e fico pensando: “Você parece tão…”

ZENDAYA: [Risos] Percepções públicas! Estresse!

PATTINSON: Fui à terapia uma vez e o terapeuta perguntou se eu estava usando drogas porque não conseguia entender o que eu estava dizendo. Eu respondi: “Estou fazendo o meu melhor.” [Risos]

ZENDAYA: Bom, eu achei que foi uma resposta muito esclarecedora.

PATTINSON: Achei que estava chegando a algum lugar. Entrei no barco e fiquei tipo…

ZENDAYA: “Não sei onde estou! Passo a palavra para você, Zendaya!”

PATTINSON: Quero descer agora! [Risos]

ZENDAYA: Introspecção demais!

PATTINSON: Ok. Se você pudesse lançar The Drama sem nenhuma divulgação e simplesmente deixar o filme existir por conta própria, o que você acha que aconteceria?

ZENDAYA: Não sei. Eu esperaria que as pessoas assistissem, mas, no fim das contas, a parte da promoção existe porque amamos a experiência de ir ao cinema e queremos mantê-la viva. Se fosse possível as pessoas simplesmente irem ver algo sem precisar promovê-lo, seria ótimo. Infelizmente, acho que essa não é a nossa realidade.

PATTINSON: Quando ouço atores falando sobre seus projetos, todo mundo me parece um gênio. Eu não consigo realmente comunicar o que estou tentando fazer. Em The Drama, por exemplo, tem aquela grande cena em que faço um discurso pra você, o número de vezes em que me sinto completamente insano… Eu sinto algo de forma tão profunda e tento explicar para o diretor ou para qualquer pessoa ao meu redor e ninguém entende. Estamos tentando interpretar um texto que já existe, e depois é tipo: ok, agora vá lá e tente…

ZENDAYA: Contar para outras pessoas?

PATTINSON: Eu fico tipo: “Eu não faço a menor ideia!”

ZENDAYA: Eu te entendo. Lembro que você realmente ficou bem mexido por causa daquela cena, mas onde você e o Kris chegaram ficou muito bonito. E acho que concordo com você. Também não sou sempre a melhor em articular ou me expressar. Mas eu não entro em um projeto pensando em como vou explicá-lo para as pessoas, é mais sobre como ele me fez sentir quando eu li. Algo acontece quando você começa a dar entrevistas: você precisa pensar sobre pensar a respeito daquilo, mas ao mesmo tempo precisa se desvincular, porque aquilo já não é mais só seu.

PATTINSON: Exato.

ZENDAYA: Esta é a nossa primeira entrevista, por isso está toda bagunçada, porque é a primeira vez que estamos tentando falar sobre fazer o filme. E a primeira entrevista é sempre tão difícil porque eu não sei.

PATTINSON: As pessoas vão ver esta entrevista junto com o ensaio de fotos e vão pensar: sobre o que eles estão falando?

ZENDAYA: Exatamente. O tema é: eu não sei.

PATTINSON: Qual é a coisa mais “Hollywood” em você da qual você, na verdade, sente vergonha?

ZENDAYA: Eu?

PATTINSON: É. Você não tem nada de Hollywood.

ZENDAYA: Eu diria que a minha maior futilidade típica de Hollywood é como eu trato meu cachorro. Ele come refeições chiques com suplementos de vitaminas. Parece muito ridículo quando eu falo sobre isso, mas eu amo meu filho. Essa é provavelmente a coisa mais “Hollywood” em mim: o padrão de vida do meu cachorro. Eu sou super na minha, e a maioria dos meus amigos próximos são minha família e pessoas que conheço literalmente desde que nasci. Mas sinto que, nos últimos anos, consegui fazer amizade com outros atores como você, cujo trabalho admiro e que acho pessoas muito legais. Então tem sido bom poder perguntar “Essa vida também parece estranha para vocês?” e ouvir “Ah, sim. Não sou a única que se sente assim”. E, às vezes, aquela sua reclamação ridícula, que faz as pessoas dizerem “Mulher, do que você está falando?”, faz todo sentido para alguém que diz “Não, eu entendo. Esse seu tempo de intervalo [entre gravações] (turnaround)”. Isso tem sido legal.

PATTINSON: Poder falar sobre o seu turnaround.

ZENDAYA: Eu fico tipo “Cara, estou exausta. Meu turnaround de novo”.

PATTINSON: Isso é ridículo.

ZENDAYA: Tão “Hollywood”. Mas entende o que quero dizer? São essas coisas específicas que você precisa explicar para alguém. Eu me sinto muito boba falando com as pessoas sobre o meu trabalho. Sim, eu sei o quanto é especial, mas também sei o quanto é bobo. “O que eu fiz hoje? Fingi que vomitava na frente de outros atores que fingiam estar enojados com o meu vômito falso”.

PATTINSON: [Risos] Um dia cansativo.

ZENDAYA: É tipo, do que você está falando?

PATTINSON: Você já assistiu Entourage?

ZENDAYA: Sim, já.

PATTINSON: Esse tipo de estilo de vida algum dia te atraiu?

ZENDAYA: Tô de boa. E você? Qual é a sua coisa mais “Hollywood”? Sinto que você é a pessoa “Hollywood mais não-Hollywood” que existe.

PATTINSON: Eu nunca sou realmente convidado. Estou sempre batendo na porta tipo “Ei, pessoal. Onde é a festa?” e todo mundo só fica mais e mais jovem. É assustador quando você não sabe mais quem é ninguém. Estou completamente fora do círculo.

ZENDAYA: [Risos]

PATTINSON: Esta pergunta é sobre a diferença entre trabalhar com Christopher Nolan, Denis Villeneuve e Kristoffer Borgli. É muito estranho termos feito todos esses filmes juntos, um atrás do outro.

ZENDAYA: Também é estranho porque, antes do ano passado, nunca tínhamos trabalhado juntos e depois você simplesmente não cansou de mim.

PATTINSON: O que você acha deles?

ZENDAYA: Não sei. Sou grata por ter tido as experiências mais legais em todos os três. É meio doido de processar.

PATTINSON: Eles conseguem lidar com muito estresse.

ZENDAYA: Esse é um ponto muito bom. Não passei tanto tempo com o Nolan, mas observar o Denis e ele, e a quantidade de pessoas pelas quais são responsáveis… Se me perguntarem o que quero no almoço, meu cérebro para de funcionar. Então, a quantidade de perguntas que eles respondem por dia é realmente impressionante. O que é legal no Kris é que ele está no início da jornada como diretor e é muito colaborativo, mas também muito claro sobre o que achava que funcionava ou não.

PATTINSON: No ensaio, ele dizia “Vamos todos discutir as coisas, mas eu vou te avisar quando você estiver errado”.

ZENDAYA: O que eu aprecio. Ele definitivamente tinha respostas para nós, mas você também fez perguntas demais. [Risos]

PATTINSON: Eu gostei muito de preparar The Drama com você.

ZENDAYA: Foi uma energia muito boa o tempo todo.

PATTINSON: Esta é a primeira vez que interpreto um inglês em muitos, muitos anos, e acho que fui mais agressivo com minhas ideias preconcebidas sobre certos tipos de ingleses. Para um personagem que não é realmente uma pessoa desprezível, eu fui muito agressivo com ele.

ZENDAYA: É, você pegou pesado com o Charlie. Eu fiquei tipo, “Nossa”.

PATTINSON: [Risos] Logo de cara.

ZENDAYA: Você é bom em dizer não?

PATTINSON: Acho que sim.

ZENDAYA: Diz o homem que não parou de trabalhar desde…

PATTINSON: Me dizem que sou muito avesso a confrontos, mas quando digo não, só quero dizer parcialmente. Meu “não” é um “sim” disfarçado.

ZENDAYA: Eu quero evitar confrontos. Quero fazer as pessoas felizes, então se eu tiver que fazer algo para deixar tudo bem, eu provavelmente farei. Mas geralmente sei bem rápido se quero fazer algo ou não quando leio um roteiro. Li este e pensei “É, eu quero fazer isso”. Não sei se você tem o mesmo problema com roteiros, mas eu realmente luto para conseguir terminá-los. Não sei se é um problema de tempo de atenção.

