Suki Waterhouse, aos 34 anos, mãe de uma filha de dois anos com Robert Pattinson, relembra com nostalgia sua juventude selvagem em Notting Hill enquanto lança o álbum Loveland, que equilibra a saudade da vida impulsiva com a realização da maternidade e do amor maduro. Durante a entrevista com a Variety, ela celebra a transformação pessoal pós-parto, o reencontro com o parceiro e planeja mais filhos, mantendo a privacidade da família enquanto continua sua carreira musical e turnês. Confira!
Suki Waterhouse está se sentindo nostálgica. Em uma tarde cinzenta de primavera, a atriz, cantora e modelo de 34 anos me encontra em um aconchegante pub em Notting Hill, em Londres, bem em frente ao apartamento onde morou durante grande parte dos seus 20 anos. Seu empresário reservou uma mesa usando um pseudônimo, mas às 14h30 o local está praticamente vazio, exceto por alguns senhores tomando Guinness. “Isso foi completamente desnecessário”, brinca Waterhouse ao me cumprimentar. Vestindo um elegante casaco de Vivienne Westwood, ela acrescenta: “Mas talvez tenha me dado um ar de mistério.”
Na verdade, Suki está longe de ser misteriosa. Ela chegou antes de mim ao pub e já havia pedido uma Coca-Cola e uma porção de batatas fritas para dividir. Nos acomodamos em um canto mais reservado. Há um pedaço de papel de canudo sobre a mesa, mas ela simplesmente o afasta sem se incomodar e se encolhe na poltrona como um gato.
Uma semana digna de estrela. A semana já havia sido agitada. Tudo começou no Met Gala, onde Suki chamou atenção usando um vestido rosa decotado de Michael Kors inspirado em esculturas gregas esculpidas em mármore rosado. A escolha foi apropriada. Pessoalmente, ela parece uma deusa. Sua pele parece retocada digitalmente, exceto por algumas sardas no nariz. O cabelo loiro-mel, cortado em um estilo shag que inspirou inúmeras mulheres (inclusive a jornalista), é incrivelmente brilhante. Suki comenta: “Desde que tive minha filha, talvez tenha saído para apenas duas grandes noites.” Ela divide uma filha de dois anos com o parceiro, o ator Robert Pattinson, com quem se relaciona desde 2018. Os dois se conheceram durante uma famosa noite de jogos entre celebridades em Los Angeles.
Sobre o Met Gala, ela ri: “E sim, ficamos acordados até as sete da manhã.” Uma estrela em ascensão e uma mudança ainda maior. Enquanto sua carreira musical crescia, outra transformação acontecia. No início de 2024, Suki deu à luz sua filha. Pouco mais de um mês depois… ela estava se apresentando no Coachella. Hoje, olhando para trás, ela mal consegue acreditar. “Foi como um sonho.” Ou talvez um estado de transe. Ela descreve aquele período como um turbilhão emocional. “Quando ela nasceu, tantas coisas incríveis estavam acontecendo ao mesmo tempo.”
Suki acredita que, se tiver outro filho no futuro, talvez a experiência seja mais tranquila. Mas daquela vez não havia escolha. Tudo aconteceu de uma vez. A maternidade mudou profundamente sua percepção da vida. Segundo ela: “Tudo ficou tão real que chega a doer.” Ao mesmo tempo, descreve a experiência como: divertida; delicada; frágil; emocionante; engraçada. Uma mistura de sentimentos impossíveis de separar. Entre a liberdade e o lar.
Musicalmente, Loveland foi inspirado por artistas como: The Stone Roses, PJ Harvey The Replacements. Mas, emocionalmente, o álbum gira em torno de duas forças opostas. Por um lado: a nostalgia dos anos mais selvagens da juventude. Por outro: o desejo de estar em casa com a família.
“Existe esse lado impulsivo e despreocupado que eu sempre quero perseguir.” Mas também: “Existe uma parte de mim que sente falta dos momentos íntimos e aconchegantes.” Segundo ela, ambas as versões são igualmente verdadeiras.
A música sobre Notting Hill. Uma das faixas do álbum se chama simplesmente: Notting Hill. A canção é uma homenagem aos seus vinte e poucos anos. Às ressacas. Às corridas pelas ruas do bairro. E aos sonhos românticos inspirados no filme clássico estrelado por Hugh Grant. Mas existe outro motivo para a música ser especial. Foi naquele apartamento de Notting Hill que ela se apaixonou por Robert Pattinson. Ao mencionar isso durante a entrevista, Suki cora. “Foi realmente lá que eu me apaixonei pelo Rob.” De corações partidos a um amor diferente.
Grande parte das músicas que Suki escreveu no início da carreira falava sobre: relacionamentos tóxicos; desilusões amorosas; dores da juventude. Ela define aquele período como: “A montanha-russa dolorosa da feminilidade.” Mas Loveland é diferente. Agora seu coração está aberto por outros motivos. “Foi interessante ter meu coração partido de uma forma diferente desta vez.” Não pela dor.