PATTINSON: Você acha que o filme acabou ficando diferente do que você achou que seria?

ZENDAYA: Estou muito feliz com ele. É melhor do que o que eu poderia ter imaginado na minha cabeça. Eu realmente aprecio o jeito que o Kris edita. Há cortes estranhos que criam ótimos momentos cômicos e um constrangimento e desconforto que eu nem lembrava de estarem no papel. E você?

PATTINSON: Estou ansioso para assistir de novo, o que é estranho para mim.

ZENDAYA: Você geralmente não gosta de assistir seus filmes?

PATTINSON: Não, eu não sou um purista. Consigo relevar as coisas com bastante facilidade, a não ser que eu esteja muito ruim no filme. É muito emocionante, especialmente quando se trata de grandes produções. Quando estávamos filmando Dune, eu pensava:

ZENDAYA: “Isso é muito diferente do que estávamos fazendo agora.”

PATTINSON: É, e tipo: “Não tenho a menor ideia de como isso vai ser feito.” Mas com esse filme, eu estava bastante envolvido. É raro ter um período de pré-produção como o que tivemos nesse, em que realmente discutimos e debatemos sobre ele. Isso faz com que você se sinta bastante envolvido com o produto final, e acho que é por isso que fica mais difícil promovê-lo, porque eu não sei o que eu diria sobre esse filme para fazer alguém assisti-lo. Acho que vai depender inteiramente de como as pessoas reagirem ao trailer.

ZENDAYA: Com certeza. E eu também não saberia como classificá-lo. Comédia romântica dramática?

PATTINSON: Não sei. Também gosto do mundo em que eles vivem. Eu gosto muito dos apartamentos. [Risos]

ZENDAYA: Concordo. Gosto das roupas. [Risos]

PATTINSON: Eu levei todo o meu guarda-roupa.

ZENDAYA: Você deu uma volta de 360 graus de odiar o Charlie a “Ele é muito legal e estou interessado na vida dele.”

PATTINSON: Literalmente ontem à noite, eu estava com muita vontade de usar um óculos falso.

ZENDAYA: [Risos] Você era totalmente contra eles no começo. Vamos ver. “Depois de trabalharmos juntos em três filmes, qual hábito meu você pegou?” Posso responder isso porque tenho te observado. O Tom tem razão, você ri de tudo o que diz, então é muito difícil saber quando você está falando sério e quando não está. Aí você começa uma frase e fala muito rápido, e depois se interrompe e diz: “Deixa pra lá”. E no fim você sempre acaba falando, mas eu tenho que ficar tipo: “Não, o que foi, Rob? O que você está pensando?”

PATTINSON: Isso soa terrível. Nem é verdade. [Risos]

ZENDAYA: Você fica tipo: “Foi estúpido, estúpido. Foi estúpido”. E aí, no fim, é uma coisa boa, uma conversa normal, ou uma observação sobre a cena, e eu penso: “É, boa ideia”. Você analisa as coisas.

PATTINSON: Eu não fazia muito isso em Dune.

ZENDAYA: Não, não, não. Você estava tranquilo naquele filme.

PATTINSON: O que eu notei em “The Drama” foi que você vem no seu dia de folga, fica olhando o monitor e conversa com todos os chefes de departamento. É muito impressionante. Eu literalmente não consigo funcionar. Só consigo ter pequenas explosões de energia. Tive que ir deitar no meu divã.

ZENDAYA: É, eu adoro o que fazemos e é um dos meus lugares favoritos. Você devia experimentar um dia.

PATTINSON: A gente continua fazendo todos os filmes juntos, então vai parecer que eu estou te copiando.

ZENDAYA: Vou contar para todo mundo que você está me seguindo para o trabalho, tipo: “Você nem trabalha hoje, Rob. Que merda é essa? Para de ser estranho.”

PATTINSON: Nós não estamos trabalhando. A gente fica tipo: “Deixa eu só ficar olhando o monitor por cima do seu ombro.”

ZENDAYA: Bom, acho que fizemos um bom trabalho nos entrevistando.

PATTINSON: Meu Deus. É melhor que tenham um bom editor.

ZENDAYA: É, alguém precisa cortar essa merda.

PATTINSON: Legal, cara. A gente se fala depois.

ZENDAYA: Nos vemos nos próximos sete filmes que fizermos.

Fonte | Tradução: Amanda, Glória Mel, Iarlla, Maria Luísa e Mayara (Equipe RPBR)

A “Icon America”, traz Robert Pattinson na capa da edição de Outubro e liberou algumas imagens do novo ensaio fotográfico que foi feito com exclusividade para a revista. No instagram oficial, eles deram uma prévia do que vem por aí. Veja abaixo as fotos do ensaio e a tradução do texto postado por eles.

Você está Robcecado? Na última década e meia, #RobertPattinson conquistou o que poucos atores conseguem — uma ascensão arrebatadora e de tirar o fôlego vivendo um vampiro cuja fama rivaliza com a do próprio Drácula — Em seguida, veio o salto muito mais difícil para uma carreira sustentável, diversa e de destaque. De protagonista de “The Batman”, à sua atuação aclamada com potencial para o Oscar em “Mickey 17”, Pattinson é hoje uma das estrelas de cinema mais imprevisíveis de Hollywood.

Agora, contracenando com a vencedora de Melhor Atriz #JenniferLawrence no thriller psicológico de Lynne Ramsay “Die My Love”, o próximo trabalho de Pattinson chega aos cinemas em novembro. Sua atuação, como sempre, é inesquecível — e de fato, de tirar o fôlego.

Após sua sessão de fotos de capa com Ryan McGinley (@ryanmcginleystudios), Mathias Rosenzweig (@mathiasrosenzweig), a ICON conversou com Pattinson sobre Lawrence, o cenário mutável de Hollywood e seu papel mais significativo (e talvez surpreendente) até agora: a paternidade.

O site Tom and Lorenzo, trouxe alguns trechos da entrevista que será divulgada na entrevista.

“Em um certo momento, eu realmente queria interpretar caras normais. E, na verdade, é meio difícil interpretar uma pessoa normal quando você está acostumado a fazer papéis de esquisitos e coisas do tipo.”

“Eu tenho muito mais paciência. É engraçado, nem é questão de paciência; eu genuinamente gosto de passar tempo com bebês. Isso me surpreendeu.” (Sobre se tornar pai)

“Tem um momento em que o cachorro faz xixi no chão, e eu simplesmente acuso a Jen de ter feito xixi no chão. Esse tipo de indignação me atrai. Estar numa discussão, gritando com a Jennifer Lawrence, dizendo: ‘Foi você! Foi você que fez xixi!’”

Em certo ponto — talvez quando você chega aos 30 — você percebe: “Não posso ficar sentado esperando meu agente ligar. Eu vou morrer assim.”

“Acho que ninguém trabalha mais do que os estilistas. É o cronograma mais intenso que eu já vi. Se você olhar para os estilistas e quantos desfiles eles têm que apresentar, é uma loucura. Você tem que ser tipo o Superman para conseguir funcionar nesse nível.”

Tradução: Ana Paula Oliveira

Robert Pattinson é capa da edição de Fevereiro da conceituada revista Vanity Fair (versão italiana). Nossa equipe traduziu com exclusividade a matéria postada no site da revista, onde Rob nos conta como foi filmar com Bong Joon Ho, como foi interpretar duas versões do mesmo personagem e sobre seu par romântico no filme, Nasha, interpretada pela atriz Naomi Ackie.

Robert Pattinson: “Queria ser um herói (e em vez disso, em Mickey 17, morri 17 vezes)

Enquanto em Mickey 17 ele interpreta um homem que morre e é continuamente clonado, o ex-vampiro mais famoso do mundo nos conta como foi filmar o filme mais louco da temporada ao lado de Bong Joon Ho (sim, o diretor de Parasita). Primeira regra: nunca se levar muito a sério.

Robert Pattinson tem um talento para papéis que desafiam a lógica e a gravidade, tanto a terrestre quanto a emocional. Desde os dias em que era o vampiro atormentado de “Crepúsculo” o papel que o transformou em um ídolo teen global, mas do qual ele conseguiu escapar a tempo — até os personagens sombrios e complexos de “O Farol” ou “Bom Comportamento”, Pattinson construiu uma carreira baseada em projetos que desafiam as expectativas.

Mas quando teve em mãos o roteiro de Mickey 17, dirigido por Bong Joon Ho, vencedor do Oscar por Parasita, e com estreia marcada para 6 de março na Itália, ele percebeu imediatamente que estava diante de um novo nível de loucura criativa.

“É o clássico Bong Joon Ho: pura tragicomédia, um gênero que quase ninguém ousa mais tocar”, conta Pattinson. “Comédia, ficção científica, tragédia, tudo misturado de um jeito que parece arriscado, mas que no fim funciona. E ainda tem o fato de interpretar duas versões de mim mesmo. No começo, você pensa: ‘Ok, entendi’. Mas aí começa a se aprofundar no roteiro e percebe: ‘Meu Deus, como diabos vou fazer isso?’. Mas Bong, claro, já sabia.”

E assim o ator se transformou em Mickey Barnes, um personagem que ele descreve de forma bem-humorada como “um confeiteiro fracassado”. Ou melhor: “Ele tentou fazer macarons na Terra, mas faliu. Acabou se endividando com gente pouco recomendável e, para fugir dos credores, foi parar no espaço. O problema é que não leu o contrato: assinou para uma vida como clone descartável. Toda vez que morre, é substituído por uma nova versão de si mesmo. É um inferno, mas para ele, ainda assim, é um avanço em relação à sua vida anterior.”

A trama de Mickey 17, inspirada no romance Mickey 7 de Edward Ashton (publicado na Itália pela Fanucci), segue Mickey Barnes, um homem comum que, para fugir dos credores que o perseguem na Terra, assina um contrato para se juntar a uma missão de colonização espacial.

O que ele não entende no início é que seu papel será o de “material descartável”: escolhido para as tarefas mais perigosas, toda vez que morre, é clonado e literalmente reimpresso por meio de uma impressora 3D, com todas as memórias intactas, para continuar a missão.

Mas as coisas se complicam quando Mickey 17, a décima sétima versão de Mickey, após um mal-entendido, descobre que seu clone, Mickey 18, já foi ativado. Os dois acabam compartilhando o mesmo espaço, a mesma missão, a mesma namorada e, acima de tudo, a mesma identidade.

“O maior desafio foi tornar os dois personagens distintos”, explica o ator. “Estamos em uma nave espacial, e não há muitos outros membros da tripulação, então eles não podiam ser muito diferentes dos outros personagens. Mas, ao mesmo tempo, precisavam ser claramente distinguíveis para o público. No fim, percebemos que bastava pouco: um olhar, uma expressão. É incrível como funciona – o público entende imediatamente quem é quem.”

Pattinson não esconde sua admiração por Bong Joon Ho, a quem define como “um gênio com uma visão única”.

“Eu estava extremamente nervoso quando o conheci pela primeira vez”, admite. “Não sabia nada sobre o projeto, e ele é uma figura lendária. Mas nosso encontro foi divertidíssimo: Bong ficava dando voltas na trama sem revelar nada, e tudo era transmitido por meio de um tradutor. Foi um encontro meio bizarro, mas gostei dele de imediato.”

No set, a atmosfera era descontraída, apesar da complexidade do projeto. “Não falamos muito sobre o personagem ou a história”, conta Pattinson. “Jantamos juntos algumas vezes, mas, na maior parte, conversávamos sobre futebol. Quando você está em um set tão grandioso — uma nave espacial gigantesca, um planeta diferente, um elenco e uma equipe enormes — espera-se ficar mais nervoso do que realmente se fica. Mas há algo especial na atitude do Bong: ele está sempre calmo, parece até se divertir com tudo. Ele faz você sentir que nada vai dar errado. Todos confiavam nele, e foi um set realmente agradável.”

Um dos elementos mais envolventes do filme é a relação entre Mickey e sua namorada, Nasha, interpretada por Naomi Ackie.

“Naomi é divertidíssima, imprevisível e selvagem”, diz Pattinson. “Eu nunca sabia o que ela iria fazer. Mas, ao mesmo tempo, ela tem um calor humano incrível. A relação entre Nasha e Mickey é estranha: Mickey nem é completamente humano, e ainda assim Nasha parece não se importar. Ela vai além das aparências de uma maneira extrema. Talvez ela goste só da embalagem e não se importe com o que tem dentro”, brinca ele.

A dinâmica entre os dois personagens acrescenta ainda mais profundidade à história, permitindo explorar temas como identidade, aceitação e amor em condições extremas. Nasha representa uma espécie de farol para Mickey, um ponto de referência em um universo caótico e muitas vezes cruel.

Mickey 17 é um filme que faz rir e refletir ao mesmo tempo, um misto de reflexões filosóficas e situações surreais. Quem é o verdadeiro Mickey? Morrer de fato é apenas um contratempo superável? Será que todos somos potencialmente descartáveis como ele?

No comando da expedição está uma dupla que, graças ao carisma e à atuação, sustenta boa parte do filme: os vilões Kenneth Marshall e sua esposa Gwen. Interpretados pelos excepcionais Mark Ruffalo e Toni Collette, eles são, de certa forma, a versão de Bong Joon Ho dos tecno-políticos à la Elon Musk. E não, não têm qualquer escrúpulo ético, seja na colonização de um novo planeta ou na busca por novos ingredientes para usar na cozinha.

“Bong tem uma perspectiva única sobre o mundo”, conclui Pattinson. “A gente pensa que, para se conectar com um grande público, é preciso alguém muito acessível, mas Bong é um cara incomum. Ainda assim, ele consegue fazer com que todos vejam as coisas do seu ponto de vista, e isso é o sinal de um verdadeiro artista. Todos os seus filmes são incrivelmente únicos, e ninguém mais poderia tê-los feito.”

Fonte | Tradução: Maya Fortino

Robert Pattinson está na maratona de divulgação de Mickey 17 e da nova fragrância da Dior ao mesmo tempo, e com isso, estão surgindo diversas entrevistas sobre ambos os assuntos. Nossa equipe traduziu o scan da conceituada revista Vanity Fair deste mês, onde ele fala um pouco sobre o filme, e um pouco sobre o perfume. Leia abaixo a tradução completa da entrevista feita por nossa equipe, e o scans em nossa galeria de fotos.

VOLTANDO PARA CASA
Robert Pattinson tem sido o rosto da Dior Homme por mais de uma década. Com uma campanha nova em folha para a nova fragrância, e um papel principal em Mickey 17, o ator aproveita um momento para refletir.

A estrela de Robert Pattinson está de volta em órbita. Antes de retornar para as telonas nesta primavera com Mickey 17, uma ficção-cientifica de humor negro do cineasta ganhador do Oscar, Bong Joon Ho, ele aparece como um homem sexy comum em uma nova campanha Dior Homme.

Pattinson disparou para a fama mundial com a Saga Crepúsculo, e aquela vibe vampiresca obscura, temperamental, enigmática – e moldou o seu começo sob os holofotes. Mas quando ele aparece em seu dia-a-dia vestindo um moletom Supreme, com o cabelo apontando em todas as direções, isso parece ser um peso mais leve sobre os seus ombros. “Todo mundo tem síndrome do impostor em algum nível, mas por muito anos eu tive muita inveja das pessoas que eu via se sentindo muito confortáveis consigo mesmas, especialmente quando estavam em atuando. Por que eu não posso me sentir assim? Talvez seja apenas um dom natural e eu gostaria de ser desse jeito, blá blá blá. Eu passei um longo tempo tentando me livrar da ansiedade,” ele disse. “E eu acho que depois de tantos anos fazendo algo, você percebe, ah, não dá para realmente se livrar da ansiedade, mas você pode transformá-la e usá-la como energia. Minhas inseguranças sobre tudo que envolve ser um ator se tornaram o meu radar para o que fazer.”