Mas pelo amor. Robert Pattinson é a musa de Loveland. Ou melhor… o muso. É impossível ouvir o álbum sem perceber a influência de Pattinson. A faixa de abertura e primeiro single, “Back in Love”, celebra tanto a recuperação emocional de Suki após o parto quanto a nova fase do relacionamento dos dois. Ela explica: “Minha identidade parecia ter sido completamente desmontada quando me tornei mãe.” Vieram dúvidas. Inseguranças. Mudanças hormonais intensas. “Os hormônios depois de ter um bebê são extremamente fortes.” A música fala sobre reencontrar a confiança em si mesma. E também sobre redescobrir o relacionamento. “Não é que eu tenha deixado de amar meu parceiro.” Mas tudo mudou. Segundo ela: “O relacionamento antigo desaparece.” E então um novo relacionamento precisa ser construído. “É uma celebração da beleza disso tudo. Nós sobrevivemos.”
Suki também não quer que a filha cresça sentindo a pressão de ter pais famosos. Durante a entrevista, ela faz uma reflexão simples: “E se ela quiser ser uma cientista incrível?” Ela acredita que a criança deve ter liberdade para escolher o próprio caminho. “Daqui a vinte anos veremos se ela vai querer fazer algo público ou não.” Mas admite, rindo, que existe um detalhe preocupante. “Infelizmente, ela é bastante teatral.”
A música que fala diretamente sobre Robert. Uma das faixas mais pessoais de Loveland é “Tiny Raisin”. Na música, Suki canta: “Esse é o nome dele no meu pingente / Essa é minha filha nos braços dele.” A canção mistura amor, humor e os desafios do pós-parto. Segundo ela: “Existe muita angústia pós-parto ali, mas também muito amor.” O refrão, porém, deixa pouco espaço para dúvidas sobre quem inspirou a música. Ela canta: “Esse é o meu homem / Meu Deus.” Ciúmes? Nem pensar. Outra faixa importante do álbum é “Morals”. A inspiração surgiu durante uma conversa sobre os desafios de namorar um ator. Quando perguntada se sente ciúmes de Pattinson trabalhando com outras atrizes, Suki parece genuinamente surpresa. “Meu Deus.” E então responde: “Se eu me preocupasse com isso, estaria deitada no chão neste momento.” Ela ri. “Eu nem conseguiria sair da cama.”
A música mais importante do álbum. Apesar das faixas românticas e divertidas, Suki diz que o coração de Loveland está na última música: “Weirdo”. A canção fala sobre sentir falta de Pattinson enquanto ambos estão trabalhando. Logo no início ela canta: “Você está em um set de filmagem / Isso é a Roma Antiga?” Uma referência direta às gravações de The Odyssey, de Christopher Nolan, que Pattinson filmava durante a criação do álbum. No refrão, ela canta: “Sonhos se realizam / Mas eles me levam para longe de você.”
Amor à distância. Segundo Suki, a música não é uma reclamação. Pelo contrário. É uma aceitação da realidade que vivem. Os dois estão realizando sonhos profissionais enormes. Mas isso frequentemente significa passar longos períodos separados. Ela resume o sentimento de forma divertida: “Faz tempo que não escovo os dentes ao seu lado.” Para ela, a música fala sobre maturidade. “Não é sobre dizer que isso é horrível.” É sobre entender que essas fases passam. E confiar que o relacionamento permanece forte. Londres virou a base da família. Pelo menos por enquanto.
Enquanto Pattinson grava The Batman: Parte II, Suki está se preparando para sua nova turnê norte-americana. Isso significa que a família passará boa parte de 2026 em Londres. Uma raridade para dois artistas que vivem constantemente viajando. Casamento? Talvez. A entrevista também aborda um tema que os fãs acompanham há anos. O casamento.
Embora Suki e Robert nunca tenham anunciado oficialmente um noivado, ela foi vista usando um anel de noivado pouco depois de revelar sua gravidez. O anel continua lá. Brilhando em sua mão. Quando questionada sobre o assunto, ela ri. “Nada é mais assustador do que planejar um casamento, certo?” E então faz uma revelação divertida. “Vou ao casamento da Taylor e talvez encontre alguma inspiração.” Ela acrescenta: “Vai ser incrível.” Mais filhos? Sim. Definitivamente!
Ao final da entrevista, Suki diz que sente que finalmente encontrou seu lugar. Hoje, sua vida gira em torno da criação. Criar música. Criar arte. Criar uma família. Quando pensa no futuro, ela tem um objetivo bastante claro: “Quero continuar criando.” E depois acrescenta: “E talvez ter uma família maior.” Quantos filhos? Ela já tem a resposta. “No máximo mais dois.” E conclui, sorrindo: “Seria legal.”
Fonte: Variety | Tradução: Glória Mel – RPBR