Depois de trabalhar com a Dior por mais de 10 anos, Pattinson até mesmo abraçou o fato de ser o rosto de uma fragrância. “Eu fui muito claro sobre o que eu queria fazer na primeira campanha, porque eu realmente sabia o que eu não queria fazer: uma encarada para a câmera, algo do tipo heyyy fragrância sexy,” disse ele com uma risada. “Então isso tem uma energia de que você está lutando contra isso. Eu tipo que me acomodei um pouco mais nisso, então eu acredito que tenha mais sensualidade. Parece mais maduro. Há algo de romântico nisso, o que é de certa forma bem doce.”

A última essência Dior é uma reimaginação da sua composição original de 2005, do diretor de criação de perfumes Francis Kurkdjian, que usa a planta da íris desde a flor até a raiz, para um aroma fresco e sensual. “Há uma proximidade com isso,” Pattinson diz. “Eu realmente não gosto muito de ter uma essência onde, assim que você entra em um recinto, todos ficam, ah, você está usando perfume. Tem algo nele que combina com a sua essência natural muito bem. Não é excessivamente intrusivo. É mais uma coisa de aura.”

O próprio Pattinson fica atmosférico interpretando um astronauta regenerativo em Mickey 17, que estreia ainda esse ano após alguns problemas com o lançamento. “Eu gosto de como normaliza a viagem espacial,” diz o ator, que desde o seu último filme teve uma filha com a sua parceira Suki Waterhouse. “Isso me lembra de quando vieram todas essas histórias novas, basicamente dizendo que existem alienígenas na terra, depois de anos e anos e anos. E todo mundo esqueceu. Eles estão no TikTok 2 segundos depois. Essa é a atitude sobre viagens espaciais,” Pattinson continua “Não é como o que você normalmente vê em filmes de ficção científica, onde tem uma gravidade sobre isso. Com Mickey, é a mesma merda de sempre. Você ainda tem um chefe horrível. Não tem nenhuma trégua do outro lado do universo. É pior.”

Dada a ambivalência do filme sobre o espaço, não é surpreendente que Pattinson não tenha nenhuma vontade de viajar para outros planetas. “Minha falta de imaginação,” ele começa, “mesmo quando você vê alguém em uma nave espacial: Okay, então você está em uma nave espacial e você só olha para as janelas. O quão diferente isso seria de assistir TV ou assistir um protetor de tela? Além de poder contar para as pessoas. Eu não me importaria de fazer um passeio especial, mas estar numa nave espacial? Eu acho que prefiro ter um cachorro.”

Tradução: Amanda Agostinho e Iarlla Vieira

Robert Pattinson estampou a capa da revista americana do “The New York Times” da edição de Dezembro/2024. Além de fotos inéditas de um novo ensaio, nosso ídolo deu várias declarações pra lá de interessantes! Nossa equipe traduziu essa nova entrevista, na íntegra com exclusividade! Mas antes, apreciem as fotos dessa linda sessão de fotos!

Seria Robert Pattinson “A Última Verdadeira Estrela do Cinema”?
Ele pode ter desejado ser um ator, sem ser uma celebridade. Mas, então, ele transformou a sua fama em seu próprio tipo de performance.

Foi de Robert Pattinson a ideia de fazer uma aula de cerâmica. Desde que se tornou pai em março passado, o ator inglês de 38 anos tem procurado o que ele chama de “hobbies saudáveis”. Ele já considerou bonsai (“eles começam a apodrecer”), trapézio (“não dá para fazer isso em público”), tênis (“não tenho noção de espaço suficiente”), e dança (“minha medula espinhal congela”). Duas décadas em sua carreira de filmes, ele parece agitado por novas formas de expressar a si mesmo que não demandem uma equipe de centenas de pessoas, ou qualquer bagagem que venha com o fato de ser um dos homens mais famosos do mundo. Em anos recentes, ele inventou um prato bastardo parecido com arancini, chamado piccolini cuscino, ou “travesseirozinho” (“eu aprofundei muito nisso com um fabricante de alimentos congelados”); um sofá de quase 3m com braços de descanso quase tão largos quanto o assento (“Aquilo pesa uma tonelada – provavelmente uma das razões de ser tão difícil de vender”); e calças com bolsos verticais (“Porque eles sempre que ficar pra fora, como pequenas orelhas estranhas?”). Ele também está projetando uma cadeira de encosto reto com uma fenda atravessando o centro da poltrona e que “se abre como se você estivesse em um tipo de casulo”, ele diz. Para ilustrar a ideia, ele construiu uma maquete com um sex toy (brinquedo sexual) da FleshLight e um rolo de papel higiênico vazio.

Em uma tarde cinza de agosto, eu encontrei com o ator na casa de um de seus amigos na De Beauvoir Town, uma vizinhança frondosa à nordeste de Londres onde ele e sua noiva, a atriz e musicista inglesa Suki Waterhouse, estão em estadia com sua filhinha enquanto estão visitando de Los Angeles, e caminhamos até um estúdio de cerâmica a cerca de 1,6km rua abaixo. Em uma semana, Waterhouse, 32, vai abrir um show para Taylor Swift no Wembley Stadium, cantando músicas do seu recentemente lançado segundo álbum, “Memoir of a Sparklemuffin”. Até lá, Pattinson estará no Canadá gravando um filme com Jennifer Lawrence, mas primeiro ele gostaria de regravar uma narração para o seu próximo filme Mickey17, uma sátira distópica dirigida por Bong Joon Ho, o diretor sul-coreano e vencedor do Oscar por “Parasita” em 2019. Por agora, contudo, Pattinson está debruçado em uma mesa de trabalho esculpindo à mão uma caneca com uma alça distintamente fálica. “É uma cenoura gigante”, ele esclarece – um presente para os seus anfitriões. “Eles devem gostar muito de cenoura”, eu digo, mas a brincadeira não é percebida. “Eu só acho que seria muito satisfatório ter um copo tão largo assim”, ele diz. E quando eu começo a pensar que o ofendi, ele se inclina para trás para admirar o seu trabalho. “Isso tem um pouco de curvas”, ele diz com um sorrisinho. Fazer um pênis de cerâmica de forma intencional em frente a um jornalista não é apenas uma escolha, é um desafio. “Eu amaria ver como você usaria isto”, ele conta.

Apesar de aparecer em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005) aos 17 anos, e virar uma fixação da mídia alguns anos depois por interpretar um vampiro romântico em todos os cinco filmes da série Crepúsculo – no ápice do sucesso da franquia, ele alugava carros como isca e se escondia em porta-malas para evitar ser cercado por fãs e paparazzis – Pattinson é surpreendentemente desprotegido. Ele não leva o seu ofício ou a si mesma muito a sério: em um intervalo de 30min, ele me conta que é ignorante, frágil, aterrorizado, ego maníaco, terrível, cheio de ódio e vaidoso. O único recorte de revista pendurado na parede de seu quarto de infância em Londres, é uma cópia emoldurada de uma edição da People Magazine’s Sexiest Man Alive, de um ano que ele sequer foi incluído (George Clooney lhe deu como uma brincadeira). Recentemente, ele desenterrou seus prêmios de atuação e os colocou em uma estante; e depois de alguns dias, ele os devolveu para o depósito.

São tempos estranhos para ser um ator de Hollywood. No começo da carreira de Pattinson, a ascensão das mídias sociais destruiu a economia dos tabloide – o que, mesmo que fosse invasivo, mantinha as pessoas falando sobre ele. (“Foi uma época insana,” disse o seu amigo Zac Efron, 37, que em 2006 estrelou em High School Musical. “Eu estava preocupado em fazer com que ele estivesse bem, porque eu sabia o que aquilo estava fazendo comigo.”). Em 2020, o filme sobre viajem no tempo de Pattinson, Tenet, dirigido por Christopher Nolan, foi usado como um balão teste para determinar se o público retornaria aos cinemas depois que as restrições da pandemia começaram a amenizar. (Não voltaram). E embora seu filme de super-herói, The Batman, tenha estreado em 2022, o segundo na sequência da trilogia de Matt Reeves provavelmente não será lançado até o outono de 2026, parcialmente devido às graves do último ano. “Eu poderia verdadeiramente estar me aposentando até o fim deles,” diz Pattinson.

Para muitos dos seus colegas, as marcas registradas do que uma vez era considerada uma carreira de sucesso – a segurança de um papel em uma franquia com um grande diretor; o prestígio de algum trabalho em filmes indies aclamados; a liberdade de experimentar qualquer gênero; o poder de dizer não para a televisão – parecem agora impossíveis e antiquados. Não é o bastante para os grandes nomes de hoje apenas entregar uma performance convincente; é também esperado que eles aprendam coreografias do TikTok e comam asinhas de frango apimentadas no YouTube. E embora ainda existam homens em papéis principais que vêm de uma tradição artística – Timothée Chalamet, Adam Driver, Daniel Kaluuya – eles correm um risco, especialmente em uma época de apontar de dedos, quando figuras públicas estão com medo de serem muito autênticas, de acabarem parecendo semelhantes fracos dos homens difíceis que uma vez os inspiraram. Se Marlon Brando estivesse vivo atualmente, até mesmo ele teria que memorizar suas falas; haveria muitos namoradinhos da internet (Michael B. Jordan, Charles Melton, Paul Mescal) prontos para substituí-lo.

Para sua própria surpresa, Pattinson, que raramente faz aparições públicas e não tem perfil em redes sociais, emergiu como uma das últimas estrelas de cinema. “Nem em um milhão de anos eu pensei que ainda estaria fazendo isso quando consegui meu primeiro trabalho,” disse ele, “Eu não posso acreditar que eu ainda estou fazendo isso.” Por conseguir evitar os clichês da fama jovem, ele também manteve uma certa misticidade; ele não decaiu em vícios, tampouco teve que passar sua fase adulta tentando provar sua credibilidade. (Mesmo nesse ponto, ele ocupa um lugar não usual: ao contrário de atores metódicos como Christian Bale ou Jeremy Strong, que frequentemente aparentam bastante gravidade, ele não é um deprimido.) Talvez porque ele começou bem jovem, ou porque ele é lindo e esquisito, ele consegue ter as duas coisas: Como os galãs que emergiram durante o boom indie nos anos 90 – Johnny Depp, Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Keanu Reeves -, ele é um ator que, aconteceu, de se tornar um protagonista. Escrevendo para o The Times, a crítica de cinema Manohla Dargis descreveu Pattinson em 2019 como tendo uma “das fisionomias mais hipnotizantes – e agradavelmente enervantes – em filmes,” notando que em uma de suas performances, seus olhos “se arregalaram com protuberâncias e tremiam com emoções que pingavam sob uma máscara de vazio.” Ao invés de se apegar a um arquétipo – por um tempo, ele correu o risco de interpretar de forma perpétua o namorado pensativo -, ele aborda cada papel, sendo um pastor escorregadio no filme de Antonio Campos, O Diabo de Cada Dia (2020) ou um pássaro falante em The Boy and the Heron, de Hayao Miyazaki (2023), com uma convicção bizarra. “Se você aparece com uma ideia forte,” disse ele, “as pessoas não têm outra escolha além moldá-la.”

Parte do seu charme vem do fato de ser britânico; como Charlie Cox, Jamie Dornan, Andrew Garfield e Eddie Redmayne, todos os quais Pattinson fez amizade no começo de sua carreira, ele tem uma qualidade masculina que o torna mais envolvente que suas contrapartes americanas. (Ele não soa desonesto quando, por exemplo, reclama sobre ter má postura ou parece estar “se escondendo atrás de uma cortina” em muitas roupas masculinas.) Em seus primeiros filmes, ele se sentiu ansioso e deslocado. “Eu não conseguia definir o set de forma apropriada,” disse ele. “Eu não percebia que você deve desenhar uma linha entre o mundo do filme e o mundo da realidade.” Desde então, ele começa cada um dos seus filmes com uma caminhada pelo set de filmagens e tocando as paredes. “Eu sei quais são os parâmetros, e isso faz você se sentir mais seguro.”

Pattinson parece querer ser ator sem precisar lidar com o peso de ser uma celebridade — mas a fama, em si, funciona como uma espécie de performance, algo que ele aprendeu a encenar para sobreviver. Recentemente, ele reassistiu a uma entrevista que deu em 2011, onde contou uma história completamente inventada sobre ter visto um palhaço morrer na explosão de um carro quando era criança. “Minha voz não tinha nenhuma hesitação”, ele comenta, misturando orgulho e espanto. “Fiquei pensando: ‘O que foi isso? Você estava possuído?’”. Na verdade, ele só estava entediado. (Entre outras mentiras que já contou a jornalistas estão: que foi modelo de mãos femininas, que existe uma cena deletada de “Crepúsculo” envolvendo coprofilia e que afastou uma stalker levando-a para jantar e esgotando-a ao contar seus problemas). “Naquela época, a única coisa que as pessoas me perguntavam era sobre como era ser famoso. Você entra em um estado meio automático”, ele explica. Enquanto fala, Pattinson ajusta uma xícara que está modelando em argila, remove o excesso da alça que havia ficado exagerada e sorri. Mesmo nos momentos mais sinceros, ele está sempre, de alguma forma, interpretando.

No último Réveillon, Pattinson e sua namorada, Suki Waterhouse, viajaram para São Vicente e Granadinas, no Caribe. No controle de passaporte, o agente de imigração comentou: “Ei, você é o cara de ‘Crepúsculo’. Por que parou de atuar?”. Pattinson não sabia como responder. “Eu fiquei tipo… ‘Eu sou o Batman?’. “Ela só riu”, ele conta. Para ser justo, os fãs de seus primeiros trabalhos provavelmente não estavam interessados em assistir à biografia da cartógrafa Gertrude Bell, dirigida por Werner Herzog (“Rainha do Deserto”, de 2015), ou a um filme experimental de Brady Corbet baseado em um conto de Jean-Paul Sartre (“A Infância de um Líder”, do mesmo ano).

Em 2012, alguns meses antes da estreia de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer — Parte 2”, último filme da série, Pattinson interpretou um gerente de fundos bilionário em uma adaptação do romance de 2003 de Don DeLillo, “Cosmópolis”, sua primeira de duas colaborações com o diretor David Cronenberg. Grande parte da trama, incluindo um exame de próstata com conotações eróticas, acontece no banco de trás de uma limusine. “Eu costumava pensar: ‘Preciso entender a lógica de onde esse personagem nasceu, sua classe social, o que os pais dele faziam’”, lembra Pattinson. “Com Cronenberg, percebi que pode ser mais sobre a musicalidade das palavras e qual a sensação ao dizê-las.” Em 2017, ele viveu um criminoso de baixo escalão no thriller policial “Bom Comportamento”, um estudo de desespero quase selvagem dos irmãos Safdie. E em 2019, cerca de uma hora após o início de “O Rei”, de David Michôd, baseado em peças históricas de Shakespeare, ele apareceu como um delfim sádico com um sotaque francês absurdo, fazendo gestos obscenos e entregando os diálogos mais ridículos e diabólicos do filme.

O cineasta americano Robert Eggers, que dirigiu Pattinson e Willem Dafoe em “O Farol” (2019), um filme de terror sobre dois faroleiros do século 19 que enlouquecem, diz que “Rob gosta de fazer escolhas inesperadas para surpreender seus colegas de cena e guarda isso para o momento em que as câmeras estão ligadas”. Durante as 35 filmagens em Nova Escócia, Pattinson, cujo personagem se masturba pensando em uma sereia e é devorado por gaivotas, raramente falava com alguém no set e passava a maior parte do tempo sozinho em uma tenda escura praticando expressões faciais grotescas. “O principal é lembrar constantemente qual é o seu trabalho”, diz ele. “É uma disciplina não gastar sua energia com nada além disso”.

No caminho de volta para a casa do amigo de Pattinson, algumas nuvens se formaram, e ele tirou os óculos escuros. Apesar de seus dois filmes mais recentes, “Tenet” e “The Batman”, terem arrecadado juntos 1 bilhão de dólares, e dele ser modelo da Dior Homme desde 2013, aparecendo em outdoors e pontos de ônibus, ele passou por uma fileira de pubs movimentados sem ser notado. Agora que está mais velho, a histeria diminuiu. “Há algo na natureza de ser novidade”, ele diz. “Eles pensavam: ‘Você nem é humano.’” Bruce Wayne, o industrial de Gotham City que vinga o assassinato dos pais combatendo o crime, é um dos personagens mais icônicos do cinema — Pattinson ainda tem a fantasia que usava quando criança —, mas na nova versão, pelo menos até agora, ele quase nunca aparece sem máscara. “Essa foi minha única ideia para o Bruce”, diz Pattinson. “Até agora, ele foi retratado como um playboy. Mas e se ele fosse completamente anti-social e meio agorafóbico?”

Há uma cena em “The Batman” em que Bruce diz a Alfred, seu mordomo e figura paterna, sobre o peso de ter um alter ego. “Se eu não puder mudar as coisas aqui, se eu não puder causar algum impacto,” ele diz, “não me importo com o que aconteça comigo.” A frase marcou Pattinson; ele também, claramente, se pergunta o que aconteceria se ele parasse de tentar corresponder às expectativas ou desconstruir a persona que criou para si mesmo. Desde cedo, ele percebeu que era apenas uma projeção das fantasias de outras pessoas. “Eu estava muito ciente,” ele diz, “de que ninguém realmente queria saber realmente nada sobre mim.” Quando pergunto a Pattinson como ele era quando criança, ele para de caminhar. “Eu… não sei,” ele responde. Em outro momento da nossa conversa, ele compara seu eu mais jovem a uma tigela perfeitamente aceitável, mas completamente esquecível, que ele teria esculpido: “Apenas… estava ali.”

Pattinson cresceu em Barnes, um belo subúrbio no sudoeste de Londres. Sua mãe, Clare, era caça-talentos de modelos. Seu pai, Richard, vendia carros vintage. Ele era um aluno mediano e péssimo em esportes, mas gostava de ouvir e tocar música. “Roubar coisas era minha principal preocupação”, ele diz, referindo-se, principalmente, a revistas pornográficas e barras de chocolate. (Mais uma vez, suas histórias podem ser difíceis de confirmar.) Aos 15 anos, Pattinson, que tem duas irmãs mais velhas, entrou em um grupo de teatro local. Pouco tempo depois, conseguiu ser aprovado para interpretar o filho de Reese Witherspoon em “Vanity Fair”, de Mira Nair, uma adaptação de 2004 do romance de William Makepeace Thackeray, ambientado na sociedade inglesa do século XIX. Só na estreia do filme ele descobriu que suas cenas haviam sido cortadas da edição final. No ano seguinte, o diretor de elenco desse filme, que ficou com pena dele, o indicou para o papel de um bruxo em “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, de Mike Newell.

Naquela época, ele e seu amigo de infância Tom Sturridge, também ator, alugaram um apartamento na Old Compton Street, no coração de Soho. “Foi o apartamento mais nojento que já vi”, lembra Pattinson com carinho; ele tem quase certeza de que estavam bêbados quando assinaram o contrato. Todo mês de janeiro, Pattinson, que não tinha formação formal em atuação, viajava com Sturridge para Los Angeles durante a temporada de testes, mas nunca conseguiu nada. Em casa, passava a maior parte das noites tocando músicas no violão em eventos de microfone aberto pela cidade. Durante o dia, fazia audições para projetos como “Tróia” (2004) e “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” (2006). Ele chegou atrasado e com o lábio machucado — por beijar, não por brigar — para o teste do papel principal no filme de fantasia “Eragon” (2006). “Tem uma cena em que ele encontra um ovo de dragão e deveria ser um momento heróico,” conta o ator, que decidiu interpretá-lo como uma tragédia. “Lembro do meu agente dizendo que achavam que eu estava drogado.” Embora tenha deixado que acreditassem que ele era um traficante na escola — o boato, iniciado por ele mesmo, era de que escondia seu estoque em disquetes —, ele nunca foi tão descontrolado quanto alguns de seus colegas. “Haviam muitas festas diferentes em L.A.”, ele diz. “A ideia de ter que entrar em um carro e dirigir 15 minutos para ir a qualquer lugar me fazia ficar em casa. E aí você enlouquece completamente.”

Sobre “Mickey 17”, que estreia em abril, o personagem de Pattinson, é um membro da tripulação em uma missão de colonização espacial, que está prestes a congelar até a morte, tornando-se, em suas próprias palavras, “um picolé de carne”. A cena é interpretada para dar risadas; seu último suspiro soa mais como um choro. Mas Pattinson tem uma maneira própria de fazer o público considerar a humanidade em personagens negligenciados ou subestimados, seja interpretando um fotógrafo encarregado de tirar um retrato de James Dean (em “Life”, de 2015) ou o ajudante de um explorador britânico (em “Z: A Cidade Perdida”, de 2017). Mickey, um homem azarado que, acidentalmente, aceita ser descartável — alguém que realiza tarefas perigosas para o bem da expedição e é regenerado cada vez que morre —, nem sequer tem certeza se merece viver. Atormentado pela culpa e vergonha de uma vida desperdiçada, ele se martiriza para expiar sua própria mediocridade, mas também na esperança de acertar na próxima tentativa. Em seus momentos finais, um amigo pergunta: “Ei, Mickey, como é morrer?” O alívio no rosto de Pattinson oferece uma resposta difícil.

A primeira impressão do ator ao ler o roteiro de Bong, adaptado do romance de Edward Ashton de 2022, foi: “Ah, quero fazer algo no estilo do Jim Carrey.” Embora soubesse que interpretar uma vítima de crueldade constante no estilo de Lloyd Christmas, o motorista de limusine de dentes lascados de Carrey em “Debi & Loide” (1994), era, como ele coloca, “uma corda bamba incrivelmente difícil de andar”, o desafio o empolgou. Bong, de 55 anos, que desenha todos os seus próprios storyboards, conta que Pattinson estava ansioso para contribuir, oferecendo ajudar a revisar diálogos e “nos iluminando com humor e conhecimento de gírias que eu nunca teria descoberto por conta própria.” (Presume-se que a analogia de Mickey para levar um choque elétrico — “é como engolir uma enguia elétrica” — tenha sido sugestão do ator.) Em Bong, Pattinson encontrou um parceiro criativo. “Ele é um cara incomum,” diz Pattinson, observando que Bong filmava a última frase de uma cena primeiro e fazia mudanças no roteiro conforme necessário. “Todo mundo no set ficava tipo: ‘O que está acontecendo?’” Mais tarde, Pattinson me disse: “Os filmes que você mais gosta são os que parecem impossíveis no começo. É um salto de fé — apenas conseguir finalizar já é incrível.”

“Mickey 17” não é uma analogia sutil. Mark Ruffalo interpreta um comandante com uma obsessão por colonialismo que evoca medo e religião para incitar violência contra os habitantes de outro planeta. Há uma trama de assassinato frustrada; uma jovem mulher negra surge como sua rival política. Mas o filme, que foi filmado em 2022 e atrasado por causa da greve dos atores, também pode ser lido como uma metáfora para a natureza volátil da fama: Mickey não percebe no que se meteu até ser tarde demais — até que sua sobrevivência depende dos caprichos de outros. E enquanto ele suporta todos os tipos de abuso e exploração, ele percebe há um modelo mais novo dele mesmo, esperando para substituí-lo. “Há algo em Rob que naturalmente atrai sua simpatia,” diz Bong. “Parecia que ele também suportaria dificuldades e injustiças com um sorriso inocente.”

Uma semana após nossa aula de cerâmica, Pattinson me liga de um quarto de hotel em Calgary. Ele está lá para filmar “Die, My Love”, adaptação de Lynne Ramsay do romance de estreia de 2012 da escritora argentina Ariana Harwicz. Lawrence interpreta uma versão da narradora sem nome de Harwicz, uma jovem mãe com psicose pós-parto que, no livro, sonha em matar a si mesma e sua família; Pattinson, que interpreta o marido no filme, diz que a história é “hilária”. (Outros podem não compartilhar seu senso de humor: ele também considera “High Life”, de Claire Denis, um filme de 2018 que confunde a cabeça e aborda inseminação artificial entre prisioneiros espaciais — no qual o personagem de Pattinson é violentado por uma cientista interpretada por Juliette Binoche — uma comédia.) Ele parece empolgado com o projeto, embora um pouco solitário. A caminho de uma aula de dança matinal exigida para o papel, ele assistiu a uma transmissão ao vivo do show de Wembley de Waterhouse em seu celular.

Das quatro músicas que ela apresentou, pelo menos uma delas, “To Love,” é sobre ele. “Existe um universo onde nossos caminhos nunca se cruzaram?” ela canta. “Onde eu chamei sua atenção, mas então alguém chegou, e nós dois esquecemos?” O casal, que ficou noivo no ano passado, se conheceu em 2018 em uma festa em uma casa em Los Angeles. “Ela estava sentada em frente a mim,” diz Pattinson, que não se lembra de muito mais sobre o jogo de “Werewolf” que estavam jogando com Javier Bardem, Penélope Cruz, Al Pacino e outros atores. “Suki e eu continuamos fazendo um ao outro rir, a ponto de alguém nos dizer que não estávamos levando o jogo a sério. Foi um momento muito, muito doce.” Ele pronuncia essa última parte com um tom afetado, algo que faz quando se sente vulnerável.

Desde que começou uma família com Waterhouse, Pattinson parece ter se tornado um pouco mais sério. Embora ele já tenha sonhado em morar no sótão de uma catedral (“com uma cadeira,” ele diz), eles recentemente compraram uma casa em estilo colonial espanhol da década de 1920 ao norte de Hollywood e mantém um apartamento em Nova York. Ter uma filha, também, o mudou de maneiras inesperadas. Antes de seu nascimento, ele pensou em comprar uma arma para proteger a casa. “Mas então ela nasce,” ele diz, “e é apenas uma batatinha que faz cocô.” Dada a instabilidade da indústria cinematográfica, ele acrescenta que a permanência da paternidade o tornou mais centrado. Eggers notou uma diferença marcante em seu colaborador: quando se conheceram em 2016, Pattinson estava “curvado em sua cadeira com seu vape na mão, olhando por cima do ombro o tempo todo,” recorda o diretor. “Mas não vejo mais isso em sua personalidade.”

No trabalho, Pattinson parece estar se divertindo mais. Sua produtora, Icki Eneo Arlo — o nome é “apenas uma mistura de letras”, ele explica —, que ele fundou há dois anos com seu ex-assistente Brighton McCloskey, tem cerca de 20 filmes e séries em desenvolvimento, incluindo um documentário sobre a Seleção dos Estados Unidos de Futebol para Cegos; um filme dirigido por Lance Oppenheim chamado “Primetime”, inspirado no programa da NBC “Dateline: To Catch a Predator”; e uma comédia sobre um casal tentando salvar o casamento por meio do candaulismo. “Se você é apenas um ator, acaba não conhecendo ninguém além de diretores que querem que você interprete um príncipe inglês”, ele comenta. “Fazendo isso, conheci tantas pessoas diferentes e sinto que tenho algo a oferecer a elas. Isso também me tornou mais consciente do que estou fazendo como intérprete.”

Um dia, ele talvez queira dirigir. Por enquanto, produzir filmes já é suficiente como um plano de contingência, especialmente para alguém como Pattinson, que, segundo ele mesmo, sente que “tudo está desmoronando o tempo todo”. Parte disso, ele admite, é apenas imaginação. Mas há um outro aspecto da indústria cinematográfica — onde a estrela brilhante de hoje vira a notícia esquecida de ontem — que lhe parece muito real. Antes de encerrarmos, ele me diz que costuma lembrar de algo que Paul Newman, um dos grandes astros do cinema americano, disse certa vez sobre a vida útil de um ator: “No começo da sua carreira, é ‘Quem é Paul Newman?’ Depois, é ‘Quero Paul Newman.’ Em seguida, ‘Quero um jovem Paul Newman.’ E, por fim, ‘Quem é Paul Newman?’” Pattinson gosta da ideia de que todos começam suas histórias como completos desconhecidos. E, com uma mistura de resignação e alívio, ele acrescenta que, na maioria das vezes, é assim também que elas terminam.

Fonte | Tradução: Amanda Agostinho, Maya Fortino e Maria Luisa Machado
Adaptação: Deia Rouxinol e Ana Paula Oliveira

Como noticiamos na semana passada, Robert Pattinson é a nova capa da ES Magazine, trazendo nova entrevista e sessão com fotos inéditas. Traduzimos a entrevista completa e você pode ler a seguir.

Depois de dormir muito pouco, você pode pensar que o ator e ícone geracional que é Robert Pattinson não seria tão comunicativo. Mas não, ele conta a Alexandra Jones sobre ataques de pânico na pista de dança, dietas baseadas apenas em batatas e o medo de fazer uma pausa.

Mesmo com um boné de beisebol puxado para baixo cobrindo seus olhos, pois estava acordado desde as 4 da manhã, (agora são 7 da noite) quando fico cara a cara com Robert Pattinson ele rapidamente me garante que está totalmente bem. O fato de ele ter acordado cedo é porque está no meio das filmagens de um novo filme: um filme que o deixa extremamente entusiasmado.

“É com o diretor de Parasita, Bong Joon-ho, e é diferente de tudo que já fiz antes”, diz ele. “O filme é tão louco, é um estilo de trabalho completamente diferente.” No filme – Mickey 17, baseado em um romance distópico de ficção científica de Edward Ashton: Pattinson interpreta duas versões de si mesmo (ambos clones) que se unem para trabalhar juntos. “É tanta conversa”, diz ele. Ele está hospedado em um pequeno hotel em Bedford perto de um grande hangar do aeroporto onde eles construíram o set. À noite, ele volta para seu quarto, ficando cada vez mais preocupado que possa ser assombrado. “De qualquer forma, só hoje que fui perceber que eu provavelmente não estou vendo fantasmas – deve ser porque eu tenho bebido cerca de 17 xícaras de café por dia.” Então, apenas para confirmar: Robert Pattinson não está ficando louco, ele só está muito, muito cansado.

Por um longo tempo, Pattinson tem sido um dos atores consistentemente interessantes de sua geração. Mais recentemente, ele voltou para o território dos filmes de grande bilheteria, como um Bruce Wayne agradavelmente incomum em O Batman. Durante a década passada ele aperfeiçoou sua técnica em filmes art-house e indie, interpretando frequentemente personagens criminosos, atípicos e desagradáveis para alguns dos diretores mais respeitados do mundo (David Cronenberg e Christopher Nolan entre eles). Pessoalmente meu favorito é Pattinson como o traficante profundamente antipático Connie, no frenético filme dos irmãos Safdie, Bom Comportamento. Você esquece que está assistindo a um homem que já foi considerado o galã adolescente mais bonito do mundo, o que é basicamente a questão. A narrativa por muitos anos tem sido que as escolhas de carreira de Pattinson são uma reação contra o megaestrelato que foi empurrado sobre ele durante seu tempo interpretando Edward Cullen na franquia Twilight.

Mas enfim, ele está aqui como embaixador de fragrâncias da Dior, envolvido no relançamento do Dior Homme Sport e na adição de um creme de barbear à linha mais vendida. Ele trabalha com a marca há 10 felizes anos, tanto que ele me diz que se tornou amigo íntimo de muitas pessoas da empresa. “Eu não estou dizendo isso apenas para ser legal. Tem sido uma das experiências pessoais e de trabalho mais agradáveis ​​que já tive na minha vida.” Em termos de fragrância, ele diz que é ruim em identificar quais são seus cheiros favoritos, “mas – quero dizer, é meio cafona – se você está apaixonado por alguém, o cheiro dela se torna muito particular para você… então sim, algo como “namorada de roupão”. A namorada dele é a modelo e musicista Suki Waterhouse. O casal está junto há vários anos, embora só recentemente tenham se tornado ‘oficiais no tapete vermelho’ e, dado o interesse público em seus relacionamentos anteriores (primeiro com a co-estrela de Crepúsculo, Kristen Stewart, depois com a musicista FKA twigs), talvez não seja de se admirar que eles tenham permanecido fora do radar por tanto tempo.

O que ele mais gosta em trabalhar com a Dior são as oportunidades que a marca oferece-o, diz ele. No último anúncio da fragrância Dior Homme, ele teve a chance de enfrentar um de seus maiores medos: dançar em público. “Achei que tinha quebrado minha maldição quando fiz aquela cena [que envolve Pattinson se remexendo de forma exuberante e descontrolada]. Mas então fui a uma festa algumas semanas depois – pensando que era como o Billy Elliot, e assim que dei um passo na pista de dança tive um dos maiores ataques de pânico da minha vida. Você sabe quando pensa que é aquele cara e, de repente, é brutalmente humilhado? Sim, parecia que meu pai tinha me pego fazendo racha com um carro. Fiquei com frio; Acho que deixei a festa depois disso.” Pattinson falou no passado sobre o fato de que se sente desconfortável em ser o centro das atenções e não gosta de multidões.

Atuar parece uma escolha de carreira estranha para alguém com essas aversões específicas, porém, presumivelmente, ele não esperava que fosse gerar essa luxúria fanática em cerca de metade das adolescentes do mundo. Talvez o momento em que temos uma percepção mais profunda de suas opiniões sobre a fama seja através de Fear & Shame (Medo & Vergonha), o curta de comédia de três minutos que ele escreveu e estrelou, em 2017. Neste, uma celebridade faminta se encontra em um neurótico espiral descendente enquanto corre por Nova York em busca de um cachorro-quente. Ele tenta escapar dos paparazzi e evita ser reconhecido (“Ele é de Teen Wolf”, diz uma garota na rua. “Ela definitivamente está zombando de você”, responde o monólogo interno de Pattinson). Temos uma noção da claustrofobia e paranóia que alguém nessa posição pode experimentar.

O problema é que ele é muito gostoso. Mesmo com o mínimo de sono, Pattinson é bonito o suficiente para fazer você corar (e eu nem era Team Edward naquela época): maxilar pontudo e leonino, ele também é despretensioso, autodepreciativo. Na sessão de fotos para esta edição, ele entrou com tão pouco alarde (segurando uma sacola reutilizável com estampa de cachorro com seu almoço dentro) que a princípio ninguém percebeu que ele havia chegado. Ele se moveu pela sala, apertando a mão de todos, dizendo ‘olá’ para cada membro da equipe. Ele não é exatamente charmoso, daquele jeito polido de LA, ele é muito inglês e inquieto (ele fuma em um vape durante a entrevista – não é um com sabor, ele me diz – ele está tentando parar), mas ele é engraçado. Não é algo que eu esperava, você raramente lê isso sobre ele, mas tudo o que ele diz tem uma inflexão perversamente irônica. Ele tem um olho aguçado para o absurdo (veja novamente: Fear & Shame) e sempre da risada, muitas vezes de si mesmo. Nos dias que antecederam nossa entrevista, me deparei com várias pessoas que o conhecem ou que já o encontraram, todas tinham uma ótima impressão. A escritora de Sucessão Lucy Prebble, por exemplo, elogia ele; eles não são próximos, mas já se encontraram algumas vezes e ele é muito divertido, ela me diz, bom para sair à noite.

Eu não posso te dizer qual é a equação que leva um ator gostoso a ser rotulado como um ‘ator sério’ enquanto outro é descartado como mero ‘colírio para os olhos’, mas Pattinson certamente não é o primeiro a achar frustrante o destino que lhe foi atribuído. No início deste ano, Alexander Skarsgård disse que depois de seu primeiro emprego, ele acabou em uma ‘estúpida ‘lista sexy e gostoso” e então ninguém o levou a sério. No passado, Pattinson falou sobre resistir à pressão de ficar muito malhado para interpretar seus personagens, incluindo Batman. Foi uma piada, ele diz (‘embora eu tenha me encrencado ao dizer que não malho, até mesmo o meu treinador disse: ‘Por que você diria isso?‘), mas a fala certamente sugere seu desconforto em ser visto como um símbolo sexual. Também é, ele aponta, ‘muito embaraçoso quando você entra em um padrão de responder a perguntas sobre seu treino, porque sempre haverá um cara que está em melhor forma do que você‘.

Brincadeira ou não, suas falas trouxeram atenção para a pressão que os homens enfrentam para ter uma determinada aparência, uma pressão que vem sendo filtrada constantemente para meninos cada vez mais jovens. ‘Sim, é uma loucura’, diz ele. “E é muito, muito fácil cair nesse padrão também, mesmo que você esteja apenas acompanhando sua ingestão de calorias, é extraordinariamente viciante – e você não percebe o quão traiçoeiro é até que seja tarde demais.” Pattinson diz que ele nunca lutou com a imagem corporal, ‘mas basicamente tentei todos os modismos que você pode imaginar, tudo exceto consistência. Certa vez, comi apenas batatas por duas semanas, uma desintoxicação. Apenas batatas cozidas e sal rosa do Himalaia. Aparentemente é uma limpeza… você definitivamente perde peso. E eu tentei fazer a dieta cetogênica uma vez. Eu estava tipo, “Oh, existe uma dieta em que você só come tábuas de charcutaria e queijo o tempo todo?” Mas não sabia que você não pode tomar cerveja, isso anula completamente o propósito.” Uma de suas resoluções para 2023 é tentar a consistência – e adotar um cachorro. “Passei tantas horas olhando fotos de cachorros diferentes, literalmente por meses e meses, então, se eu não adotar um, será uma perda de tempo colossal. Quero dizer, eu realmente investi nisso.” Ele me disse que prefere os desleixados e nanicos.

É engraçado que neste próximo filme ele interprete clones de si mesmo porque há nas redes sociais um deepfake (inteligência artificial que gera uma falsificação profunda) de Robert Pattinson. “Eu sei, é assustador”, diz ele. ‘A quantidade de pessoas que me conhecem muito bem e ainda vão ficar tipo, “Por que você está fazendo esses vídeos estranhos de dança no TikTok?” É realmente bizarro. Você acaba percebendo que estamos a dois anos de sermos indistinguíveis da realidade – e o que diabos eu vou fazer como trabalho então?’

Apesar de ter uma agenda tão intensa que beira a psicodelia, ele me diz que ainda se preocupa sobre o próximo trabalho. ‘Existe algo em mim que é muito, muito profundo e faz com que a ideia de tirar férias pareça uma impossibilidade… Eu me pego pensando: “Não, eu tenho que continuar trabalhando, tenho que continuar trabalhando o tempo todo, pode ser minha última oportunidade, tenho que deixar a pausa pra quando for necessária. É genético. Meu pai sempre foi ruim em tirar férias’, continua. ‘Ele sempre adorava, mas eu me lembro, mesmo sendo muito novo, que sempre havia lágrimas na noite anterior – ele dizia: ‘Apenas vá sem mim, apenas vá sem mim.’

Porém, ele me diz assim que terminamos a entrevista, que a sua hora de tirar uma folga chegará. ‘E enquanto isso’, ele sorri, ‘estarei aqui lutando contra o demônio fantasma.’

Fonte | Tradução: Mayara Fortino – Equipe RPBR

A ES Magazine trouxe em sua primeira edição de 2023 o ator Robert Pattinson em sua capa! Com uma nova sessão de fotos e entrevista, o ator fala sobre ataques de pânico na pista de dança, dietas só de batata e medo de tirar uma folga. Além disso, o ator também mencionou um assunto recorrente nas redes sociais: suas deep fakes.

“É assustador. A quantidade de pessoas que me conhecem muito bem e ainda fica tipo, ‘Por que você está fazendo esses vídeos estranhos de dança no TikTok?’. É realmente bizarro. Você percebe que estamos a dois anos de ser indistinguível da realidade – e o que diabos vou fazer como trabalho então?”.

Confira a capa na galeria, em breve atualizaremos com mais imagens da revista.
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